'Disputa crescente': como imprensa internacional noticiou revogação do visto
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- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published Há 3 horas
- Tempo de leitura: 6 min
O El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico na faixa equatorial, deve continuar influenciando o clima brasileiro ao longo de agosto e ajudar a moldar um cenário de eventos extremos pelo país, segundo meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil.
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A expectativa é de temperaturas acima da média em praticamente todo o país, mas com efeitos diferentes de uma região para outra.
No Sul, o fenômeno aumenta a probabilidade de chuvas intensas e temporais, com risco de ventos fortes, granizo e alagamentos. No Sudeste e no Centro-Oeste, a previsão é de calor acima do normal e baixa umidade do ar. Já no Norte e no Nordeste, a tendência é de menos chuva, favorecendo o avanço das queimadas.
Mas o calor não deve impedir a chegada de massas de ar polar. Uma nova onda de frio deve atingir o Sul, o Sudeste e parte do Centro do país por volta do dia 11, afirma o meteorologista Franco de Assis Diniz, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Depois disso, a segunda quinzena deve voltar a registrar temperaturas acima da média. Leia também: Revogação de visto de embaixadora do Brasil nos EUA é 'instrumento arbitrário
O El Niño, que se configurou em junho, deve permanecer ativo até o início de 2027 e atingir seu pico entre outubro e novembro, afirma Diogo Arsego, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em agosto, o fenômeno deve manter uma de suas principais características no Brasil: favorecer chuvas acima da média no Sul.
Segundo Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, isso ocorre porque o aquecimento das águas do Pacífico altera a circulação da atmosfera sobre a América do Sul, levando mais umidade para o Sul do país e criando um ambiente propício à formação de temporais.
Leia a seguir as previsões do tempo para o mês de agosto em cada região do Brasil.

Crédito, AFP via Getty Images
Sul: chuva acima da média, ventos fortes e risco de novos temporais
A previsão para agosto vem na esteira de um mês turbulento no Rio Grande do Sul. Julho foi marcado por sucessivos temporais com ventos fortes, chuva intensa e granizo, que deixaram um rastro de destruição em diferentes regiões do Estado. Mais de mundo
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No início do mês, um vendaval acompanhado de granizo atingiu Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, destruindo dez casas, destelhando outras 180 e deixando 720 pessoas desabrigadas, segundo a Defesa Civil municipal. Leia também: 'Disputa crescente': como imprensa internacional noticiou revogação do visto
Entre os dias 17 e 20, uma nova rodada de temporais afetou 49 municípios gaúchos, provocou destelhamentos, derrubou árvores e postes e deixou ao menos 19 pessoas desalojadas, de acordo com a Defesa Civil estadual. No fim do mês, por fim, um tornado atingiu a região noroeste do Estado e deixou quatro feridos.
Para agosto, a expectativa é que a região continue sob influência de uma atmosfera instável, favorável à ocorrência de eventos extremos, segundo Diniz, do Inmet. No próximo fim de semana, a formação de um ciclone extratropical entre Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai deve provocar rajadas de vento de até 95 km/h.
"Não deixa de ser também uma contribuição do El Niño para estar causando esse forte contraste de temperatura e um ciclone mais intenso", afirma o meteorologista.
Além desse sistema, novas áreas de instabilidade devem favorecer episódios de chuva intensa entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina nas próximas semanas, com possibilidade de geada em algumas regiões, ressalta Arsego, do CPTEC.
"Ainda não conseguimos precisar a intensidade, as regiões que serão mais atingidas e as datas mais prováveis. Isso só acompanhando a previsão de tempo em uma menor escala de tempo", diz ele.

Sudeste e Centro-Oeste: calor, baixa umidade e frio pontual
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