Characidium urucum em vida — Foto: Pedro Uzeda
Uma nova espécie de peixe do gênero Characidium, conhecido popularmente como "mocinha" ou "canivete", foi descoberta na Bacia do Rio Grande, no sul de Minas Gerais. O animal foi encontrado em trechos que cortam os municípios de Carrancas, Aiuruoca, Luminárias, Bocaina de Minas e Oliveira.
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A espécie foi batizada de Characidium urucum. O nome é uma homenagem à semente de urucum, muito usada como corante natural, e faz referência direta à coloração avermelhada do peixe. A característica chamou a atenção dos pesquisadores por ser incomum para indivíduos do mesmo gênero, que normalmente apresentam um padrão marrom com listras pretas.
A função ecológica dessa cor vermelha, no entanto, ainda não é conhecida e deve ser investigada em estudos futuros. Leia também: Rede de exploração sexual de menores é alvo de Operação da Polícia Civil em Macapá e Santana
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A força da geologia
Rio Capivari, Carrancas, MG — Foto: Pedro Uzeda
Além do visual inédito, os cientistas identificaram que uma alteração geológica de grande escala influenciou a diferenciação da espécie: a mudança de curso do Rio Grande, ocorrida há aproximadamente 5 milhões de anos. Mais de noticia
No passado, o rio fazia parte da Bacia Hidrográfica do São Francisco. Porém, após mudanças geológicas no planeta, ele passou a pertencer à Bacia Hidrográfica do Paraná. Esse grande evento natural isolou populações de peixes da mesma espécie e interrompeu o fluxo de genes entre os grupos.
Com o passar do tempo, cada população seguiu seu próprio caminho, acumulando diferenças genéticas e morfológicas. O resultado desse isolamento milenar é o surgimento de espécies distintas, como a Characidium urucum. Através de análises genéticas e de morfologia, a espécie contribui hoje para o entendimento da dinâmica de dispersão de todo o gênero entre essas bacias. Leia também: Acusado de matar candidata a miss é encontrado morto em cela
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"Espécies podem surgir por adaptações ou especializações aos ambientes em que vivem, mas também podem surgir como consequência do isolamento de populações que uma vez estiveram conectadas", explica Pedro Uzeda, biólogo do Laboratório de Ecologia de Peixes da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e autor principal do estudo.
Processo que molda a América do Sul
De acordo com o pesquisador, esse tipo de processo não é exclusivo da nova espécie mineira. Situações semelhantes já foram observadas em diferentes regiões da América do Sul, principalmente em áreas montanhosas. Locais como a Serra do Mar e o Arco de Ponta Grossa, por exemplo, apresentam históricos de reorganização de bacias hidrográficas que também podem ter contribuído para a formação de novas espécies de peixes.
"Conhecemos processos similares que provavelmente ocasionaram o surgimento de novas espécies de peixes em bacias hidrográficas de toda a América do Sul", afirma Uzeda.
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