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O que é urânio enriquecido e por que ele é polêmico no acordo nuclear

Crédito, Bloomberg via Getty Images Article Information Author, Luis Barrucho Role, Serviço Mundial da BBC Published Há 43 minutos Tempo de leitura: 5 min Os Estados

O que é urânio enriquecido e por que ele é polêmico no acordo nuclear entre os
O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), e Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, são vistos no palco durante o Fórum de Investimento EUA-Arábia Saudita no Kennedy Center em Washington, em 19 de novembro de 2025.

Crédito, Bloomberg via Getty Images

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    • Author, Luis Barrucho
    • Role, Serviço Mundial da BBC
  • Published Há 43 minutos
  • Tempo de leitura: 5 min

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo histórico que, segundo relatos, poderá permitir que o reino do Golfo enriqueça urânio internamente.

Leia no AINotícia: Mundo: o que movimentou a semana

Ele é descrito como um "acordo de cooperação nuclear pacífica" que proporcionará "grande acesso para empresas americanas ao programa de energia nuclear da Arábia Saudita", segundo o Departamento de Energia dos EUA.

A Arábia Saudita desenvolverá um programa nuclear civil nos termos do acordo, cujo texto integral não foi divulgado. O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para usinas nucleares, mas também para a fabricação de bombas nucleares.

Especialistas afirmam que existe o risco de futura proliferação nuclear em uma região já instável. Leia também: Os benefícios surpreendentes de dançar 5 minutos por dia

A questão nuclear tem estado no centro do conflito entre os EUA e Israel com o Irã, que já dura meses. As duas nações afirmam que uma das razões pelas quais atacaram o Irã foi para impedir que o país desenvolvesse uma arma nuclear— algo que Teerã nega ter planos de fazer.

Será permitido aos sauditas enriquecer urânio?

Se as notícias veiculadas pela mídia americana forem confirmadas, o acordo nuclear com a Arábia Saudita será uma rara exceção.

Os Estados Unidos possuem o que denominam "acordos de cooperação nuclear pacífica" com cerca de 50 países, segundo o Departamento de Energia americano. Tais acordos permitem a transferência de materiais nucleares, incluindo combustível, reatores e tecnologia, bem como pesquisas conjuntas.

Mas até então, apenas dois países— a Índia e o Japão— tinham permissão para enriquecer urânio localmente, um processo crucial na produção de combustível nuclear, mas também de armas nucleares.

As outras nações precisam importar combustível nuclear e também estão proibidas de reprocessar o combustível nuclear usado em reatores para geração de energia. Essa técnica permite recuperar material nuclear utilizável, como plutônio e urânio. Mais de mundo

Entre os muitos países impedidos de fazê-lo estão os Emirados Árabes Unidos (EAU), vizinhos da Arábia Saudita.

Rosemary Kelanic, diretora do programa para o Oriente Médio do centro de estudos Defense Priorities, com sede nos EUA, afirmou que seria "bastante chocante" se o acordo incluísse a permissão dos EUA para que a Arábia Saudita tivesse instalações para enriquecer urânio.

"Os EUA nunca fizeram isso antes, nunca ajudamos outro país a enriquecer combustível nuclear em seu próprio território", disse ela, acrescentando que o motivo é que "se você consegue produzir seu próprio combustível nuclear, você se torna um risco muito maior" para a construção de armas nucleares. Leia também: Trump anuncia tarifa de 12,5% contra o Brasil por trabalho forçado

Vista aérea da mina de urânio de Pinyon Plain, localizada a poucos quilômetros do Parque Nacional do Grand Canyon, nos EUA.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O urânio é um elemento natural encontrado na crosta terrestre.

O que é urânio enriquecido?

O urânio é um elemento natural encontrado na crosta terrestre.

Mais de 99% do urânio natural é U-238, que não sustenta facilmente uma reação nuclear em cadeia. Apenas cerca de 0,7% é U-235, um isótopo que pode ser facilmente dividido, liberando energia em um processo conhecido como fissão nuclear.

Primeiro, o urânio é convertido em gás. Esse gás é então alimentado em centrífugas— máquinas que giram a velocidades extremamente altas.

À medida que giram, o U-238, mais pesado, move-se ligeiramente para fora, enquanto o U-235, mais leve, permanece mais próximo do centro.

O gráfico mostra como uma centrífuga funciona para separar os diferentes isótopos de urânio.

Qual a diferença entre o urânio usado em reatores nucleares e o urânio usado em armas?

O gráfico mostra como diferentes concentrações de U-235 no urânio afetam seu uso potencial

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