Remédio alivia principais queixas da menopausa em quem teve câncer de mama Apresentado em congresso em Berlim, o elinzanetant pode ser uma alternativa para mulheres que têm contraindicação para terapia hormonal Esta coluna traz uma mensagem de esperança diretamente de Berlim, onde estou para acompanhar o ESMO Breast Cancer, congresso sobre câncer de mama da Sociedade Europeia de Oncologia Médica. Isso porque foi apresentada aqui uma novidade que pode aliviar uma dificuldade na vida de muitas mulheres: os sintomas importantes e desafiadores da menopausa.
Como mastologista, com frequência recebo em meu consultório mulheres que, mesmo sem o diagnóstico de câncer de mama, vêm com queixas severas que reduzem qualidade de vida, e me perguntam se podem fazer terapia de reposição hormonal (TRH) por não aguentarem mais os fogachos e a dificuldade para dormir. Para muitas dessas mulheres, fazer uma reposição hormonal pode ser a solução mais fácil, mas nem todas elas se sentem confortáveis com isso porque, por muito tempo, as mídias e até mesmo os médicos disseram a elas que a reposição poderia “causar câncer de mama”. Mesmo sabendo hoje que a TRH pode ser usada por grande parte das mulheres e que ela é segura quando bem indicada, muitas ainda têm medo de usar o medicamento.
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Por outro lado, muitas que desejariam usar estes hormônios para reduzir sintomas da menopausa não podem de fato fazê-lo porque já tiveram câncer de mama, e aí sim, neste grupo de pacientes, o uso da terapia de reposição hormonal é impeditivo. Os principais sintomas e a grande dificuldade A principal queixa das mulheres são os fogachos, aquelas ondas de calor que aparecem repentinamente, no meio do dia ou no meio da noite, e incomodam muito.
O rosto fica vermelho e o suor escorre mesmo que a temperatura do ambiente não pareça suficiente para isso. E um segundo grande sintoma são os distúrbios do sono (insônia, sono mais leve ou não reparador). Todos estes incômodos são causados pela privação dos hormônios. Leia também: Mitos e verdades sobre o surto de hantavírus: das origens à gravidade da
Portanto, o tratamento é bastante desafiador nas mulheres que não podem repô-los. O que oferecer para que elas continuem a viver com qualidade? É claro que temos tratamentos para estes sintomas.
Usamos medicamentos como antidepressivos, indicamos mudanças comportamentais, mas, no entanto, infelizmente essas medidas não são têm sido eficientes para a grande maioria das mulheres. E aí, temos que dizer a elas (e a nós mesmas) algo que dói demais ouvir: Que infelizmente não temos nada mais a fazer.
Novo medicamento no horizonte É nesse contexto que surge a mensagem de esperança trazida pela coluna. Aqui na Alemanha e em alguns outros países, um novo medicamento surge como esse oásis no meio de um deserto escaldante.
Aliás, OASIS é o nome do estudo que investigou o fármaco. O elinzanetant, desenvolvido pela Bayer, já está sendo vendido comercialmente com o nome Lynkuet, e tem como indicação a resolucão dos dois principais sintomas de mulheres na menopausa, seja as que entraram nela de forma natural ou induzida pela necessidade de tratamento de câncer de mama. Os fogachos e os distúrbios do sono tiveram resolução na grande maioria das pacientes do estudo e de forma rápida, tão logo as pacientes iniciaram o tratamento. Mais de saude
Quando o estudo terminou, 90% das pacientes pediram para não deixar de usar o medicamento, tamanha a melhora notada nos sintomas. + O impacto na vida das mulheres Os sintomas de menopausa não são universais, ou seja, não são todas as mulheres que apresentam queixas severas, mas quem as sente precisa ser atendida em sua necessidade de tratamento.
Temos no mundo mais e mais mulheres ativas e por mais tempo. Mais de 50% dos lares no Brasil, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, já são mantidos pela força de trabalho das mulheres, e imaginar que sintomas de menopausa podem atingir a estas mulheres de forma tão limitante não cabe mais na atualidade. O impacto na vida de muitas mulheres, principalmente daquelas que tiveram câncer de mama não é exceção, é quase regra, e não podemos fechar os olhos para isso. Leia também: volodymyr zelensky
A cada dia novos medicamentos auxiliam na cura dos tumores, mas a cada dia mais e mais sobreviventes precisam voltar ao mercado de trabalho com a mesma dignidade que tinham antes do diagnóstico. E no Brasil? O medicamento não está disponível no Brasil, mas uma carta de recomendação já foi enviada para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Não são todas as brasileiras pacientes ou ex-pacientes de câncer de mama que se beneficiariam do novo remédio, mas estima-se que 70% delas precisem de tratamento que exige bloqueio hormonal e, portanto, sofrem com os sintomas do climatério. Isso sem contar as em idade mais precoce, que entram em menopausa por conta do uso da quimioterapia. Cuidar da qualidade de vida de quem trata um câncer sempre foi importante, mas o que tínhamos para uso ainda estava longe do suficiente.
Hoje saio da apresentação com a sensação de que podemos estar a caminho de algo mais promissor para este cuidado de qualidade.

