Glória Menezes: relembre papéis marcantes da 'primeira-dama' que comoveu
Ler matéria →Medicamentos para perder peso podem ser considerados doping no esporte?- Author, Melissa Hogenboom- Role, BBC Future- Published- Tempo de leitura: 10 min " O único adversário que não consegui vencer foi o peso", declarou Serena Williams ao podcast de Oprah Winfrey, no ano passado.
"Eu me exercitava literalmente oito horas por dia na academia e nunca conseguia perder um quilo. Na verdade, minha sensação é que posso até ter ganhado peso. "
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Durante a entrevista, Williams contou que começou a tomar um medicamento GLP-1, por ter enfrentado dificuldades para perder peso após o nascimento do seu filho. Em entrevista à revista Vogue, ela declarou que a substância em questão era tirzepatida, vendida com os nomes comerciais Zepbound e Mounjaro. Williams é embaixadora remunerada da empresa Ro, que administra as medicações.
Seu marido, Alexis Ohanian, é investidor da companhia. Esta é uma das diversas medicações disponíveis no mercado para suprimir o apetite, o que pode levar à perda de peso. As substâncias funcionam imitando o hormônio intestinal GLP-1 e, no caso da tirzepatida, também o GIP, dois hormônios que nos fazem nos sentir satisfeitos.
Nos esportes, há muito tempo, qualquer substância que traga vantagens para os atletas é fortemente criticada pelos adversários, espectadores e agências antidoping. Por isso, ao retornar ao tênis profissional, a decisão de Williams de tomar uma medicação GLP-1 para perda de peso gerou questionamentos. Afinal, estas medicações podem melhorar o desempenho esportivo ou são uma forma legítima de fazer um atleta perder peso e melhorar sua saúde? Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump
Elas devem ou não ser consideradas doping? O que é considerado doping? Para ser classificada como doping no esporte, uma substância precisa atender a critérios específicos, explica David Cowan, especialista mundial em detecção de drogas e antidoping do King's College de Londres.
Especificamente, elas precisam ter o potencial de melhorar o desempenho, arriscar a saúde do atleta ou violar o "espírito do esporte". Atualmente, as medicações para perda de peso não são proibidas no esporte profissional. Mas Cowan afirma que as agências antidoping estão muito atentas a estas substâncias.
Os GLP-1s permanecem na lista de monitoramento da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). " O Programa de Monitoramento inclui substâncias que não estão na lista de proibições, mas que a Wada deseja acompanhar para detectar possíveis padrões de abuso no esporte", declarou um porta-voz da entidade à BBC.
Com isso em mente, a Wada atualmente não considera as medicações para perda de peso como "desleais", nem promotoras do desempenho, segundo Cowan. Um motivo para a incerteza é que as drogas GLP-1 não foram estudadas em atletas de elite, explica o cardiologista Massimo Mapelli, fisiologista do exercício do Centro Cardiológico Monzino, em Milão, na Itália. "
Tudo está evoluindo rapidamente e o que consideramos normal até agora está mudando", ressalta ele. À medida que se desenvolvem as pesquisas, os cientistas e as organizações esportivas analisarão como as medicações para perda de peso podem afetar os atletas. Uma das formas mais diretas poderá ocorrer nos esportes em que há categorias de peso restritas. Mais de mundo
No pugilismo e na luta livre, por exemplo, os atletas concorrem em categorias de peso e devem respeitar os limites exigidos para competir. Nestes esportes, as medicações para perda de peso poderão ser consideradas doping, segundo Mapelli. " Você essencialmente está tomando uma medicação que pode fornecer uma vantagem", explica ele.
Por motivos similares, é proibido o uso de diuréticos, que fazem com que o corpo produza mais urina e, por isso, reduzem o peso dos atletas. O motivo é que eles também podem ser utilizados "para excretar substâncias proibidas tomadas anteriormente", explica a Wada. Benefícios além da perda de peso
Os cientistas vêm percebendo cada vez mais que essas substâncias trazem outros efeitos para o corpo além da perda de peso. Descobriu-se que os medicamentos GLP-1 reduzem as inflamações, melhoram a saúde metabólica e reduzem o risco de ataques cardíacos e AVCs. A perda de peso representa apenas um terço da redução dos riscos cardiovasculares, segundo um estudo recente publicado na revista Lancet. Leia também: Investigação revela: 150+ lucraram com segredos das Forças Armadas dos EUA
Em outras palavras, essas medicações podem melhorar a saúde cardíaca dos pacientes, independentemente da perda de peso. Mas os cientistas ainda não sabem o porquê. O endocrinologista Daniel Drucker, da Universidade de Toronto, no Canadá, participou de pesquisas pioneiras para o desenvolvimento das medicações GLP-1.
Ele afirma que o fato de que a substância traz outros benefícios além da perda de peso é um ponto importante a ser considerado. Williams, por exemplo, falou publicamente, como embaixadora da Ro, sobre os benefícios à saúde que ela vivenciou. Ela afirmou que seu risco cardiovascular foi reduzido em 19%, suas juntas melhoraram e também o seu colesterol.
" Posso fazer movimentos que, muito sinceramente, nunca havia conseguido fazer antes", contou ela. É possível que estes efeitos possam influenciar o desempenho de Williams, segundo Drucker.
" Eu não descartaria a possibilidade de que os GLP-1, de alguma forma, sejam responsáveis indiretos por tornar o ambiente metabólico mais eficiente para o exercício", explica ele. Drucker também atua como consultor de diversas empresas fabricantes desses medicamentos.
Os GLP-1, por exemplo, melhoram o fluxo sanguíneo para os músculos e protegem a saúde dos órgãos. Estes benefícios talvez se devam à redução das inflamações. Mas o próprio exercício "apresenta desempenho melhor que a substância" para reduzir inflamações, segundo a professora de fisiologia do exercício Abbie Smith-Ryan, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos.
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