← Mundo
Mundo

'Família Bolsonaro não deve se meter mais nas eleições do Rio, porque só apresentam ladrão', diz deputado ex-bolsonarista Otoni de Paula

'Família Bolsonaro não deve se meter mais nas eleições do Rio, porque só apresentam ladrão', diz deputado ex-bolsonarista Otoni de Paula Crédito, Kayo Magalhães / Câmara

'Família Bolsonaro não deve se meter mais nas eleições do Rio, porque só apresentam ladrão', diz deputado ex-bolsonarista Otoni de Paula
'Família Bolsonaro não deve se meter mais nas eleições do Rio, porque só apresentam ladrão', diz deputado ex-bolsonarista Otoni de Paula
Otoni de Paula discursa na Câmara

Crédito, Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Article Information
    • Author, Mariana Schreiber
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 19 min

Declaradamente de direita e bolsonarista arrependido, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) tem chamado atenção por críticas abertas a seu campo político.

Em outubro, por exemplo, condenou a megaoperação policial que deixou mais de 100 mortos em duas comunidades do Rio de Janeiro, evento que ampliou o apoio ao então governador Cláudio Castro (PL), agora condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por desviar recursos da máquina pública para bancar cabos eleitorais em 2022.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele diz que a operação não passou de "teatro" para distrair a opinião pública e encobrir conexões entre facções criminosas e autoridades fluminenses.

Na sua visão, o Rio de Janeiro já se tornou um "narcoestado" onde "não se tem mais pudor de roubar", e a família Bolsonaro teria responsabilidade direta pela atual crise, já que apoiou os últimos dois governadores eleitos — além de Castro, recém-condenado pelo TSE, Wilson Witzel, que sofreu impeachment em 2021, acusado de corrupção.

"Eu não tenho dúvida nenhuma de que Flávio Bolsonaro faz parte dessa quadrilha. E o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro é responsável por essa quadrilha que acabou com o estado do Rio de Janeiro", critica. Leia também: CCJ da Câmara aprova propostas que acabam com a escala 6X1; o que acontece agora

"Eu votei no Wilson Witzel porque ele pediu. Eu votei no Cláudio Castro porque ele pediu. E em nenhum momento o ex-presidente Bolsonaro veio a público para admitir sequer que errou", reforça.

Otoni diz ainda que "seria até digno a família Bolsonaro não se meter mais nas eleições do Rio, porque eles só apresentam ladrão".

Esse cenário, diz, é que o leva a apoiar o ex-prefeito carioca, Eduardo Paes (PSD), ao governo do Rio, no que trata como um alinhamento inesperado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua aliança, porém, vem de antes, quando apoiou a reeleição de Paes como prefeito e obteve a nomeação de seu filho, Otoni de Paula Filho, como secretário municipal da Cidadania e Família.

Já na disputa do Palácio do Planalto, mantém seu desejo por um governo de direita e apoia o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), apesar de discordar de sua promessa por ampla anistia para os condenados por golpe de Estado.

Procurado pela BBC News Brasil por meio de sua assessoria, Flávio Bolsonaro não respondeu às acusações de Otoni contra si e seu pai. A reportagem também não obteve retorno da assessoria de Cláudio Castro. Mais de mundo

Já o ex-governador Wilson Witzel disse que Otoni se tornou o principal articulador de sua perseguição depois que recusou nomear "nomes absurdos" indicados por ele para comandar secretarias, delegacias e batalhões de polícia na sua gestão.

"Sabotou meu governo, minou minha relação com o presidente Bolsonaro e foi o responsável por colocar Castro na cadeira de governador", acusou. Leia também: Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadas

"Hoje finge ser oposição, quando sempre foi governo. Otoni é uma serpente, tal qual seu chefe, Eduardo Paes. Traiu a igreja, traiu o eleitor, traiu Bolsonaro e, não demora, vai trair Lula", continuou.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Otoni à BBC News Brasil. Parlamentar evangélico, ele também defende o papel dos pastores no combate ao machismo e à cultura do estupro.

"A igreja peca quando não debate esse assunto, e já há comprovações de que uma parte considerável das mulheres violentadas está em nossas igrejas. E, quem as violentou, uma parte são aqueles que se dizem de Deus, que defendem a família, que são cristãos", diz o deputado.

De terno preto e gravata listrada, Bolsonaro, está sentado ao lado de Otoni de Paula, que usa terno azul, gravata estampada e segura o braço do então presidente. Ambos gargalham.

Crédito, Anderson Riedel/PR

Legenda da foto, Otoni de Paula acusa Jair Bolsonaro de ser responsável pela atual crise do Rio de Janeiro

BBC News Brasil – O senhor protocolou um pedido ao Ministério Público Federal (MPF) de intervenção federal no Rio de Janeiro, o que daria a administração do Estado ao governo Lula. Por que defende essa medida?

Polícias de preto e fortemente armados atrás de veículos queimados em barricadas durante operação da polícia
Legenda da foto, Megaoperação no Rio de Janeiro matou mais de cem pessoas em outubro de 2025
Paes, de blusa e blazer azuis, posa ao lado de Lula, que usa terno cinza e gravata estampada roxa. Ambos sorriem e dão as mãos em um gesto de aliança
Legenda da foto, Otoni apoia Paes para o governo do Rio, apesar da aliança do carioca com Lula
Caiado de blazer azul gestocula ao discursar ao microfone para apoiadores cercado de aliados políticos
Legenda da foto, Otoni apoia Caiado, mas discorda de promessa de anistia a Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, de roupa social, ajoelhado e olhando para o chão, durante culto evangélico, ao lado de um pastor que discursa para os fiéis com um braço erguido
Legenda da foto, Otoni de Paula ironiza visitas de Flávio Bolsonaro a igrejas evangélicas em ano eleitoral: 'Que bom que voltou para Jesus'
Um homem e uma mulher vistos pelas costas durante culto em igreja evangélica. Os dois estão sentados de frente para o palco com os braços erguidos e ele segura uma bíblia.
Legenda da foto, Pesquisas eleitorais apontam Flávio Bolsonaro como o favorito entre eleitores evangélicos

Leia também