
Crédito, Reuters
- Author, Nadine Yousif
- Role, Repórter sênior do Canadá
- Há 18 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Durante décadas, o Canadá foi visto como um país atrasado em termos de recursos disponibilizados para a defesa. Há apenas dois anos, o recrutamento militar estava em níveis tão baixos que um ex-ministro da Defesa alertou que as forças armadas estavam entrando em uma "espiral da morte".
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Agora, o Exército canadense está crescendo em um ritmo não visto em décadas, atingindo seu maior número de recrutas em 30 anos e potencialmente revertendo a escassez crônica de pessoal que assola as forças armadas do país.
O aumento nos últimos dois anos ocorre em um momento em que o mundo enfrenta grandes conflitos armados e incertezas geopolíticas, e enquanto o Canadá compromete bilhões em novos fundos militares após anos de descumprimento de suas obrigações com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental.
Essa mudança também coincide com um aumento incomum do nacionalismo no país. O sentimento é impulsionado pelas falas do presidente dos EUA, Donald Trump, que se referiu ao Canadá como o "51º estado" americano — comentários que muitos viram como uma ameaça à soberania do país por parte de seu vizinho mais próximo. Leia também: A mãe que refez a vida após ser abandonada com filha com zika: 'Cada dia é uma
Charlotte Duval-Lantoine, pesquisadora do Instituto Canadense de Assuntos Globais, que estuda a cultura militar do Canadá, afirmou que, embora possa haver um "efeito Trump" por trás do recente aumento no alistamento, as inscrições militares já haviam começado a aumentar em 2022, por volta da época da invasão da Ucrânia pela Rússia.
"Quando as pessoas percebem que o mundo não é tão seguro, que seu país pode estar em risco... tendemos a ver pessoas se alistando nas forças armadas", disse ela.
Os conflitos globais não são o único fator que impulsiona o aumento. A alta taxa de desemprego entre os jovens canadenses — que girava em torno de 14% em março — bem como a promessa de segurança no emprego e salários mais altos após o primeiro-ministro Mark Carney anunciar o maior aumento salarial para militares em uma geração, também são um fator de atração, acrescenta Duval-Lantoine.
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Desde que assumiu o cargo no ano passado, Carney fez das forças armadas um foco de seu governo, com um plano que ele próprio descreveu como "ambicioso" para modernizar e expandir rapidamente as Forças Armadas Canadenses. Mais de mundo
Em março, ele anunciou que o Canadá havia oficialmente atingido a meta da Otan de gastar 2% do seu PIB em defesa pela primeira vez desde o final da década de 1980, totalizando mais de 63 bilhões de dólares canadenses (mais de R$ 226 bilhões) em um único ano. Carney também aderiu ao compromisso da Otan de gastar até 5% do PIB em defesa até 2035.
O Canadá atingiu essa meta de 2% aumentando os salários, além de se comprometer a comprar novos equipamentos, modernizar as bases existentes e construir novas infraestruturas no Ártico.

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Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Mas mesmo com os novos recrutas, analistas dizem que as forças armadas canadenses ainda estão significativamente atrás de seus aliados e alertam que pode levar algum tempo até que o financiamento se traduza em melhorias.
Richard Shimooka, pesquisador sênior do Instituto Macdonald-Laurier, um think tank de políticas públicas, disse que as Forças Armadas Canadenses atualmente têm capacidade para mobilizar apenas alguns milhares de soldados por vez, juntamente com um número limitado de caças. Em comparação, as forças armadas do Reino Unido podem mobilizar 10.000 soldados, se necessário, disse ele.
"O estado das Forças Armadas Canadenses está atualmente em um ponto muito baixo e levará de cinco a dez anos antes de começarmos a ver uma melhora real", disse Shimooka.
Menos burocracia e acolhimento de estrangeiros

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