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'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro

'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro Crédito, Getty Images Legenda da foto, Estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de

'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro
'Pense fora da caixa': como evitar que IA enferruje seu cérebro
Foto de arquivo de mãos humanas e robóticas a unir peças de puzzle para uma inovação futura

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de ferramentas como o ChatGPT podem enfrentar prejuízos em áreas como criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória
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    • Author, Thomas Germain
    • Role, BBC Future
  • Há 7 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

Anos atrás, eu passei a me obrigar a usar inteligência artificial (IA) o máximo possível. Se pretendia escrever sobre o tema, também precisava usar a tecnologia. Mas uma série de estudos publicados no último ano começaram a me preocupar: será que estou prejudicando o meu cérebro nesse processo?

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Esses estudos sugerem que pessoas que dependem excessivamente de ferramentas como o ChatGPT podem enfrentar prejuízos em áreas como criatividade, capacidade de atenção, pensamento crítico e memória.

Outros levantam a preocupação de que o uso da IA esteja reduzindo o esforço mental necessário para desenvolver pensamento crítico, e de que, como sociedade, possamos passar a produzir menos ideias originais. Ainda assim, essa linha de pesquisa é muito recente, e as respostas continuam incertas. Devemos nos preocupar?

"De modo geral, sim", afirma Adam Greene, professor de neurociência e diretor do Laboratório de Cognição Relacional da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos. Leia também: Anna Jarvis, a mulher que inventou o Dia das Mães e depois se arrependeu

Segundo Greene, o tema envolve muitas nuances, mas a IA tende a assumir tarefas que antes exigiam esforço mental. "Há muitas evidências de que, se você deixa de exercitar determinados tipos de pensamento, sua capacidade de realizar esse tipo de raciocínio tende a se deteriorar."

Mesmo para quem não procura usar ferramentas como ChatGPT ou Claude, respostas geradas por IA já aparecem no topo das buscas do Google, enquanto grandes empresas de tecnologia aceleram a integração desses sistemas nos celulares. A tecnologia está cada vez mais difícil de evitar, mas há medidas que podem reduzir os principais riscos.

Para Jared Benge, professor e neuropsicólogo clínico da Escola de Medicina Dell, da Universidade do Texas, nos EUA, a questão é mais complexa do que parece. Usar IA não significa, automaticamente, que a tecnologia fará mal. Se a IA aliviar a carga mental e permitir foco em tarefas mais importantes, por exemplo, isso pode até trazer benefícios cognitivos.

Como ocorre com qualquer tecnologia, os efeitos da IA dependem do modo como ela é usada. Ainda assim, as preocupações são sérias o suficiente para levar usuários a repensar a forma como utilizam essas ferramentas, antes que seja tarde.

Com isso em mente, conversei com alguns dos principais especialistas da área para entender como a IA pode ser usada sem prejudicar nossas capacidades mentais. Mais de mundo

Com o que estamos preocupados?

Há cerca de 20 anos, surgiu a ideia de que a dependência excessiva da tecnologia poderia provocar uma espécie de "demência digital", marcada pela deterioração da memória de curto prazo e de outros processos cognitivos. Recentemente, Benge, da Universidade do Texas, participou de uma meta-análise que analisou 57 estudos envolvendo mais de 411 mil adultos. Ao final, os pesquisadores não encontraram evidências de "demência digital". Pelo contrário: o uso de tecnologia parecia reduzir o risco de comprometimento cognitivo. Leia também: As novas pistas sobre a misteriosa energia escura no maior mapa 3D já criado do

Mas isso não significa que não exista motivo para preocupação.

As pesquisas mostram que pessoas que dependem de sistemas de navegação por satélite, como GPS, deixam de formar mapas mentais do ambiente ao redor, e sua memória espacial tende a piorar com o tempo. Algo semelhante ocorreu com os mecanismos de busca, em um fenômeno que ficou conhecido como "efeito Google". Aparentemente, temos menos tendência a memorizar informações encontradas em buscadores porque acessá-las exige pouco esforço.

Em outras palavras, o cérebro tende a perder habilidade em tarefas que delegamos a ferramentas externas. E a IA pode ser o instrumento de terceirização cognitiva mais poderoso já criado.

Jovem empresária usa assistente virtual de Inteligência Artificial (IA) para auxiliar no seu trabalho, sentada no seu escritório com a cidade iluminada ao fundo, ao entardecer

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A IA pode estar tornando as pessoas menos criativas, menos analíticas e prejudicando a memória, mas especialistas dizem que ainda é possível evitar esses efeitos

"O que a IA está fazendo é nos oferecer, pela primeira vez, uma maneira fácil de trocar o processo pelo resultado", afirma Greene, da Universidade de Georgetown. O texto pode ficar melhor escrito. A apresentação pode parecer mais sofisticada. A piada da festa de aposentadoria pode funcionar perfeitamente. Mas o esforço mental, a dificuldade, as tentativas frustradas e o momento em que algo finalmente faz sentido são justamente o que o cérebro precisa.

Não aceite a resposta da IA sem questionar

Introduza mais esforço no processo de pesquisa

Uma mão humana segura uma caneta sobre um caderno aberto com uma mão robótica ao lado apontando para o caderno
Legenda da foto, Ao recorrer à IA para buscar informações importantes, especialistas recomendam se envolver ativamente com o conteúdo. Fazer anotações, de preferência à mão, embora digitá-las também ajuda, pode contribuir para a retenção

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