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- Author, Lyse Doucet
- Role, Correspondente internacional chefe da BBC, de Teerã
- Há 3 horas
- Tempo de leitura: 8 min
Em um dia ensolarado de primavera em Teerã, a rua Sanaei Ghaznavi, com sua mistura de lojas que vendem mantimentos e artigos para o lar, além de fast-food e flores, parece um lugar comum.
Em um país onde as vidas são há muito tempo afetadas por crises, é um retrato de um povo que apenas tenta sobreviver ao dia a dia enquanto seu futuro depende de forças além de seu controle.
Para Mohammad, que veste camiseta e jeans, até mesmo abrir a marquise listrada da sapataria de sua família é um ato de esperança.
"Fico feliz em estar aqui", ele nos diz quando entramos em sua pequena loja, repleta de prateleiras cheias de tênis. "Tantas pessoas perderam seus empregos e estão desempregadas."
Na loja, há poucos clientes. Leia também: Trump à BBC: Irã 'está louco para fazer um acordo'
"Tínhamos tantos antes", lamenta de forma melancólica o pai de Mohammad, Mustafa, enquanto explica com orgulho que o negócio de sapatos está em sua família há 40 anos.
Segundo o site iraniano Asr-e Iran, uma estimativa não oficial indica que até 4 milhões de empregos podem ter sido perdidos ou afetados pelo efeito combinado da guerra com os Estados Unidos e Israel e do bloqueio quase total da internet imposto pelo governo no Irã.

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Caixas com logotipos ocidentais como New Balance e Clarks, se destacam nas prateleiras abarrotadas da loja. "Fabricado na China", observam pai e filho, com naturalidade. "Até as falsificações são caras no Irã", acrescenta Mohammad.
Em um primeiro momento, esperava que eles expressassem apoio ao frágil cessar-fogo ou dissessem que gostariam de ver as negociações com os Estados Unidos se tornarem bem-sucedidas, para que pudessem importar os produtos autênticos e as últimas tendências em calçados. Mais de mundo
"Esperamos que a guerra recomece", declara Mohammad ao invés disso, abrindo um sorriso irônico. O pai olha para o filho de 27 anos com um olhar compreensivo. "Olha meus cabelos grisalhos, eu entendo mais do que ele."
"Estamos cansados de viver com uma economia que só piora", diz Mustafa. "Algumas pessoas acreditam que, se a guerra voltar, as coisas acabarão melhorando drasticamente." Leia também: Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadas
Do lado de fora da mercearia da esquina, Shahla, uma senhora idosa usando um lenço claro na cabeça, equilibra um pão em uma prancheta, onde também guarda sua lista de compras e um maço de notas.
Ela para abruptamente ao nos ver passar e compartilha seus pensamentos.
"As pessoas estão pagando três vezes mais por um pão agora", lamenta ela, com os dedos repousando sobre as fatias brancas e macias dentro da embalagem plástica. "As pessoas estão passando por um inferno só para comprar pão."

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Ela olha para a rua arborizada no centro de Teerã, que fica a meio caminho entre o norte abastado, com suas lojas reluzentes e cafés elegantes, e o sul mais pobre e conservador.




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