Em menos de 24 horas após o assassinato de Charlie Kirk, uma vice-reitora de um colégio do Tennessee, um funcionário de comunicação de um time da NFL, uma funcionária da empresa Next Door em Milwaukee (Wisconsin) e o cofundador de um restaurante de churrasco em Cincinnati (Ohio) foram demitidos nos Estados Unidos após publicarem mensagens sobre o caso. Todos usaram linguagem ou memes que seus empregadores consideraram ofensivos ou insensíveis em relação ao ativista conservador de 31 anos. A morte de Kirk, baleado em Utah na quarta-feira (10), despertou reações intensas ao longo das linhas partidárias.
À direita, prevaleceram manifestações de luto e pedidos por retaliação; à esquerda, condenações à violência política e, em alguns casos, sugestões de que ele "teve o que merecia". " Parece que o velho Charlie selou seu destino", escreveu no Facebook Laura Sosh-Lightsy, vice-reitora de estudantes da Middle Tennessee
State University. " O ódio gera ódio.
ZERO simpatia. " Antes do fim do dia, o presidente da Universidade Estadual do Médio Tennessee (MTSU), Sidney McPhee, emitiu um comunicado anunciando que Sosh-Lightsy havia sido demitida por seus comentários
"inapropriados e insensíveis", por serem "incompatíveis com nossos valores". Sosh-Lightsy não respondeu a pedidos de comentário. Pelo menos uma dúzia de empregadores —incluindo o Carolina Panthers, a Universidade do Mississippi e a Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA)— suspendeu ou demitiu funcionários por sua atividade online, além de se desculpar e repudiar publicamente as declarações.
Essa onda de medidas disciplinares em resposta ao assassinato de Kirk, tanto online quanto fora da internet, evidencia a tensão entre o direito à liberdade de expressão dos trabalhadores e a necessidade dos empregadores de proteger sua reputação e manter a civilidade em seus quadros. O Carolina Panthers e a Universidade do Mississippi não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Dawn Solowey, advogada trabalhista do escritório Seyfarth Shaw, em Boston, disse que o assassinato de Kirk "toca o cerne de algumas das divisões mais profundas da sociedade americana", incluindo tensões em torno de "raça, gênero, sexo e orientação sexual". Leia também: Paul McCartney divulga detalhes de novo disco, que inclui dueto com Ringo Starr
Nas últimas 48 horas, ela disse ter sido procurada por diversos clientes em busca de orientação sobre como lidar com postagens de funcionários que pareciam endossar a violência. Membro da equipe de "pontos críticos culturais" do escritório —criada em 2023 para lidar com a polarização da sociedade que cada vez mais invade os locais de trabalho—, Solowey incentiva empregadores a manterem suas políticas de redes sociais atualizadas, pois "é melhor ser proativo do que reativo". "
Quando se pede que os funcionários tragam seu ‘eu completo’ para o trabalho, eles trazem também suas opiniões fortes", disse. Em uma era de crescente violência no espectro político, tais demissões não são inéditas: após a tentativa de assassinato contra Donald Trump em 2024, durante sua campanha presidencial, a Home Depot demitiu uma caixa no interior de Nova York por seus comentários no Facebook sobre o episódio. Um funcionário de uma escola em Dakota do Sul, um trabalhador de restaurante em Michigan e um chefe dos bombeiros na Pensilvânia também perderam seus empregos por atividade semelhante nas redes sociais.
Mas o ódio online foi ainda mais intenso com Kirk, que foi baleado durante um evento na Utah Valley University, em Orem, cerca de 55 km ao sul de Salt Lake City. Imagens do assassinato circularam rapidamente na internet. Kirk fundou o grupo conservador Turning Point USA aos 18 anos e o transformou em uma força política voltada para jovens.
Ficou conhecido por promover debates em espaços públicos, especialmente em campi universitários. Seu estilo provocativo ao abordar temas como raça, gênero e armas de fogo gerava fortes reações, disse Karen North, professora de mídia digital social na Escola Annenberg da Universidade do Sul da Califórnia. " Esse cara era um ativista, e incrivelmente polarizador", disse North, acrescentando que não surpreende que algumas pessoas tenham despejado suas reações online "impulsivamente, no calor do momento, quase como por medo de ficar de fora".
Muitos se chocaram com respostas pouco empáticas, disse a professora, porque "apesar de ele ser uma figura pública e ter se colocado nessa posição, ainda assim é um jovem de 31 anos, casado e com filhos. As pessoas pensam: ‘ Calma aí, é uma pessoa real que acabou de morrer’. Mais de entretenimento

" Para empregadores, as postagens de seus funcionários têm se tornado cada vez mais problemáticas, porque "as empresas percebem que as repercussões de uma visão impopular ou ofensiva de um funcionário podem ter um impacto devastador na reputação, nas ações ou nas vendas da companhia". Isso também "quase garante algum nível de hostilidade no local de trabalho no dia seguinte", acrescentou.
" Os comentários das pessoas são percebidos como representando a empresa em que trabalham", disse North. " Leia também: Pixinguinha e Copinha são homenageados em shows de choro no Sesc 24 de Maio
Você tem direito à liberdade de expressão na praça pública, não em uma empresa privada. " Várias das demissões ocorreram após políticos ou comentaristas conservadores amplificarem postagens de críticos de Kirk e cobrarem punição aos empregadores, disse Jason Solomon, diretor do Instituto Nacional de Direitos dos Trabalhadores.
Isso ecoa o "fenômeno relativamente recente" de campanhas nas redes sociais feitas por ativistas como Robby Starbuck, que pressionam empresas a abandonarem programas de diversidade, equidade e inclusão, acrescentou. Segundo Solomon, ativistas de direita se destacam ao usar as redes sociais "para atacar indivíduos e seus empregadores de forma organizada, tornando caro —ou pelo menos parecendo caro, do ponto de vista reputacional— para as empresas manterem essas pessoas em seus quadros". Ele lembrou que a esquerda também recorre a campanhas de pressão, como o boicote de 40 dias à Target, liderado na primavera por líderes religiosos e de direitos civis, após a varejista reduzir suas políticas de diversidade e inclusão.
A maioria dos empregados do setor privado e muitos outros trabalham sob contrato "à vontade", o que significa que podem ser demitidos com ou sem motivo, disse Solomon. Funcionários públicos estaduais têm proteções da Primeira Emenda contra punições por discurso político, mas essas proteções têm limites, acrescentou. Poucos estados oferecem base legal sólida para que trabalhadores revertam demissões motivadas por comentários sobre a morte de Kirk.
Um analista de dados da FEMA foi colocado em licença administrativa após publicar comentários "repugnantes e inconcebíveis" em sua conta privada do Instagram, confirmou a agência em nota. A ativista Maga (Make America Great Again) e jornalista de direita Laura Loomer, que já reivindicou crédito por pressionar a saída de diversos servidores federais, compartilhou as postagens e pediu a demissão do funcionário. "
Celebrar a morte de um compatriota é repulsivo, inaceitável e doentio. Tal comportamento não reflete os valores do serviço público e não será tolerado entre os indivíduos encarregados de trabalhar na FEMA", disse um porta-voz em comunicado. "
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