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'Vou ter quantos bebês meu corpo aguentar': como a guerra leva mulheres a se

Legenda da foto, Karina Tarasenko afirma que nunca teria recorrido à barriga de aluguel se não fosse a guerra, mas agora pretende continuar para economizar dinheiro e

'Vou ter quantos bebês meu corpo aguentar': como a guerra leva mulheres a se
Uma mulher grávida está em pé em um jardim com a mão sobre a barriga. Ela tem cabelo longo, liso e escuro e veste um conjunto de blusa e calça brancas com manchas pretas. Também usa um moletom marrom-claro
Legenda da foto, Karina Tarasenko afirma que nunca teria recorrido à barriga de aluguel se não fosse a guerra, mas agora pretende continuar para economizar dinheiro e comprar uma casa
Article Information
    • Author, Sofia Bettiza
    • Role, Repórter global de saúde do Serviço Mundial da BBC e da BBC News Ucrânia
    • Reporting from, Kiev
  • Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 10 min

Karina Tarasenko está grávida de seis meses, mas o bebê em seu útero não é dela.

A jovem de 22 anos, do leste da Ucrânia, é uma barriga de aluguel e está grávida de um embrião formado com óvulo e esperma de um casal chinês.

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Aos 17 anos, Tarasenko viu sua casa ser destruída quando sua cidade, Bakhmut, virou um dos principais campos de batalha desde o início da ofensiva russa em grande escala contra a Ucrânia.

Com boa parte da cidade destruída, ela e o parceiro se mudaram para Kiev, capital do país, mas tiveram dificuldade para encontrar um trabalho estável.

Foi quando, um dia, Tarasenko estava em uma loja, com dinheiro que mal dava para comprar pão e fraldas para a filha de um ano e meio, que decidiu recorrer à prática de barriga de aluguel remunerada. Leia também: 'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro

Ela afirma que nunca teria se tornado barriga de aluguel se não fosse a guerra, que levou milhões de pessoas a perder empregos ou suas próprias empresas, provocou alta da inflação e uma queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos pelo país) da Ucrânia.

"No começo, a ideia de ser barriga de aluguel me revoltou e decepcionou, mas agora simplesmente aceitei", diz Tarasenko, que hoje vive nos arredores de Kiev em um apartamento fornecido pela clínica de barriga de aluguel. Ela está grávida de uma menina.

Tarasenko receberá 12,5 mil libras (cerca de R$ 95 mil), aproximadamente o dobro do salário anual médio na Ucrânia, embora a maior parte do pagamento só seja feita após o parto.

Ela deveria receber 15,5 mil libras (cerca de R$ 118 mil), mas, quando um dos gêmeos de sua gravidez morreu, seu pagamento foi reduzido, conforme estipulado em contrato.

Apesar das dúvidas iniciais, Tarasenko pretende continuar trabalhando como barriga de aluguel para economizar dinheiro e comprar uma casa. Mais de mundo

Mas isso pode mudar em breve.

Um anúncio em rede social traz as palavras “PROMOÇÃO BLACK FRIDAY”. Há cinco bebês de fralda e, atrás deles, uma mulher sorrindo. Ela tem cabelo castanho claro comprido e veste uma camisa branca com listras azuis

Crédito, BioTexCom

Legenda da foto, Ativistas criticam campanhas publicitárias e acusam clínicas de transformar reprodução em mercadoria

Antes da guerra, a Ucrânia era conhecida como o segundo maior polo mundial de barriga de aluguel comercial, atrás apenas dos Estados Unidos.

Embora a guerra contra a Rússia tenha afetado fortemente o setor, especialistas disseram ao BBC World Service que o número de gestações por barriga de aluguel quase voltou aos níveis anteriores à guerra.

Mas o Parlamento ucraniano analisa agora um projeto de lei que prevê fiscalização mais rígida sobre a indústria de barriga de aluguel. Na prática, seria proibida a participação de estrangeiros, que representam hoje 95% dos futuros pais. As propostas têm amplo apoio no Parlamento da Ucrânia.

O projeto busca regulamentar de forma mais rigorosa um setor acusado de transformar a reprodução em mercadoria e explorar mulheres pobres e vulneráveis. Defensores da proposta também argumentam que mulheres ucranianas não deveriam ter filhos para estrangeiros por meio de barriga de aluguel em um momento em que a taxa de natalidade despencou devido à guerra, embora o número de bebês nascidos por barriga de aluguel represente uma pequena parcela dos nascimentos.

Crianças abandonadas

Uma mulher segura uma criança pequena nos braços. O menino está de costas para a câmera, e seu rosto não pode ser visto. Ele tem cabelo escuro e veste uma jaqueta azul e calças vermelhas. A mulher olha para a câmera; ela tem cabelo loiro curto e liso e usa uma blusa preta. Eles estão ao ar livre, e é possível ver grama alta e algumas casas ao fundo
Legenda da foto, Wei vive em uma instituição estatal na Ucrânia depois que os futuros pais decidiram não buscá-lo

'Eles nos transformaram em uma família'

Um homem e uma mulher seguram uma criança pequena. O homem tem cabelo curto e escuro, barba e veste uma jaqueta acolchoada em tom verde-acinzentado. A mulher tem cabelo longo, escuro e ondulado, e usa um cachecol com estampa de oncinha. A criança tem cabelo escuro e veste um macacão acolchoado cinza-escuro com zíper
Legenda da foto, Himatraj e Rajvir Bajwa afirmaram que a barriga de aluguel 'nos deu algo que nunca pensamos ser possível, nos transformou em uma família'
Uma mulher grávida está deitada em uma cama de clínica fazendo um exame. Outra mulher, de jaleco branco e cabelos longos escuros presos, realiza o procedimento. As duas olham para a tela, onde é possível ver um feto
Legenda da foto, Karina rejeita a ideia de que a barriga de aluguel comercial seja exploratória: 'O corpo é meu, a decisão, também'

'Ninguém está nos forçando'

Arte gráfica com “Global Women” (Mulheres Globais, em tradução livre) escrito em branco sobre fundo roxo, com arcos em tons de azul e roxo à direita, formados por círculos
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