Eles se tornaram melhores amigos — e então descobriram que eram irmãos
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Crédito, Reuters
- Author, Atahualpa Amerise
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 8 min
"Não haverá mais eleições aqui."
Leia no AINotícia: Mundo: o que movimentou a semana
Este foi o pronunciamento do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, no último domingo (19/7), durante a comemoração do 47° aniversário da Revolução Sandinista, evento realizado na capital do país, Manágua.
Aos 80 anos, Ortega afirmou, sem dar detalhes, que não permitirá a realização de novas eleições, para evitar que a oposição tente "tomar o governo, tomar o poder".
A Nicarágua deveria eleger um novo presidente em 2027, já que uma reforma constitucional postergou as eleições inicialmente previstas para o final deste ano. Leia também: 10 das casas mais criativas e surpreendentes do Japão
A mesma reforma promoveu a esposa de Ortega, Rosario Murillo, de vice-presidente a "copresidente". E também ampliou o mandato presidencial e reforçou ainda mais o controle da dupla sobre as instituições estatais.
Segundo analistas e organismos internacionais, o anúncio de Ortega representa um novo passo para o desmantelamento democrático de um país que não realiza eleições livres há anos.
O líder sandinista venceu as últimas eleições presidenciais em 2021, levando à prisão os possíveis candidatos dos partidos de oposição. A onda repressiva se estendeu a políticos, empresários, ativistas e jornalistas.

Crédito, Getty Images
Nos anos que se seguiram, Ortega colocou partidos e organizações civis na ilegalidade. Ele também expulsou do país e cancelou a nacionalidade de praticamente todas as figuras dissidentes, deixando a Nicarágua sem oposição organizada e sem imprensa independente. Mais de mundo
E, depois de anos de prisões, perseguições, exílios forçados e perda de cidadania, o que ainda resta de oposição dentro da Nicarágua?
Os motivos do anúncio
A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, conversou com dois dos opositores nicaraguenses de maior destaque no exílio, para tentar responder a estas perguntas.
Dora María Téllez é historiadora e dirigente histórica da Revolução Sandinista. Posteriormente, ela foi objeto de represálias de Daniel Ortega. Leia também: O que é urânio enriquecido e por que ele é polêmico no acordo nuclear
Já Félix Maradiaga dirige a Rede Liberal da América Latina. Ele é um dos aspirantes à Presidência que foram presos antes das eleições de 2021.
Ambos concordam que acabar com as eleições na Nicarágua estaria longe de ser uma demonstração de força.
"Cinco anos depois, o medo aumentou ainda mais."

Crédito, ATAHUALPA AMERISE/BBC

O que resta da oposição na Nicarágua


Como Ortega intensificou a repressão

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