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Sexto mais rico do Brasil e sócio da Americanas: saiba quem é Beto Sicupira

Matheus Tupina Daniele Madureira São Paulo Um dos mais ricos empresários brasileiros, Carlos Alberto Sicupira, 78, foi alvo de ação da Polícia Federal nesta quinta-feira

Sexto mais rico do Brasil e sócio da Americanas: saiba quem é Beto Sicupira
Matheus Tupina Daniele Madureira
São Paulo

Um dos mais ricos empresários brasileiros, Carlos Alberto Sicupira, 78, foi alvo de ação da Polícia Federal nesta quinta-feira (25) no âmbito da Operação Disclosure, que investiga fraudes contábeis na Lojas Americanas.

Carioca, Sicupira é um dos três acionistas de referência da varejista, junto de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Os três fundaram o grupo de investimentos 3G Capital, com alcance global e marcas como a cervejaria AB InBev e Burger King, além da Americanas.

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O empresário é o sexto mais rico do Brasil, com patrimônio líquido de R$ 39,1 bilhões, segundo a lista de bilionários brasileiros da Forbes de 2025. Formado em administração de empresas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com MBA (mestrado em administração de negócios) na Harvard Business School (EUA), é filho de uma dona de casa e de um servidor público do Banco do Brasil e do Banco Central.

Homem de cabelos grisalhos e barba curta veste suéter escuro sobre camisa listrada, posando em frente a tela digital com texto desfocado.
O empresário Carlos Alberto Sicupira em painel do evento da XP - Reprodução/XP Expert

Segundo as investigações, os alvos da operação teriam conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos. Procurado para comentar a ação da PF, Sicupira não atendeu a reportagem até a publicação deste texto.

Os acionistas de referência da varejista afirmaram terem sido surpreendidos pela operação. Leia também: Mercado imobiliário perde confiança em alívio dos juros neste ano

"As investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal ao longo dos últimos anos, inclusive com base em acordos de colaboração premiada, indicam que o conselho de administração e os acionistas de referência foram continuamente enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria", afirmaram.

"Delicadeza no ambiente de trabalho nunca foi o forte de Beto Sicupira", descreve a jornalista Cristiane Correa em "Sonho Grande" (editora Sextante, 2013), best-seller sobre a história do trio do 3G.

"No Garantia se tornaram lendárias as cenas de destempero protagonizadas por ele. ‘Trator’ e ‘dono da verdade’ são algumas das expressões mais usadas por antigos colegas do banco para descrever seu temperamento mercurial. No dia a dia, ele nunca economizou gritos, palavrões e murros na mesa para fazer valer sua opinião. ‘É mais fácil segurar um louco do que empurrar um burro’ é uma das suas frases favoritas", afirma o trecho da obra.

O Garantia foi o banco comprado por Jorge Paulo Lemann, onde trabalharam Marcel Telles e Sicupira, mais tarde sócios do negócio e controladores da Americanas por meio da empresa de private equity 3G Capital.

Claudio Galeazzi, morto em março de 2023, fundador da consultoria Galeazzi & Associados, que promoveu uma reestruturação na Americanas no final da década de 1990, conta no livro "Sem Cortes", em parceria com Joaquim Castanheira (editora Portfolio-Penguin, 2019), um pouco do perfil de cada integrante do trio de bilionários. Mais de economia

"Implacáveis na cobrança pelos resultados, em geral se mostram afáveis no trato com as pessoas no dia a dia. Lemann fala pouco e ouve muito. Dos três, Sicupira é o mais agressivo, enquanto Telles apresenta um perfil mais contemporizador e revela uma fina ironia", diz ele, que aponta uma "única crítica" ao trio.

"Fora os resultados, nada interessa. É uma frieza excessiva. Em razão disso, cria-se um clima de competição interna sanguinária, como se o sujeito sentado a seu lado fosse um adversário a ser batido. Trabalhei com o GP em várias oportunidades e acredito na meritocracia, porém o conceito poderia ser mais humanizado sem perder a objetividade", disse Galeazzi, referindo-se ao GP Investments, o embrião do 3G Capital.

Pessoas ouvidas pela Folha disseram que, depois que o escândalo da Americanas veio à tona, a relação do trio teria ficado abalada. Leia também: Iraque pressiona Opep por maior cota de produção de petróleo e cogita abandonar

Beto Sicupira era o integrante do trio de sócios do antigo GP Investimentos responsável por desenvolver a Americanas, enquanto Marcel Telles fez o mesmo na Ambev. Sicupira ocupou a presidência do conselho da Americanas por muitos anos, depois passou a ser membro do conselho, posição que ocupava quando a crise veio à tona.

Oficialmente, a Americanas culpa a sua antiga diretoria, capitaneada pelo ex-presidente da rede Miguel Gutierrez, pela crise. No entanto, de acordo com uma pessoa que trabalhou próxima a Gutierrez na Americanas, o executivo não dava um passo sem pedir permissão a Sicupira. Não havia autonomia no alto escalão da varejista: as decisões dependiam diretamente do bilionário.

Mesmo decisões menores, como o pagamento de R$ 50 mil a um fornecedor, só eram tomadas após pedir anuência ao "Beto", como mostrou a Folha.

O mesmo acontecia com outros três diretores afastados do comando depois do escândalo, que acumulavam mais de uma década de casa –Anna Saicali (presidente da Ame Digital), Timotheo Barros (vice-presidente, responsável por lojas físicas, logística e tecnologia) e Márcio Meirelles (vice-presidente, responsável pelas áreas digital, consumo e marketing).

Em depoimento à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em maio de 2023, Sicupira disse ter "ficado em choque" e "caído para trás" quando recebeu uma ligação de Sergio Rial, CEO da Americanas no início de janeiro daquele ano, para informar a existência de inconsistências contábeis na companhia.

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