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Revogação de visto de embaixadora do Brasil nos EUA é 'instrumento arbitrário

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Relação entre Lula e Trump teve idas e vindas desde o primeiro tarifaço em 2025 Article Information Author, Iara Diniz Role, Da

Revogação de visto de embaixadora do Brasil nos EUA é 'instrumento arbitrário
Trump e Lula juntos conversando

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Relação entre Lula e Trump teve idas e vindas desde o primeiro tarifaço em 2025
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    • Author, Iara Diniz
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 7 min

A decisão do governo de Donald Trump de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, é "mais uma camada de pressão para que o Brasil se dobre aos interesses do governo americano", avalia o especialista em relações internacionais e professor da Florida International University (EUA) Guilherme Casarões.

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Em entrevista à BBC News Brasil, Casarões classificou como uma medida sem precedentes e que não se encaixa nos cenários tradicionais que poderiam justificar uma ação desse tipo, como um escândalo envolvendo o diplomata ou uma ruptura das relações entre os países.

"Quando isso acontece, geralmente acontece quando a pessoa cometeu algum tipo de infração muito grave e isso gera uma crise diplomática", afirmou.

"Isso que o governo americano apresentou não faz sentido do ponto de vista das relações diplomáticas. Me parece muito mais um instrumento arbitrário para dar um recado e colocar pressão sobre o governo brasileiro, dada uma suposta insatisfação do governo americano que se acumulou ao longo das últimas semanas", acrescentou. Leia também: Análise: Trump enfrenta duras realidades expostas por seus próprios aliados

Segundo apurou a BBC, a medida foi uma resposta à demora na concessão do agrément— a autorização formal para que um representante diplomático estrangeiro assuma o cargo— ao indicado pelos Estados Unidos para ocupar a embaixada em Brasília, Daniel Perez.

No mesmo período, o governo brasileiro negou vistos a Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado que pretendiam visitar o Brasil após o Washington Post noticiar que a viagem poderia ser usada para levantar dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.

A BBC também apurou que o governo brasileiro não tinha a intenção de bloquear a indicação de Daniel Perez e que não havia encontrado declarações ou fatos que desabonassem o nome indicado pelos Estados Unidos.

No entanto, houve uma quebra da praxe diplomática quando Washington anunciou o nome do futuro embaixador antes de solicitar formalmente a autorização ao governo brasileiro.

Para Casarões, esse rompimento do rito diplomático é justamente o principal ponto de incômodo para o Itamaraty.

O professor comparou o episódio a uma crise envolvendo Brasil e Israel em 2015, quando o então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou pelo Twitter (atualmente X) a indicação de Dani Dayan para a embaixada israelense em Brasília antes da consulta formal ao governo brasileiro. Leia também: Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUA em nova escalada

Na ocasião, o governo brasileiro demorou meses para se manifestar sobre a indicação. Segundo Casarões, o problema para o Brasil não era o perfil do indicado, mas o fato de a nomeação ter sido anunciada antes da consulta diplomática.

"No caso do Daniel Perez, foi a mesma coisa: foi uma nomeação que poderia ter passado pelos protocolos diplomáticos normais. Ele foi anunciado de maneira unilateral pelo governo americano sem a consulta do governo brasileiro", explicou Casarões, lembrando que os EUA chegaram a ficar cerca de um ano sem embaixador no Brasil.

"A sensação que eu tenho é que o governo americano fica jogando cascas de banana esperando que o Brasil, em alguma delas, responda de uma determinada forma que justifique mais medidas restritivas por parte dos Estados Unidos", destacou.

Em nota, o governo brasileiro repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para revogar o visto da embaixadora eram falsas.

O Itamaraty disse que Washington rompeu a praxe diplomática ao anunciar o indicado para a embaixada em Brasília antes de solicitar formalmente o agrément e afirmou que não há prazo definido para a concessão da autorização.

Maria Luiza Viotti
Legenda da foto, Viotti foi a primeira mulher embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

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