← Mundo
Mundo

Por que a PF retirou credenciais de policial dos EUA no Brasil após caso de Alexandre Ramagem

Crédito, Reprodução Legenda da foto, Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no Brasil, mas está foragido nos Estados Unidos desde 2025 Article Information

Por que a PF retirou credenciais de policial dos EUA no Brasil após caso de Alexandre Ramagem
Foto de Alexandre Ramagem falando diante de uma webcâmera

Crédito, Reprodução

Legenda da foto, Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão no Brasil, mas está foragido nos Estados Unidos desde 2025
Article Information
    • Author, Leandro Prazeres
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • 22 abril 2026, 16:08 -03
    Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Federal retirou as credenciais de trabalho de um policial americano que atuava no Brasil junto à corporação.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22/4) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, durante entrevista à Globo News e acontece dois dias depois de o governo americano ter determinado o retorno ao Brasil oficial de ligação da PF na Flórida, Marcelo Ivo de Carvalho, após a operação que resultou na detenção temporária do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL-RJ).

"O princípio da reciprocidade, como regra geral, rege as relações internacionais. E nós, policiais temos um acordo com as agências. À medida em que uma agência retira as credenciais do meu policial, eu retiro as credenciais do norte-americano que está aqui. E faço isso com muito pesar porque eu não gostaria que nada disso estivesse acontecendo", disse o delegado.

Ainda de acordo com Rodrigues, a medida vai impedir o acesso do agente dos EUA a unidades da PF e vai suspender seu acesso a bases de dados fornecidas pelas autoridades brasileiras. Leia também: Maior produtor de camisinhas do mundo pode subir preços em até 30% por causa da guerra no Irã

Na terça-feira (21/4), durante viagem a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia dito que o Brasil poderia adotar o princípio da reciprocidade em relação a oficiais americanos operando no Brasil em resposta à decisão dos Estados Unidos de mandar o agente da PF de volta ao Brasil.

A detenção de Ramagem na semana passada por agentes do ICE fez com que autoridades americanas iniciassem apurações internas para entender o que levou a agência a prender o ex-parlamentar, segundo fontes do governo dos Estados Unidos ouvidas pela BBC News Brasil em caráter reservado.

Na segunda-feira (20/4), governo dos Estados Unidos solicitou ao governo do Brasil que o oficial de ligação da PF na Flórida deixasse o país após sua atuação na detenção de Ramagem.

Em nota divulgada no X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado americano, não cita o nome do delegado, mas classifica sua atuação como uma tentativa de "manipular" o sistema de imigração dos Estados Unidos. Mais de mundo

"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração tanto para contornar pedidos de extradições formais quanto para estender caça às bruxas política ao território dos Estados Unidos. Hoje, nós pedimos que o funcionário brasileiro relevante deixe nossa nação por tentar fazer isso", diz a nota.

Segundo o diretor-geral da PF, Carvalho já está no Brasil. Leia também: Jornalista revela estratégia do papa Francisco para eleger Leão 14 no conclave após sua morte

Ainda na entrevista, Rodrigues rebateu a tese divulgada pelo governo americano de que o agente da PF tenha tentado manipular as autoridades dos Estados Unidos.

"Não é possível alguém imaginar, que não seja nessa vilania de rede social, que um policial federal estaria nos Estados Unidos para enganar autoridades norte-americanas", disse.

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na mesma ação penal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Sua defesa alega que ele é inocente.

Apesar da condenação, ele vive nos Estados Unidos desde o ano passado e é considerado foragido pela Justiça brasileira. De acordo com a PF, ele fugiu do Brasil pela divisa do país com a Guiana, de onde pegou um voo para os Estados Unidos.

Leia também