Ele 'rabiscava' versos entre as entregas: o entregador de comida que ganhou
Ler matéria →Nem camelos aguentam mais o calor extremo nos desertos da África: 'Ficam com bolhas nas patas e sem pelo'

Crédito, Reuters
- Author, Navin Singh Khadka
- Role, Repórter de Meio Ambiente
- Published 23 julho 2026
- Tempo de leitura: 8 min
Os camelos são conhecidos como os "navios do deserto", mas nem mesmo esses animais resistentes estão escapando dos efeitos das temperaturas cada vez mais altas na África.
Leia no AINotícia: Mundo: o que movimentou a semana
A região de Afar, no nordeste da Etiópia, é um dos lugares mais quentes e secos do planeta. Ali, nômades conduzem caravanas de camelos que transportam sal pelo deserto.
"Eu vejo os meus camelos sofrendo com o calor extremo", disse Ali Umer, à BBC, criador de camelos da cidade de Semera, em Afar.
"Eles ficam com bolhas nas patas, os olhos lacrimejam, e a areia escaldante queima a pele e faz o pelo cair quando eles se sentam", afirmou Umer, de 40 anos, que tem cerca de 500 camelos. Leia também: Como mulher sobreviveu por décadas com pulmão de aço
"Até o vento, que antes trazia um pouco de frescor, agora vem quente", disse Umer, acrescentando que tem percebido essas mudanças drásticas na temperatura nos últimos anos.
Umer não é o único a fazer esse relato. Cientistas, profissionais que atuam no segmento de bem-estar animal e diversos estudos apontam o estresse, a exaustão, a desidratação e o aumento da incidência de doenças como efeitos diretos do calor extremo.
As temperaturas mais altas também afetam os camelos de forma indireta, ao provocar escassez de água, redução da vegetação e diminuição das áreas de sombra.

Crédito, Corbis via Getty Images
Pule Promoção Agregador de pesquisas e continue lendo
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
O Norte da África e a região conhecida como Chifre da África concentram cerca de 80% da maior população mundial de dromedários, camelos com uma única corcova.
Mas um estudo publicado em 2025, baseado na percepção de criadores de camelos no sul da Etiópia, mostrou que as altas temperaturas e a variabilidade climática têm prejudicado a saúde dos rebanhos de camelos. Leia também: Trump anuncia tarifa de 12,5% contra o Brasil por trabalho forçado
"Os entrevistados relataram que as mudanças climáticas e a variabilidade do clima afetaram a saúde, a produtividade e a capacidade reprodutiva dos camelos", afirmou o estudo.
Na vizinha Somália, a situação parece ser ainda mais grave. Um estudo publicado em junho mostrou que a mortalidade de camelos associada à seca se tornou uma crise generalizada, afetando quase 46% dos lares que criam esses animais.
A pesquisa ouviu quase 6 mil famílias de pastores e constatou que a mortalidade se concentra nas regiões do norte do país. Em Sool, a taxa chegou a quase 73%, descrita pelos pesquisadores como "alarmante".
Segundo especialistas, o calor extremo é o principal responsável pela seca na região, embora outros fatores, como a falta de serviços veterinários adequados e o manejo inadequado dos animais, agravem a situação.
Uma análise realizada por pesquisadores da área de ciências atmosféricas concluiu que as altas temperaturas foram o principal fator por trás da seca de 2021 e 2022 na região. Isso ocorre porque o calor intenso faz com que a água presente no solo e nos corpos d'água evapore com mais rapidez, enquanto as plantas também liberam mais água para a atmosfera na forma de vapor.




Leia também no AINotícia
- Ele 'rabiscava' versos entre as entregas: o entregador de comida que ganhouMundo · agora
- Como mulher sobreviveu por décadas com pulmão de açoMundo · agora
- Os benefícios surpreendentes de dançar 5 minutos por diaMundo · 4h atrás
- Por que PF vai investigar repasses de Vorcaro para filme sobre Jair BolsonaroMundo · 4h atrás

