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Crédito, Arquivo pessoal/@psychottieuniverse e @reneejwong
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published 18 agosto 2026
- Tempo de leitura: 10 min
Renee Wong e April Lee se conhecem desde os 12 anos. Em 2026, ano em que ambas completam 29, elas comemoram dois anos de casadas: dividem casa, conta bancária e planos de futuro. Só não dividem a cama— nem se enxergam como um casal romântico.
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A história das duas ilustra um tipo de união ainda pouco estudado pela psicologia: a parceria platônica de vida.
"Por que a gente está reservando esse lugar tão precioso— de parceira de vida, de casamento, de cônjuge— para um parceiro romântico que nem apareceu ainda? Se essa pessoa aparecer, ótimo, a gente vai poder curtir todo mundo junto. Mas por que guardar esse lugar para alguém que ainda nem está aqui, quando a pessoa que já se dedica a mim está bem na minha frente?", diz Renee, 29 anos, sobre sua esposa, April, em entrevista à BBC News Brasil.
Elas são casadas no papel e planejam ter filhos, mas não formam um casal no sentido usual da palavra: não há entre elas, nem nunca houve, atração romântica ou sexual. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
Elas se descrevem como almas gêmeas— e ocupam, uma na vida da outra, um lugar que nenhum amor romântico poderia ocupar.
Uma amizade de 16 anos convertida, de propósito, em compromisso para a vida inteira.

Crédito, Arquivo pessoal
'Se é ela que eu quero ao meu lado na hora de morrer...'
Quando Renee e April se conheceram numa escola em Singapura, a conexão foi instantânea. Passavam todo o tempo juntas— depois da aula, iam para a casa uma da outra; aos sábados, tinham aula de reforço juntas; aos domingos, igreja.
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As famílias também se aproximaram. Passavam o Natal e o Ano Novo Lunar juntas e compartilhavam as datas comemorativas. Com o tempo, tornaram-se uma espécie de família estendida uma da outra.
E, como tantas amizades de adolescência, a delas atravessou os anos mesmo quando a vida as separou geograficamente: Renee foi para Los Angeles cursar a faculdade, April ficou em Singapura. Cada uma seguiu o próprio caminho, em continentes diferentes, sem nunca imaginar que aquela amizade pudesse ir além do que era. Leia também: Investigação revela: 150+ lucraram com segredos das Forças Armadas dos EUA
Fizeram, enfim, tudo o que melhores amigas fazem— até a pandemia.
Separadas por fusos horários quando a covid fechou as fronteiras, as duas passaram a conversar durante até 12 horas por dia. Foi nesse período de distância forçada que algo ficou impossível de ignorar.
Para Renee, o que veio à tona foi a dimensão daquela amizade. "Ficou muito claro para mim que ela era a pessoa que eu mais amava neste mundo. Não de um jeito romântico— mas, se alguma coisa acontecesse comigo, era ela que eu ia querer do meu lado", conta.

Crédito, Arquivo pessoal
Renee tinha acabado de se formar quando a pandemia chegou— um momento, diz ela, perfeito para "dar uma pausa" em tudo. Conforme conversavam, sentia que ia se tornando a pessoa que queria ser.

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