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Ebola ganha destaque após novo desdobramento em ebola: especialistas avaliam o

Ebola: especialistas avaliam o risco real da doença chegar ao Brasil Brasil registrou dois casos suspeitos que já foram descartados, mas quais as chances de a doença

Ebola ganha destaque após novo desdobramento em ebola: especialistas avaliam o

Ebola: especialistas avaliam o risco real da doença chegar ao Brasil Brasil registrou dois casos suspeitos que já foram descartados, mas quais as chances de a doença realmente aparecer? O Brasil registrou, neste fim de semana, os primeiros quadros suspeitos de ebola no país em 2026. As notificações envolveram dois pacientes – um em São Paulo e um no Rio de Janeiro -, mas os quadros acabaram descartados após investigação laboratorial.

Segundo as autoridades de saúde, os dois receberam diagnóstico para outras infecções. Os suspeitos são estrangeiros que passaram recentemente pela República Democrática do Congo e por Uganda, países africanos que enfrentam um surto da doença. Em São Paulo, o paciente testou positivo para meningite.

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Já no Rio, o viajante foi diagnosticado com malária. A possibilidade de infecções simultâneas com ebola também foi descartada. Segundo especialistas, os casos precisaram ser investigados porque os pacientes apresentavam critérios que levantavam suspeita para ebola, como sintomas compatíveis com a doença e histórico recente de viagem a regiões afetadas pelo surto.

“Se fossem confirmados, os pacientes deveriam ficar isolados dentro do hospital até não transmitirem mais a doença. Também, as pessoas com as quais eles tiveram contato deveriam ser rastreadas e isoladas”, explica Álvaro Costa, infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC/FMUSP). Apesar das suspeitas sempre acionarem investigações rígidas, infectologistas consideram que a chance de que quadros da doença ocorram no Brasil, especialmente com um alto volume de casos, é baixa.

Qual o risco real de o ebola chegar ao Brasil? Segundo Costa, é possível que algum indivíduo adoecido desembarque no país em algum momento, mas a probabilidade é baixa. “É uma chance muito pequena”, considera Álvaro. Leia também: Grávidas com mais de 50 anos podem ter parto normal?

E alguns fatores contribuem para isso, segundo o infectologista: Primeiro, os surtos estão ocorrendo em áreas da RDC e Uganda consideradas remotas, isto é, entre comunidades de difícil acesso e pouca circulação de pessoas. Isso reduz as chances de contato entre sujeitos infectados e indivíduos que possam circular entre diferentes países ou continentes, espalhando a doença.

Segundo, usualmente, as pessoas que têm ebola evoluem rapidamente para um quadro muito grave, especialmente em localidades com pouco acesso à assistência em saúde. “A letalidade está relacionada não só à gravidade do vírus, mas também a qualidade da assistência de saúde nos locais onde estão acontecendo surtos”, diz Costa. Doenças mais letais tendem a se espalhar menos porque rapidamente reduzem a capacidade do paciente de viajar e ampliam as chances de diagnóstico antes que ele transmita a infecção a muitas pessoas.

“É pouco provável que alguém saia das áreas de surto e, realmente, entre em outros países. As pessoas acabam evoluindo para um desfecho grave ali e, dificilmente, vão pegar um avião e ir para outros locais”, explica o infectologista. Portanto, é considerado baixo o risco de uma grande disseminação internacional além da região da África Central, onde hoje estão concentrados os casos, ou mesmo de uma pandemia, destaca Gerson Salvador, infectologista do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP).

No caso do Brasil, especificamente, ainda há outros fatores que reduzem as chances do vírus chegar. “Não há rota comercial direta da região onde está ocorrendo a crise sanitária para o nosso país”, lembra o médico. Por isso, os especialistas cravam que um surto no Brasil, com muitos casos ou mesmo transmissão de brasileiro para brasileiro, é considerado altamente improvável.

Ainda assim, ela não é nula. Por isso, cuidados, como a testagem de pessoas suspeitas, são tão importantes. “É uma possibilidade remota, mas qualquer país tem que estar preparado para, dentro de uma emergência de interesse internacional – como foi decretado para o ebola –, ter condições de fazer rastreio, isolamento e testagem de suspeitos, bem como ter um programa para caso o número de infecções aumente”, conclui Álvaro. Mais de saude

A espécie atual aumenta a preocupação? O surto em andamento na RDC e em Uganda está relacionado a uma espécie do vírus ebola chamada Bundibugyo. Identificado pela primeira vez em Uganda em 2007, o vírus possui uma letalidade mais baixa do que as cepas que causaram surtos anteriores, como o Zaire ebolavirus.

“O vírus da espécie Zaire mata cerca de 70% das pessoas infectadas, enquanto a letalidade da Bundibugyo varia entre 30% e 50%, o que continua sendo um índice bastante alto”, diz Salvador. Apesar da letalidade mais baixa, os dados apontam que a transmissibilidade entre as duas espécies é semelhante.

Assim, a grande diferença é que o vírus Bundibugyo, mais raro, não conta com vacina nem tratamento eficaz. “ As vacinas que apresentam alta eficácia contra a espécie Zaire e os tratamentos que funcionam de forma moderada contra essa espécie simplesmente não funcionam contra a Bundibugyo”, explica o infectologista. Leia também: O fim do PMMA: CFM proíbe uso entre médicos e mira banimento do produto no

Segundo os especialistas, esse é o principal desafio enfrentado atualmente. “ Embora o problema esteja concentrado na África Central, ele exige controlar uma doença para a qual ainda não há vacina aprovada nem tratamento eficaz disponível”, avalia Salvador.

Transmissão e sintomas Diferentemente de patógenos como o coronavírus ou influenza, responsável pela gripe, o vírus ebola não é transmitido pelo ar. A infecção ocorre por contato direto com o sangue ou outros fluidos corporais e secreções como, por exemplo, fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen de pessoas infectadas.

Além disso, a transmissão só ocorre após o aparecimento dos sintomas. Ou seja, até que possa começar a transmitir o vírus, uma pessoa já saberá que está doente, o que aumenta os cuidados para não espalha-la aos demais. Essas são características que também diminuem o seu potencial de espalhamento.

“Por isso, a probabilidade de a doença chegar ao território nacional é pequena, embora não seja zero”, destaca Gerson. Segundo o Ministério da Saúde, na África, os surtos provavelmente originam-se quando pessoas têm contato ou manuseiam a carne crua de chimpanzés, gorilas infectados, morcegos, macacos, antílopes florestais e porcos-espinhos encontrados doentes ou mortos ou na floresta. Depois que uma pessoa entra em contato com um animal que tem ebola, ela pode espalhar o vírus na sua comunidade, transmitindo-o para outras pessoas.

Uma vez transmitida, a doença é caracterizada por febre alta e hemorragias em várias partes do corpo, além de causar: - Febre; - Cefaleia; - Fraqueza; - Diarreia; - Vômitos; - Erupção cutânea (petéquias) ou manchas de sangue sob a pele

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