Guerra das canetas nacionais: Eurofarma anuncia redução de até 48%
Ler matéria →Quem cuida de quem cuidará de você? Médicos e estudantes estão sob alto estresse Dispara prevalência de transtornos mentais na formação médica Assumir riscos, correr contra o tempo, dedicar a própria vida em prol de outras.
O dia a dia de um profissional da saúde requer dedicação— e muita atenção à saúde mental. Segundo um levantamento sobre a qualidade de vida dos médicos brasileiros, realizado pela empresa educacional Afya, 45% deles têm algum transtorno mental, superando a média do trabalhador, de 33%. E o problema começa bem antes de chegar ao mercado de trabalho— já na faculdade, os universitários penam com sintomas de sofrimento psíquico.
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De acordo com a mais nova revisão de estudos nacionais sobre o tema, 41% convivem com a ansiedade e 36% têm traços depressivos. Além disso, um quinto apresenta sinais compatíveis com burnout ainda na graduação. A análise incluiu 126 pesquisas, que reuniram dados de mais de 47 mil estudantes ao longo dos últimos 30 anos.
“ Cenário de alta competitividade, ambiente de autocobrança e incertezas sobre a carreira influenciam essas taxas”, avalia o autor da pesquisa, Vitor Melo, estudante do 11º semestre de medicina da Universidade Salvador, na Bahia. “É preciso manter a excelência sem levar universitários e profissionais à exaustão, pois isso prejudica todo o sistema de saúde. Leia também: Saúde: Panorama de Novidades e Alertas para o Público
” Pesou para a cabeça Os problemas psiquiátricos mais comuns entre estudantes de medicina Tristeza persistente e falta de energia são exemplos de sinais que afetam um terço dos estudantes. Deve ser tratada para prevenir piora e até suicídio.
Ansiedade Dificuldade de concentração, preocupação excessiva, taquicardia, falta de ar. São várias as manifestações do problema. Baixa qualidade de sono
É o principal problema de saúde mental identificado, comum entre dois terços dos estudantes de medicina. Cobrança por produtividade gera noites maldormidas. Excesso de sono diurno
Não dá para esconder a falta de descanso. A sonolência durante o dia pode atrapalhar a performance do aluno e retroalimentar o cansaço e a ansiedade diante de uma rotina cheia de tarefas. Estresse Irritabilidade, fadiga, dificuldade de focar nos estudos, dores de cabeça e de estômago. Mais de saude
A tensão pode repercutir de diversas maneiras no corpo e na mente. Burnout Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), esse transtorno ocupacional pode também aparecer ao longo dos anos de formação. Abuso de álcool É o único distúrbio avaliado que é mais prevalente em homens do que em mulheres e também a dependência química mais bem documentada.
Outros distúrbios Além dos problemas citados, 38% da amostra citou um tipo de sofrimento psíquico, como apatia, angústia ou desesperança, sem maiores repercussões. Prevenir para não remediar Leia também: Saúde: Fibras, Pressão, Ansiedade e Preço de Medicamentos
O número de pessoas que vivem com algum tipo de doença mental dobrou em três décadas— eram 599 milhões em 1990, que passaram a ser 1,17 bilhão em 2023, de acordo com o Estudo da Carga Global de Doenças. Os números colocam o bem-estar emocional como um desafio mundial, para o qual os sistemas de saúde precisam traçar novas estratégias. Nesse contexto, cresce o apelo pela prevenção quinquenária.
“É um conceito que visa cuidar do psicológico dos profissionais da saúde para que eventuais problemas não transbordem para os pacientes”, explica Melo, que pretende se especializar em psiquiatria. “ Há sofrimentos que são ignorados pelos próprios médicos.
Isso não pode acontecer.
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