A vida de sucesso de Hayden Panettiere nas telas e a dificuldade da atriz
Ler matéria →'Proibir redes sociais para jovens não será solução mágica', diz psicóloga canadense

Crédito, Getty Images
- Author, Alessandra Corrêa
- Role, De Washington para a BBC News Brasil
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 16 min
"É muito fácil vender histórias assustadoras para os pais. Nós somos um grupo ansioso", diz a psicóloga canadense Candice Odgers em um TED Talk que já teve mais de 260 mil visualizações desde que foi lançado, em junho.
Leia no AINotícia: Mundo: EUA, Colômbia e Minerais em Panorama Global
Odgers se refere à ideia que ganhou força nos últimos anos de que smartphones e redes sociais estão por trás de um aumento nas taxas de ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes.
Os possíveis efeitos nocivos dessas tecnologias são fonte de preocupação não apenas para pais e mães, mas também para governos ao redor do mundo, muitos dos quais vêm adotando restrições ao uso desses serviços pelos mais jovens.
No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo (lives) do Discord. A decisão ocorreu após uma adolescente de 13 anos ter sido induzida à automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
A plataforma tem até esta segunda-feira (17/8) para cumprir a determinação. A suspensão vale até que a empresa comprove que adotou medidas eficazes para proteger crianças e adolescentes.
Mas Odgers, que é professora da Universidade da Califórnia em Irvine (UCI), nos Estados Unidos, especialista em psicologia do desenvolvimento e há 25 anos se dedica a estudar a saúde mental de crianças e adolescentes, argumenta que essas reações não são baseadas em evidências científicas.
"Estudo a saúde mental de adolescentes há muito tempo, e o que realmente me surpreende nesse debate é a distância enorme que existe entre a narrativa dominante quando se fala sobre os efeitos das redes sociais e o que a grande maioria dos estudos encontrou até hoje", diz Odgers à BBC News Brasil.
No entanto, ela afirma que, quando estudos mostram uma associação entre redes sociais e a saúde mental dos jovens, esta é muito pequena e tende a desaparecer após levados em conta outros possíveis fatores. Além disso, mesmo quando indicam correlações, não fica clara a direção da relação.
Segundo ela, proibir smartphones e redes sociais não vai resolver o problema e pode até ter o efeito contrário, ao ignorar causas mais complexas, impedir que se pense em outras soluções e empurrar os jovens para espaços menos regulados. Mais de mundo

Crédito, Cortesia/Steve Zylius/UC Irvine
Pule Promoção Agregador de pesquisas e continue lendo
Fim do Promoção Agregador de pesquisas Leia também: Por que impacto da IA em eleições pode estar sendo exagerado
Odgers não é a única a questionar o foco nas redes. Um comitê da Academia Nacional de Ciências dos EUA estudou o tema por um ano e concluiu que pesquisas sobre a relação entre redes sociais e saúde mental mostram "efeitos pequenos" e "associações fracas", que podem ser "influenciados por uma combinação de experiências boas e ruins".
"Ao contrário da narrativa cultural predominante de que as redes sociais são universalmente prejudiciais aos adolescentes, a realidade é mais complexa", disseram os autores.
Mas propostas para restringir o acesso de jovens às redes continuam ganhando apoio, diante de temores sobre os possíveis impactos de um ambiente online onde muitas vezes há risco de bullying, assédio e abuso sexual, conteúdos de teor extremo e outras ameaças.
No ano passado, a Austrália se tornou o primeiro país do mundo a proibir menores de 16 anos de usar plataformas como Facebook, Instagram, Snapchat, X, TikTok, YouTube e outras.
Desde então, diversos países, entre eles França, Reino Unido e Canadá, adotaram ou passaram a estudar algum tipo de restrição.


Leia também no AINotícia
- A vida de sucesso de Hayden Panettiere nas telas e a dificuldade da atrizMundo · agora
- Irã decidiu mudar sua política de defensiva para totalmente ofensiva, dizMundo · 4h atrás
- Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do InstagramMundo · 4h atrás
- EUA consideram novas sanções contra Alexandre de Moraes, diz jornal britânicoMundo · 4h atrás

