Reposição hormonal na menopausa pode potencializar efeito emagrecedor do Mounjaro É o que indica um novo estudo que acompanhou 120 mulheres após a menopausa; entenda as implicações Ondas de calor, insônia, ressecamento vaginal, alterações de humor… E ganho de peso.
Com a queda dos hormônios femininos na menopausa, existem repercussões até na balança. Não só: as mulheres perdem massa magra e tendem a acumular gordura na barriga. Para mitigar esse pacote de situações incômodas e os riscos ao organismo, sobretudo ao coração, os médicos podem lançar mão da reposição hormonal.
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Não é uma panaceia geral, inclusive porque é contraindicada a mulheres com histórico de câncer de mama, trombose e AVC. Mas, naquelas em que há indicação, os benefícios são evidentes e o uso é seguro, segundo os estudos. Nesse contexto, já que o peso também pode mudar com o climatério, o que será que acontece quando a tirzepatida, caneta emagrecedora de aplicação semanal comercializada no Brasil como Mounjaro, se junta à terapia hormonal?
Foi o que investigaram cientistas da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, ao analisar dados de 120 mulheres na pós-menopausa e acima do peso numa faixa entre 50 e 60 anos. Todas elas usaram por pelo menos um ano a tirzepatida, só que 40 utilizavam também os hormônios, enquanto 80 não foram submetidas a esse tratamento. O estudo, publicado em um dos periódicos do grupo The Lancet, revelou que as pacientes que só aplicaram o Mounjaro perderam, em média, 14% do peso corporal.
Já aquelas que combinaram o medicamento à terapia hormonal perderam 19% do peso, uma diferença significativa. Os achados na teoria e na prática “ Esse trabalho levanta a hipótese de que a reposição hormonal pode incrementar a resposta a remédios da classe dos análogos de GLP-1, como a tirzepatida”, comenta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da USP de Ribeirão Preto. Mais de saude
Na análise, ambos os grupos obtiveram benefícios em termos de controle do colesterol e da glicemia, indicando maior proteção cardiovascular. Por se tratar de uma pesquisa observacional, que avaliou os resultados em retrospectiva, não é possível concluir que foi a reposição hormonal que turbinou a perda de peso. Novos ensaios controlados terão de responder a essa questão. Leia também: Fé e Ciência ganha destaque após novo desdobramento em um conjunto de práticas
“Por ora, a terapia hormonal não deve ser prescrita com a finalidade isolada de emagrecer”, reforça Couri. O que está na prescrição de todas as mulheres nessa fase é atividade física, reeducação alimentar e, se for o caso, uso de medicamentos que auxiliarão a combater os sintomas da menopausa e o ganho de peso.
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