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Quem era Angelita Gama, médica referência no tratamento do câncer de reto, que

Quem era Angelita Gama, médica referência no tratamento do câncer de reto, que morreu aos 92 anos Pesquisadora era uma das cientistas mais influentes do mundo em sua

Quem era Angelita Gama, médica referência no tratamento do câncer de reto, que

Quem era Angelita Gama, médica referência no tratamento do câncer de reto, que morreu aos 92 anos Pesquisadora era uma das cientistas mais influentes do mundo em sua área e ajudou a desenvolver estratégia que reduziu cirurgias invasivas desnecessárias A morte da pesquisadora, professora e cirurgiã Angelita Habr-Gama, aos 92 anos, no último sábado (30), foi acompanhada de mensagens de pesar de diferentes entidades médicas de dentro e fora do Brasil.

Uma das cientistas mais influentes do mundo nas áreas da cirurgia oncológica e da coloproctologia, Angelita foi pioneira em diferentes abordagens que ajudaram a mudar as diretrizes de tratamento em torno do câncer de reto. Ela ajudou a desenvolver e consagrar a abordagem “watch and wait” (W&W, ou “observar e esperar“), buscando reduzir o número de cirurgias invasivas para combater o tumor. Mesmo com a idade já avançada, seguiu ativa até o final da vida, inclusive após sobreviver a uma longa internação de quase dois meses em função da covid-19, em 2020.

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Graças a suas contribuições para a medicina, Angelita Gama também era reconhecida entre os 2% de cientistas mais influentes do mundo, em ranking anual elaborado pela Universidade Stanford e a Elsevier, empresa responsável por alguns dos principais periódicos acadêmicos da área da saúde. Conheça mais sobre a trajetória e o legado da médica. Trajetória de Angelita Habr-Gama Filha de imigrantes libaneses, Angelita Habr-Gama nasceu em 1933, na Ilha de Marajó, no Pará, mas ainda criança se mudou com a família para São Paulo. Leia também: Reposição hormonal na menopausa pode potencializar efeito emagrecedor do

Na capital paulista, ingressou na Faculdade de Medicina da USP em 1952 e, uma vez formada, seria pioneira ao ocupar um cargo de professora titular de uma especialidade cirúrgica na instituição, postos que historicamente eram dominados por homens. Nas décadas seguintes, Angelita seguiu se consolidando como um dos principais nomes de sua área no país e no mundo, publicando mais de 200 artigos científicos e recebendo dezenas de prêmios. Fora do Brasil, tornou-se membro honorário da American Surgical Association, a principal sociedade de cirurgiões dos Estados Unidos.

Trabalhou também na reprodução do conhecimento, estruturando cursos e instituições que ajudaram a formar outros médicos especializados no tema e a difundir trabalhos da área, como o Instituto Angelita e Joaquim Gama de Coloproctologia e Cirurgia Digestiva e a Associação Brasileira de Prevenção do Câncer de Intestino (Abrapreci). Ao longo da carreira, ela também esteve envolvida em momentos históricos do país, chegando a integrar a equipe médica que acompanhou o presidente Tancredo Neves nos meses finais da internação do mandatário, em 1985. Método “watch & wait”

Um dos legados mais significativos de Angelita Habr-Gama veio já no século 21, com o desenvolvimento da estratégia watch & wait para um manejo do câncer de reto que não considerasse apenas a doença em si, mas a qualidade de vida do paciente. Como o nome sugere, o objetivo dessa abordagem é realizar uma observação individualizada e aguardar a resposta aos tratamentos não-cirúrgicos. A ideia é reduzir o tumor quando possível e minimizar a necessidade de operações que podem afetar drasticamente a qualidade de vida do paciente, como uma colostomia definitiva. Mais de saude

Proposto originalmente em 2009, o W&W foi recebido com grande resistência por especialistas ao redor do mundo, que apontavam os riscos de adiar a operação em pacientes oncológicos. No entanto, evidências acumuladas nos anos seguintes ajudaram a consolidar a estratégia proposta por Angelita Gama, que passou inclusive a integrar diretrizes globais sobre o manejo desse tipo de câncer. Em entrevista à Revista Pesquisa da Fapesp, em 2020, pouco após sua recuperação da longa internação por coronavírus, a cirurgiã falou mais sobre o método:

“Tive a ideia de começar esse protocolo de tratamento, chamado de Watch and Wait, no qual não operamos de imediato. Após o tratamento neoadjuvante, se o paciente tiver uma resposta clínica completa, ou seja, se o tumor desaparecer, observamos e acompanhamos o paciente, principalmente no primeiro ano pós-tratamento. A cada dois meses são realizados exames porque o tumor pode voltar. Leia também: “Falaram que eu era um monstro”: o impacto da dermatite atópica e a nova era

A ocorrência de recidiva é de cerca de 20% e, quando ocorre, a cirurgia é indicada. Esse protocolo tem sido gradativamente mais aceito. No começo, foi muito combatido.

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