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Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista

Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista Crédito, AP Legenda da foto, Amal Khalil era jornalista do jornal libanês Al-Akhbar Article

Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista
Líbano acusa Israel de crime de guerra por ataque que matou jornalista
Foto da jornalista Amal Khalil, do jornal libanês Al-Akhbar, usando colete e capacete de imprensa enquanto fazia reportagem perto de uma ponte destruída em Qasmiyeh

Crédito, AP

Legenda da foto, Amal Khalil era jornalista do jornal libanês Al-Akhbar
Article Information
    • Author, Tom McArthur
      e
    • Author, Helen Sullivan
    • Role, BBC News
  • Há 12 minutos
  • Tempo de leitura: 6 min

O primeiro-ministro do Líbano acusou Israel de crimes de guerra após ataques aéreos israelenses matarem uma jornalista e ferirem outra no sul do país na quarta-feira (22/4). Segundo o governo do Líbano, o ataque israelense matou Amal Khalil, que trabalhava para um jornal libanês, e feriu a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj.

Autoridades libanesas afirmam que as jornalistas foram alvo deliberados dos ataques enquanto buscavam abrigo em uma casa, depois que um ataque aéreo inicial atingiu o veículo à frente delas, matando dois homens.

Segundo autoridades do Líbano, as Forças de Defesa de Israel também teriam atingido intencionalmente uma ambulância identificada quando ela tentava chegar até as jornalistas no vilarejo de Tayri.

As Forças de Defesa de Israel negaram ter impedido equipes de resgate de chegar à área e afirmaram não ter como alvo as jornalistas mortas no ataque.

A jornalista Khalil, 43, que trabalhava para o jornal libanês Al-Akhbar, e Faraj, fotógrafa freelancer, viajavam juntas. Os dois homens que morreram não tiveram seus nomes divulgados pelas autoridades. Leia também: Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadas

"Atacar jornalistas, impedir o acesso de equipes de socorro até eles e até mesmo voltar a atingir seus locais após a chegada dessas equipes constitui o que pode ser descrito como crimes de guerra", afirmou o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam.

Ele acusou Israel de atacar repetidamente profissionais da imprensa no sul do Líbano, no que descreveu como "uma abordagem instituída".

Salam prestou condolências à família de Khalil e disse que o país "levará esses crimes aos fóruns internacionais competentes".

Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmaram que "não têm jornalistas como alvo e atuam para reduzir danos, ao mesmo tempo em que mantêm a segurança de suas tropas".

As FDI afirmaram ter identificado dois veículos que haviam "partido de uma instalação militar utilizada pelo Hezbollah [grupo xiita libanês]". Mais de mundo

Segundo o comunicado, um dos veículos se aproximou das tropas israelenses de forma considerada uma "ameaça imediata", após cruzar uma "linha de defesa avançada", em violação ao cessar-fogo.

As FDI disseram que a Força Aérea israelense então atingiu um dos veículos e que a "estrutura da qual os indivíduos haviam saído também foi atacada". Leia também: Quem foi São Jorge, padroeiro do Rio de Janeiro e da Inglaterra

O Ministério da Saúde do Líbano, por outro lado, afirmou que as Forças de Defesa de Israel "perseguiram" Khalil e Faraj, "que haviam buscado abrigo do primeiro ataque em uma casa próxima, atingindo o local onde tentavam se proteger".

Quando uma ambulância da Cruz Vermelha chegou para socorrer os feridos, as forças israelenses lançaram uma granada de efeito moral e dispararam tiros em sua direção, impedindo que ela os alcançasse, informou o Ministério em comunicado.

"Isso constitui uma dupla violação flagrante: obstruir os esforços de resgate de uma cidadã conhecida por sua atuação cívica na mídia e atingir uma ambulância claramente identificada com o emblema da Cruz Vermelha", disse o Ministério da Saúde do Líbano.

Clayton Weimer, diretor executivo da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras, disse que as Forças de Defesa de Israel haviam recebido mensagens da organização, bem como de jornalistas, pedindo que permitissem a chegada de ambulâncias até Khalil.

"A Cruz Vermelha sinalizou que não conseguiu passar devido aos bombardeios israelenses em andamento. Isso demonstra um descaso cruel, somado ao que parece ser o assassinato deliberado e direcionado de uma jornalista."

Imagem mostra equipes de resgate no local de um ataque que atingiu duas jornalistas libanesas
Legenda da foto, Faraj foi finalmente resgatada junto com dois dos mortos. Já o corpo de Khalil foi recuperado posteriormente por equipes de emergência, segundo a Defesa Civil do Líbano

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