Nicarágua: o que resta da oposição e por que Daniel Ortega quer acabar
Ler matéria →O que acontece quando uma tradwife vai parar no século 19? O polêmico best-seller que conquistou Anne Hathaway- Author, Clare Thorp- Role, BBC Culture- Published- Tempo de leitura: 8 min Se você passar os olhos pelos passageiros de um avião, os hóspedes nas piscinas dos hotéis ou para os turistas nas praias neste verão na Europa e Estados Unidos, é bem possível que você encontre alguém imerso nas páginas do livro Bons Tempos: Yesteryear.
O romance de estreia da escritora Caro Claire Burke foi publicado em inglês em abril, com grande alvoroço. A versão em português está em pré-venda e será lançada no Brasil pela Editora Rocco no dia 31 de agosto. O livro contra a história de uma influenciadora de sucesso, que se apresenta como esposa tradicional (ou tradwife, na expressão em inglês), e é transportada de volta ao século 19.
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Desde o lançamento, o entusiasmo pela obra só aumentou. O livro ficou semanas na lista dos mais vendidos do jornal americano The New York Times e em primeiro lugar entre os livros de ficção do Sunday Times, no Reino Unido. Não é que as pessoas estejam apenas esgotando os estoques do livro.
Elas também estão comentando a história por toda parte. Nas plataformas Bookstagram e BookTok, os comentários sobre Bons Tempos: Yesteryear estão em alta. Em junho, o romance liderou o ranking de assuntos mais comentados da plataforma BookTok.
E, nos grupos de bate-papo e clubes de livros, os leitores debatem intensamente o seu valor literário. Do que se trata? A protagonista de Bons Tempos: Yesteryear é Natalie Heller Mills, que se apresenta como uma tradwife. Leia também: Nicarágua: o que resta da oposição e por que Daniel Ortega quer acabar
Aos 32 anos, casada e mãe de cinco filhos (esperando o sexto), ela conta aos seus milhões de seguidores nas redes sociais a vida aparentemente idílica da sua família, em uma fazenda de 200 hectares no Estado americano de Idaho. Sua personalidade retrata a subcultura real existente na internet, de mulheres que promovem e imitam os papéis tradicionais de gênero, com os homens sendo os provedores e as mulheres, suas subordinadas, priorizando a criação dos filhos e a manutenção da casa. Natalie prepara pães de fermentação natural, educa seus filhos em casa, bebe leite não pasteurizado da sua própria vaca e coleta ovos de suas galinhas ("as meninas") todas as manhãs, tudo com um cintilante sorriso no rosto.
Pelo menos, enquanto a câmera está ligada. Na verdade, a vida perfeita de Natalie é apenas uma fachada cuidadosamente construída, convincente e lucrativa. Mas, um dia, ela acorda vivendo subitamente no mesmo passado que ela romantiza, mais precisamente, no ano de 1855.
E, quando o teatro vira realidade, os "bons tempos" rapidamente deixam de parecer tão agradáveis. O romance alterna entre o presente e uma versão apavorante do passado. E, só no final do livro, ficamos sabendo como e por que Natalie foi parar no século 19.
Sucesso de vendas com paralelos na vida real Por que o livro se tornou tão popular? Os editores certamente investiram em uma intensa campanha de marketing.
Mas o entusiasmo de Anne Hathaway também ajudou a chamar a atenção para a história. A atriz viu um primeiro rascunho, comprou os direitos e irá produzir e estrelar o filme baseado na obra. A atração real de Bons Tempos: Yesteryear é aquela premissa simples, mas deliciosa: " Mais de mundo
E se? " E se uma mulher que imita uma forma de vida ultrapassada fosse forçada a viver a realidade daquela fantasia? E se nós, leitores, tivéssemos uma visão privilegiada de sua derrocada?
" A ideia de enviar uma influenciadora para o passado, para viver como uma mulher pioneira da vida real? Fiquei com inveja", diz Leigh Stein, autora de diversos romances que satirizam a cultura da internet, como Self Care ("Autocuidado", em tradução livre) e If You're Seeing This It's Meant for You ("Se você está vendo isso, é porque é para você").
" Fiquei me perguntando 'por que não pensei nisso? ' É uma ideia brilhante. Leia também: Eles se tornaram melhores amigos — e então descobriram que eram irmãos
" A esposa tradicional está em alta na ficção. Já são três livros com o título Trad Wife ou Tradwife publicados este ano em inglês.
Todos explorando a ideia de que vidas aparentemente perfeitas raramente são o que parecem. " Acho que as pessoas ficam fascinadas com as tradwives porque são figuras exageradas, extravagantes", diz a professora de cultura e literatura contemporânea Rachel Sykes, da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
O inerente paradoxo das esposas tradicionais, que aparentemente desprezam as mulheres profissionais enquanto constroem paralelamente seu próprio negócio de sucesso, também as torna objeto de dissecação cultural. E a ascensão das mulheres influenciadoras conservadoras é um choque para as progressistas, segundo Sykes. "
A figura da esposa tradicional realmente cristaliza muito desta questão e livros como este levam as pessoas a debater o que é importante para elas. " Leitores e críticos indicam a norte-americana Hannah Neeleman, personalidade das redes sociais também conhecida como Ballerina Farm, como a inspiração real para Bons Tempos: Yesteryear.
Neeleman é mórmon e mãe de nove filhos. Ela compartilha cenas da sua vida em uma fazenda em Utah com mais de 10 milhões de seguidores no Instagram. Ela e Natalie frequentaram escolas de prestígio.
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