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Ler matéria →Somp: o que é, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e o tratamento A antiga síndrome dos ovários policísticos mudou de nome. Entenda a alteração e como ela amplia a visão sobre diagnóstico e tratamento da condição
Cerca de 170 milhões de mulheres em todo o mundo vivem com a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (Somp), novo nome da síndrome dos ovários policísticos. A mudança de nomenclatura foi anunciada em maio de 2026, quando um consórcio internacional de médicos e cientistas publicou no renomado periódico The Lancet um artigo justificando a decisão, que foi tomada após mais de uma década de discussões no ambiente acadêmico.
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“A denominação antiga era errônea porque focava apenas nos chamados cistos, que, na verdade, são folículos com crescimento interrompido”, argumenta a endocrinologista Poli Mara Spritzer, que participou das discussões e da decisão como representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem). “ Além disso, algumas mulheres com o diagnóstico nem apresentam esse aspecto nos ovários”.
O novo nome evidencia outros sinais e condições de saúde associados à síndrome, que vão muito além da aparência dos ovários. A seguir, entenda como a Somp é diagnosticada, como se manifesta e quais são os tratamentos disponíveis hoje para ela. + Diagnóstico Leia também: Mito ou verdade ganha destaque após novo desdobramento em mito ou verdade
Para definir se uma mulher tem Somp, ela precisa apresentar ao menos dois de três dos chamados critérios de Rotterdam. São eles:- A irregularidade menstrual;- O aumento de hormônios masculinos;- A presença de “cistos” nos ovários.
Ou seja, mesmo mulheres que não tenham ovários com aspecto policístico podem ser diagnosticadas com Somp— o que explica a recente mudança de nome. Para fechar o diagnóstico, são realizados exames de imagem— como o ultrassom transvaginal ou pélvico— para a identificação dos folículos imaturos nos ovários, além de dosagem de hormônios— como o folículo-estimulante (FSH), o luteinizante (LH), a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e a testosterona. “
Quando a paciente está na adolescência, são levados em consideração para o diagnóstico apenas a presença de sintomas de hiperandrogenismo (como acne e excesso de pelos grossos) e a ausência ou irregularidade menstrual“, afirma a ginecologista Mariana Granado, do Hospital Municipal M’Boi Mirim, em São Paulo, gerido pelo Einstein Hospital Israelita. Nessa faixa etária, os exames de imagem são dispensados, porque, entre as jovens, é comum que os ovários estejam mais estimulados a produzir folículos, o que podem levar a “falsos-positivos” para condição. Sintomas e complicações
Os sinais relatados pela paciente em consultório são também um ponto importante para fechar o diagnóstico. Em geral, as mulheres com Somp podem apresentar:- Hirsutismo (crescimento de pelos grossos em regiões tipicamente masculinas, como buço, queixo, tórax e abdômen);- Ganho de peso. A Somp também está relacionada a uma série de problemas endocrinológicos e metabólicos, como:- Resistência à insulina; Mais de saude
- Diabetes tipo 2;- Obesidade;- Dislipidemia (colesterol e triglicérides altos);- Doenças cardiovasculares (hipertensão, AVC e infarto). “Isso acontece porque o desequilíbrio dos hormônios sexuais também descompensa o metabolismo de outros hormônios e enzimas do nosso corpo, elevando o risco de acúmulo de gorduras e diminuindo a resposta à insulina”, explica a endocrinologista Fabíola Satler, pesquisadora do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
+ Causas As causas exatas da síndrome são desconhecidas, mas sabe-se que a Somp pode ser influenciada por uma série de fatores genéticos, hormonais, metabólicos e ambientais. Leia também: Lauana Prado ganha destaque após novo desdobramento em lauana prado
“Alterações no eixo hipotálamo-hipófise, que coordenam a produção de hormônios pelos ovários e outras glândulas, resistência à insulina e hiperandrogenismo (excesso de produção de testosterona) são considerados os principais ‘motores’ da Somp“, lista Spritzer. Tratamento A síndrome ovariana metabólica poliendócrina não tem cura, mas há formas de controlar todas as manifestações associadas à condição.
Pílulas contraceptivas podem ser receitadas para ajudar a diminuir os níveis de hormônios masculinos e “simular” o ciclo menstrual. “ Além de evitarem gravidez entre as pacientes que não querem ter filhos, eles também ajudam a evitar o espessamento do endométrio, induzindo um sangramento regular— que não é propriamente a menstruação, pois não há ovulação com o uso desses medicamentos”, esclarece a ginecologista Mariana Granado.
O uso de metformina pode ser indicado para pacientes com Somp e resistência à insulina ou diabetes tipo 2. Para aquelas que tem problemas relacionados a fertilidade e estão tentando ter filhos, são indicados indutores de ovulação, como etrozol ou clomifeno, por exemplo. A prática de atividade física e a adoção de uma alimentação saudável também são peças-chaves para ajudar o corpo a regularizar o metabolismo e combater o excesso de peso, colesterol alto, resistência à insulina e outros problemas comumente relacionados à Somp.
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