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Proibidos no Brasil, Polymarket e Kalshi viralizam na direita como alternativa

Proibidos no Brasil, Polymarket e Kalshi viralizam na direita como alternativa às pesquisas eleitorais Play video, "O mercado é capaz de antecipar o futuro?", Duration

Proibidos no Brasil, Polymarket e Kalshi viralizam na direita como alternativa
Proibidos no Brasil, Polymarket e Kalshi viralizam na direita como alternativa às pesquisas eleitorais
Play video, "O mercado é capaz de antecipar o futuro?", Duration 15,5815:58
Legenda do vídeo, O mercado de previsões é capaz de antecipar o futuro?
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    • Author, Luiz Fernando Toledo
    • Role, BBC News Brasil
    • Reporting from, Londres
  • Published 1 junho 2026, 16:15 -03
    Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 9 min

Em abril, o governo brasileiro bloqueou ao menos 27 sites do chamado mercado de previsão, como Kalshi e Polymarket — plataformas onde se compram e vendem contratos apostando se um evento vai ou não acontecer, de eleições a jogos esportivos. No jargão do mercado financeiro, são chamados de derivativos.

Mesmo proibidas, essas plataformas continuam a ser tratadas nas redes sociais brasileiras como termômetro político e uma espécie de "alternativa" às pesquisas eleitorais tradicionais — embora especialistas ressaltem que não são uma boa forma de estimar intenções de voto nem de traçar um cenário da disputa ou prever seu resultado, apesar do nome dado a esse mercado.

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O discurso é puxado, em grande parte, por uma rede de políticos e influenciadores de direita que apresenta os números das apostas como contraponto aos institutos de pesquisa, sugerindo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) lideraria a corrida presidencial, conforme uma análise de publicações feitas pela BBC News Brasil na rede social X.

A reportagem fez buscas em que os nomes das plataformas apareciam ligados a candidatos à Presidência da República e à eleição de 2026. No topo da lista das medidas de engajamento nas redes, como curtidas, comentários e compartilhamentos, predominam contas ligadas ao bolsonarismo e à direita.

Em referência à decisão do governo brasileiro de bloquear as plataformas, o deputado escreveu: "Lula proibiu o Polymarket no Brasil, mas não quer só te impedir de ver que Flávio Bolsonaro lidera a corrida presidencial", junto de um vídeo. O post recebeu 16,7 mil curtidas e 5,6 mil compartilhamentos. Leia também: Aulas de português e goleada contra o Panamá: o caminho de Ancelotti para

Na mesma linha, o empresário Paulo Figueiredo, apoiador da família Bolsonaro, publicou em sua conta no X três dias depois, em 9 de maio, a seguinte mensagem: "Por que o Dario Durigan (atual ministro da Fazenda) e Lula proibiram a plataforma de tecnologia preditiva Polymarket? Porque eles têm um histórico de acerto eleitoral de 90% em mercados de alta liquidez e Flávio já abriu quase 5 pontos de vantagem. Censura." O texto teve 11,6 mil curtidas e 3 mil compartilhamentos.

Essas novas publicações associam a queda de Flávio nas apostas do site à revelação de áudios entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro com pedidos de financiamento para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.

Contratos ligados à eleição presidencial brasileira de 2026 no Polymarket somavam cerca de US$ 86,8 milhões (cerca de R$ 435 milhões) em volume negociado na última semana de maio — com Lula (US$ 5,79 milhões), Flávio Bolsonaro (US$ 5,98 milhões) e Renan Santos (US$ 5,80 milhões) à frente em movimentação financeira. Mais de mundo

Como o acesso ao site está bloqueado no Brasil, uma forma de entrar nas plataformas é por meio de VPN, um serviço de rede privada virtual que mascara o endereço IP do usuário e criptografa sua conexão, permitindo acessar conteúdos em uma dada localização.

Imagem mostra apostas na plataforma Polymarket sobre a eleição brasileira, com Lula à frente, seguido por Flávio Bolsonaro e Renan Santos

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, Sites de apostas não são um bom termômetro da disputa eleitoral, alertam especialistas

'Pesquisa e mercado de apostas respondem perguntas diferentes'

Para especialistas ouvidos pela reportagem, o mercado de apostas e as pesquisas eleitorais não medem a mesma coisa. Raphael Nishimura, estatístico da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, explica a distinção. Leia também: Por que ONG da produtora de 'Dark Horse' é alvo de operação da Polícia Civil em

"A pesquisa eleitoral está tentando estimar qual vai ser a intenção de voto de cada candidato. Já essas plataformas de apostas estão literalmente respondendo qual é a probabilidade de um candidato vencer a eleição. São perguntas diferentes que vão dar resultados diferentes."

Ou seja, um candidato aparecer com 40% ou 50% no Polymarket não significa que ele terá aquela proporção de intenção de votos. Significa que o mercado está calculando a probabilidade de vitória com base no quanto os usuários desse tipo de plataforma estão dispostos a pagar para apostar naquele desfecho.

O estatístico observa que o mercado de previsão, na prática, se alimenta das sondagens eleitorais.

"Assim que sai uma pesquisa, principalmente dependendo do resultado, tem uma mudança nas probabilidades. Os apostadores estão absorvendo as informações da pesquisa e atualizando aquilo que eles acreditam ser de quem vai ser o vencedor", explica.

Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie, observa que pesquisas e sites de apostas operam em ritmos diferentes: as pesquisas exigem coleta de campo em amostra representativa e levam dias entre apuração e divulgação, enquanto os contratos se movem em tempo real, reagindo a fatos novos.

Quem aposta — e quem ganha

Esta fotografia mostra telas montadas exibindo o logotipo e a página inicial da Polymarket, uma plataforma norte-americana de mercado de previsões baseada em criptomoedas
Legenda da foto, A Polymarket é uma das maiores plataformas de chamado mercado de previsões
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