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Por que polêmica envolvendo Israel pode mudar o Eurovision para sempre

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Cerimônia de abertura da 70ª edição do Eurovision Song Contest, tradicional festival europeu da canção Article Information Author

Por que polêmica envolvendo Israel pode mudar o Eurovision para sempre
Cerimônia de abertura da 70ª edição do Eurovision Song Contest, tradicional festival europeu da canção

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Cerimônia de abertura da 70ª edição do Eurovision Song Contest, tradicional festival europeu da canção
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    • Author, Daniel Rosney
  • Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 13 min

Momentos depois de a Áustria ultrapassar Israel e vencer o Eurovision, tradicional festival europeu da canção, em maio do ano passado — garantindo o direito de sediar a edição de 2026 — os espectadores britânicos ouviram o comentarista Graham Norton dizer que os organizadores "devem estar respirando aliviados por não terem de lidar com uma final em Tel Aviv [capital de Israel] no próximo ano".

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A final da edição de 2026 do Eurovision acontecerá no sábado (16/5), com 25 países na disputa pelo título.

Os protestos contra Israel ganharam força nos últimos dias, mas eles começaram bem antes e levaram ao maior boicote da história do concurso.

Em uma manifestação com algumas centenas de pessoas na Basileia, na Suíça, onde a final de 2025 foi realizada, manifestantes carregavam bandeiras palestinas e espalhavam sangue falso pelo corpo para simbolizar as mortes em Gaza. Leia também: Por que encontro entre Trump e Xi deve definir relação entre superpotências por

Durante a final, a cantora israelense Yuval Raphael foi alvo de um protesto quando duas pessoas tentaram invadir o palco e atiraram tinta, atingindo um integrante da equipe do Eurovision.

O clima na arena durante a apuração dos votos foi o mais tenso que já vivi em anos cobrindo o festival.

Havia pessoas rezando. Algumas choravam. E a plateia gritava "Áustria, Áustria" enquanto aguardava o resultado final.

Manifestantes participam de ato contra a participação de Israel na 68ª edição do Eurovision Song Contest, na Suécia

Crédito, TT/Reuters

Legenda da foto, Alguns se opõem à participação de Israel desde o início da guerra em Gaza

Se parte da plateia parecia não querer a vitória de Israel, o voto popular mostrou outra realidade. Yuval Raphael, que havia recebido pontuações medianas dos jurados do Eurovision Song Contest, terminou à frente de todos os outros participantes na votação do público.

O resultado levou várias emissoras a questionarem a posição alcançada por Israel no ranking final. Elas destacaram que as contas oficiais ligadas ao governo israelense nas redes sociais, incluindo a do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incentivaram o público a votar até 20 vezes na representante do país, o limite máximo permitido pelo concurso. Leia também: A história dos golfinhos suicidas treinados na União Soviética que o Irã

A insinuação era de que o resultado do voto popular refletia menos um apoio amplo à artista Yuval Raphael e mais uma mobilização organizada para votar repetidamente no país.

O governo israelense afirma com frequência ser alvo de uma campanha internacional de difamação.

Por outro lado, algumas emissoras passaram a pedir uma auditoria do processo de votação no Eurovision. Também surgiram cobranças por mudanças no sistema de votação, em vigor há anos, para garantir, nas palavras da emissora pública flamenga VRT, "uma representação justa da opinião de telespectadores e ouvintes".

Em resposta, a União Europeia de Radiodifusão, responsável pelo Eurovision, afirmou que a votação passou por auditoria e verificação independentes e que não havia evidências de que a possibilidade de votar até 20 vezes "afetasse de forma desproporcional o resultado final".

Mais tarde, a entidade acrescentou que o resultado era "válido e robusto".

O maior boicote da história do concurso

A cantora suíça Lys Assia durante apresentação no Eurovision Song Contest em Lugano, na Suiça
Legenda da foto, O tradicional festival europeu da canção, criado em 1956, enfrenta a maior controvérsia de seus 70 anos de história

Unidos pela música

Fãs reagem durante uma apresentação da grande final da 69ª edição do Eurovision Song Contest
Legenda da foto, O Eurovision nunca esteve totalmente livre da política e defende valores como 'universalidade, inclusão e celebração da diversidade'
Manifestantes pró-palestinos seguram bandeiras e cartazes em frente aos estúdios da emissora pública irlandesa RTÉ
Legenda da foto, O boicote deste ano também levantou dúvidas sobre a capacidade da União Europeia de Radiodifusão de impedir que a geopolítica se sobreponha ao Eurovision
Yuval Raphael, representante de Israel, se apresenta com a música “New Day Will Rise” durante a final do Eurovision de 2025
Legenda da foto, Yuval Raphael foi escolhida para representar Israel após sobreviver ao ataque ao festival de música eletrônica Nova

Bandeiras em disputa

Representantes da Ucrânia e membros do Kalush Orchestra durante o tapete vermelho da festa pré-Eurovision realizada na casa de shows Sala La Riviera
Legenda da foto, O grupo ucraniano Kalush Orchestra, permissão para O grupo ucraniano Kalush Orchestra recebeu autorização para deixar o país, apesar da lei marcial, para participar do Eurovision em 2022
Pessoas seguram bandeiras de Israel durante a segunda semifinal do Festival Eurovision de 2025.
Legenda da foto, Algumas emissoras acreditam que apoiadores de Israel e também da Ucrânia estão votando em massa e repetidamente nos artistas que representam esses países.
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