'Ele nos drogou e nos fez urinar na roupa': as acusações de mais de 200
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Crédito, Getty Images
- Author, Julia Braun
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 6 min
Durante os últimos anos, poucos temas despertaram tanta preocupação entre autoridades eleitorais, pesquisadores e empresas de tecnologia quanto o potencial da inteligência artificial generativa para distorcer eleições. A popularização de ferramentas capazes de criar áudios e imagens realistas alimentou previsões de que democracias ao redor do mundo enfrentariam uma avalanche de desinformação impulsionada pela IA.
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Mas, para Felix Simon, pesquisador da Universidade de Oxford, no Reino Unido, as evidências disponíveis até agora sugerem que esse temor pode estar sendo superestimado.
Simon argumenta que a influência da IA sobre resultados eleitorais tem sido frequentemente exagerada e que fatores políticos tradicionais continuam sendo muito mais decisivos para moldar o comportamento dos eleitores do que, por exemplo, deepfakes divulgados nas redes sociais.
Em entrevista à BBC News Brasil, o pesquisador do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo e do Instituto de Internet de Oxford afirma que a disputa pela atenção do público continua sendo uma das grandes limitações de qualquer estratégia de influência política, independentemente da tecnologia utilizada. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
"O principal desafio para influenciar o voto das pessoas ou persuadi-las de uma forma ou de outra é conseguir que elas prestem atenção— e isso é muito, muito difícil", diz.
"O dia só tem 24 horas, e dessas passamos 8 dormindo e muitas outras trabalhando ou fazendo tarefas domésticas. No fim das contas, sobram mais ou menos 4 horas para entretenimento, interação com conteúdos e pessoas— ou seja, há uma competição gigantesca pela atenção durante esse tempo."
Além disso, argumenta, a grande parte dos conteúdos utilizados em campanhas nas redes sociais serve apenas para confirmar opiniões já formadas. Ou seja, quem tende a receber e consumir os vídeos, áudios ou imagens gerados por IA num contexto eleitoral são cidadãos que já escolheram seus candidatos e, muitas vezes, estão mais propensos a acreditar em notícias falsas que favoreçam seu viés.
"A desinformação funciona porque existem pessoas receptivas a ela, geralmente pessoas que querem algo que confirme sua visão de mundo ou suas crenças sobre determinado partido ou candidato", diz o especialista.
"Mas a internet já está lotada de desinformação e embora seja possível criar mais, isso não significa um efeito maior." Mais de mundo

Crédito, Reprodução/Universidade de Oxford
Simon argumenta ainda que, embora os novos conteúdos criados com ferramentas avançadas de IA generativa sejam mais avançados e potencialmente mais persuasivos, os eleitores suscetíveis à sua influência não precisam ser convencidos de sua veracidade.
"Para os grupos mais suscetíveis [à desinformação], não são necessárias imagens muito sofisticadas", opina. Leia também: Por que existe o Dia Mundial do Mosquito — e o que isso tem a ver com o Nobel
O fator humano a IA
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Um artigo publicado por Simon, ao lado do psicólogo e pesquisador da Universidade de Zurique, Sacha Altay, pela Universidade de Columbia, nos EUA, analisou ainda uma série de eleições realizadas entre 2023 e 2024, quando o temor em torno dos conteúdos gerados por IA já era grande. Mas segundo a pesquisa, os impactos previstos simplesmente não se materializaram na escala esperada.
Mesmo com a proliferação de ferramentas generativas, os resultados eleitorais continuaram sendo fortemente influenciados por fatores econômicos, culturais, sociais e partidários, além do papel desempenhado por líderes políticos e meios de comunicação tradicionais.
"A influência da IA nas eleições nacionais foi amplamente ofuscada por outros fatores muito mais importantes, como a disposição dos políticos em desinformar, mentir e infringir outras normas", diz o artigo.
'Corrida armamentista'

Ampliação do nível de desconfiança e o futuro da IA na política
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