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São Sebastião: como um soldado romano brutalmente torturado até a morte foi

São Sebastião: como um soldado romano brutalmente torturado até a morte foi santificado e virou ícone gay Crédito, Getty Images Legenda da foto, São Sebastião é venerado

São Sebastião: como um soldado romano brutalmente torturado até a morte foi
São Sebastião: como um soldado romano brutalmente torturado até a morte foi santificado e virou ícone gay
Detalhe de São Sebastião, de Guido Reni

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, São Sebastião é venerado como santo tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa
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    • Author, Nick Levine
    • Role, BBC Culture
  • Published Há 5 horas
  • Tempo de leitura: 8 min

Carregada de significados e emoções, a expressão "ícone gay" costuma ser atribuída a celebridades femininas resilientes, como Judy Garland, Cher e Madonna.

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Quando Dusty Springfield (cantora britânica de hits como Son of a Preacher Man e I Only Want to Be With You) morreu, em 1999, o cantor Neil Tennant, da banda Pet Shop Boys, foi perguntado por que sua amiga e parceira musical havia se tornado "um ícone gay".

A resposta de Tennant, como relembrou em uma entrevista à revista Mojo em 2024, foi bastante desdenhosa: "Chamá-la de ícone gay é simplesmente marginalizá-la. É como dizer: 'Ela só interessa às pessoas gays'."

Tennant levantou um bom ponto no caso de Springfield, mas ser considerado um "ícone gay" também pode ter um sentido de celebração e de contestação das normas. Leia também: Por que 'Wonderwall' do Oasis se tornou hino da Inglaterra na Copa do Mundo

Pintura O Martírio de São Sebastião, de El Greco

Crédito, Getty Images

São Sebastião é venerado como santo tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa, que há séculos difundem a narrativa de que ele foi espancado até a morte depois de repreender Diocleciano por suas crenças pagãs, consideradas "pecaminosas".

Mas foi um ataque anterior ordenado pelo imperador, quando Sebastião foi amarrado a uma árvore e atingido por flechas, que transformou esse mártir, sobre cuja vida pouco se sabe, em uma fonte constante de inspiração para artistas consagrados.

Só a National Gallery, em Londres, reúne pelo menos 14 representações do santo. Ao longo dos séculos, ele também se tornou um símbolo recorrente do desejo entre homens gays.

Como São Sebastião se tornou um ícone gay

A ascensão de São Sebastião como ícone gay remonta ao Renascimento, período de profundas transformações culturais entre os séculos 14 e 17, quando artistas de destaque como Guido Reni, El Greco e Sandro Botticelli retrataram seu corpo atravessado por flechas com um intenso subtexto homoerótico.

Daniel Fountain, professor sênior de história da arte e cultura visual na Universidade de Exeter, no Reino Unido, disse à BBC que, para historiadores da arte, as flechas costumam ser interpretadas como um símbolo fálico, associado ao sexo penetrativo e à identidade queer (termo em inglês que se refere a identidades sexuais e de gênero que não se encaixam nos padrões heteronormativos). Leia também: Polícia investiga morte de Jayden Adams, jogador que disputou a Copa

Clare Barlow, diretora do People's History Museum e curadora da exposição Queer British Art 1861–1967, realizada pelo museu Tate Britain em Londres em 2017, afirma que, em muitas dessas pinturas, as flechas "ganham um enorme significado psicossexual", independentemente da intenção original do artista.

"E o fato de Sebastião quase sempre ser retratado como um jovem muito bonito só o torna ainda mais fascinante", acrescenta Barlow.

Durante o Renascimento, período em que a homossexualidade era muito menos aceita socialmente, as representações artísticas do corpo esguio e desejável de Sebastião se tornaram populares e carregadas de ambiguidade.

Assim como o Davi, de Michelangelo, obra-prima do século 16 que cristalizou um ideal de beleza masculina em mármore, as pinturas desse santo belo e perseguido ofereciam uma forma socialmente aceitável de expressar o desejo entre homens.

Ainda assim, Barlow, do People's History Museum, ressalta que "muitas vezes é muito difícil saber se essa era realmente a intenção explícita do artista ou se essa leitura foi construída por uma comunidade de espectadores que buscava formas de representação". Em alguns casos, diz ela, provavelmente havia um pouco dos dois.

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O que São Sebastião passou a representar

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Seu impacto nos séculos 20 e 21

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