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Como a expectativa de petróleo na Foz do Amazonas já está mudando o Oiapoque

Crédito, Uesclei Costa Legenda da foto, Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque, com moradores que chegam na esperança dos recursos do petróleo Article

Como a expectativa de petróleo na Foz do Amazonas já está mudando o Oiapoque
Vista aérea de uma área de ocupação, com centenas de casas espalhadas por ruas de terra e terrenos desmatados, cercada por extensas áreas de floresta.

Crédito, Uesclei Costa

Legenda da foto, Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque, com moradores que chegam na esperança dos recursos do petróleo
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    • Author, Vitor Tavares
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published 18 agosto 2026
  • Tempo de leitura: 10 min

Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o Amapá.

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Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil— mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP).

"Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", diz Sheila, já em sua nova casa, em Oiapoque.

Ela se refere ao boom econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos, uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 quilômetros de estrada, 100 deles sem asfalto. Leia também: Quem é Natalie Harp, assessora que se tornou presença constante ao lado de Trump

Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras acaba de encontrar petróleo em águas profundas, segundo anúncio feito na segunda-feira (17/08).

Autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras segue com pesquisas para saber se a exploração de petróleo ali, a 175 quilômetros da costa, é economicamente viável.

Após ter encontrado o petróleo, a estatal prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes.

Em 6 de janeiro, a Petrobras havia interrompido a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração.

Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, em um fluxo de dinheiro inédito ali. Mais de mundo

Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos.

O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima. Leia também: Por que existe o Dia Mundial do Mosquito — e o que isso tem a ver com o Nobel

Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem, e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros Estados e até outros países, como a própria Sheila.

"Eu vim também pela melhoria que eu tenho certeza que o petróleo vai trazer para o município. É a expectativa de todos os moradores", diz a moradora do Belo Monte, bairro que está na zona de expansão da cidade movida pelos migrantes.

Essa região, nos arredores do aeródromo de Oiapoque, sofreu uma transformação drástica nos últimos anos, com desmatamento e construção de centenas de casas em ocupações sem nenhuma estrutura.

Uma mulher está em frente a uma casa simples de madeira, com roupas penduradas em um varal. Ao fundo, há uma área de vegetação e cultivo, com morros cobertos por floresta.
Legenda da foto, Sheila Cals voltou da Guiana Francesa para morar em nova ocupação no Oiapoque
Uma obra em andamento ocupa a frente de um imóvel, com uma estrutura de concreto e madeira sendo construída. Ao lado, há uma casa já pronta, um carro estacionado e materiais de construção espalhados pela calçada, em uma rua de área urbana.
Legenda da foto, Novas construções se espalham também na área central da cidade

Novos bairros

Imagem aérea dividida em dois momentos mostra a expansão de uma ocupação: à esquerda, uma área com casas e ruas de terra recém-aberta em meio à floresta; à direita, o mesmo local já mais ocupado, com maior número de construções e áreas desmatadas.
Legenda da foto, Mesma região registrada em 2021 e em setembro de 2025, em fotografias que mostram o avanço de desmatamento e aumento da ocupação
Área de ocupação rural na Amazônia, com casas simples de madeira espalhadas entre terrenos cultivados e cercas. Ao fundo, a vegetação foi amplamente desmatada, com árvores queimadas ou sem folhas e uma camada de fumaça sobre a paisagem.
Legenda da foto, Ocupação Independência foi uma das últimas a surgir
Estrada de terra em uma área de ocupação rural, cercada por casas simples de madeira e terrenos cultivados. Ao fundo, a floresta aparece parcialmente desmatada, com árvores derrubadas e vegetação espalhada pelo terreno.
Legenda da foto, Novos bairros de Oiapoque não contam com nenhuma infraestrutura urbana
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