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Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Paul Adams
- Role, Repórter de diplomacia da BBC News
- Published Há 2 horas
- Tempo de leitura: 12 min
No mês passado, o presidente americano, Donald Trump, assinou um acordo de cessar-fogo com o Irã, durante um jantar no Palácio de Versalhes, em Paris, na França. Mas muitos observaram o evento como uma ironia. Seu anfitrião foi o presidente francês, Emanuel Macron.
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Talvez ele quisesse garantir que o Memorando de Entendimento fosse assinado antes que Trump mudasse de ideia e pode ter imaginado que os tons dourados da Galeria dos Espelhos agradariam seu convidado.
Mas a escolha do local gerou inevitáveis comparações entre o acordo de uma página e meia assinado naquela noite e o extremamente extenso Tratado de Versalhes, assinado ao final da Primeira Guerra Mundial, em 1919.
Aquele tratado reformulou a Europa, mas suas exigências de enormes reparações deixaram a Alemanha indignada e amargurada. Elas ajudaram a preparar o cenário para outro confronto global 20 anos depois. Leia também: Por que 'Wonderwall' do Oasis se tornou hino da Inglaterra na Copa do Mundo
O acordo com o Irã é diferente em muitos aspectos. Será que ele poderia vir a ter o mesmo destino?
O frágil cessar-fogo se manteve com dificuldades até a última quarta-feira (8/7), quando Trump anunciou o seu rompimento, após uma troca de ataques envolvendo os dois países na madrugada anterior.
Após vários conflitos no estreito de Ormuz e regiões próximas, sem que nenhum dos problemas que levaram à guerra esteja perto de ser resolvido, a situação no Oriente Médio parece tão precária quanto antes.

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Paralelamente, o Irã atravessa um profundo processo de mudanças. Mais de mundo
O país se despede do seu antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), morto há mais de quatro meses durante os devastadores ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e Israel que deram início à guerra, eliminando grande parte dos líderes do regime de Teerã.
Este é um momento fundamental: um importante lembrete de que a velha guarda cedeu o lugar para a nova geração. Com os novos rostos, vem um novo enfoque, com suas próprias implicações.
Reorganizando o tabuleiro de xadrez
"Esta guerra trouxe consequências muito maiores e uma envergadura superior à atribuída até agora", avalia Vali Nasr, professor de assuntos internacionais e estudos de Oriente Médio da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.
"Todas as grandes guerras desta magnitude acabam reorganizando o tabuleiro de xadrez", explica ele. "É o que irá acontecer no Oriente Médio."
Em janeiro, o Irã foi sacudido por protestos populares. Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, previram que as manifestações poderiam ser o presságio do colapso da República Islâmica.
Àquela altura, a economia iraniana já estava em pedaços, após décadas de sanções internacionais. O país também seguia gravemente debilitado, devido à Guerra dos 12 Dias contra os Estados Unidos e Israel, ocorrida seis meses antes.

Vantagem para Teerã?

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