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O mercado de capitais global monitora com atenção a proximidade de IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) sem precedentes de SpaceX, OpenAI e Anthropic, que podem se consolidar como as maiores listagens de todos os tempos, com uma captação estimada em US$ 165 bilhões.
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Um relatório detalhado do Bradesco BBI divulgado nesta terça-feira (5) analisa o impacto dessas gigantes de tecnologia, que somam um valor de mercado potencial de trilhões de dólares, sobre o fluxo de investimentos em mercados emergentes e no Brasil.
O estudo aponta que a escala dessas ofertas aumenta o risco de uma “indigestão” de curto prazo para outros ativos e geografias globais. Porém, a análise também reitera que, no médio prazo, a força dessa movimentação pode acelerar a entrada de capital global nos mercados emergentes, uma vez que as ações dos Estados Unidos vão ficar ainda maiores, além de mais concentradas em tecnologia e com valuations mais caros.
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Entradas rápidas
A magnitude das empresas SpaceX, OpenAI e Anthropic está forçando os índices globais a revisarem seus critérios mais tradicionais de inclusão.
“Os provedores estão introduzindo (ou já possuem) regras de ‘entrada rápida’ para permitir a inclusão quase imediata, acomodando sua escala e baixo float”, destaca o Bradesco BBI. Um deles é o MSCI (Morgan Stanley Capital International), que já possuí uma política de permissão da inclusão para ações com grande capitalização, elas só precisam de 10 dias de negociação para entrar no índice.
Outro ponto crítico que os analistas reforçam é a estrutura de capital que será disponibilizada. Diferente das “Sete Magníficas” (Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Nvidia, Meta e Tesla), que possuem alta liquidez e níveis de free float (ações em livre circulação) superiores a 90%, esses novos gigantes devem estrear com disponibilidades restritas.
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“Os mega IPOs provavelmente virão com free floats muito baixos, em torno de 5%, em forte contraste com os níveis de 90%+ das Mag 7”, diz o relatório do Bradesco BBI.
Essa característica de baixo float tende a amortecer o impacto imediato nos pesos dos índices, adicionando apenas cerca de 0,29 ponto percentual (p.p.) ao peso dos Estados Unidos no índice ACWI (All Country World Index). Mais de economia
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No cenário brasileiro, o relatório recorda que a Bolsa também utiliza mecanismos de inclusão precoce, suavizando a exigência típica de liquidez de 12 meses para uma frequência trimestral, como ocorreu com a Rede D’Or (RDOR3) em 2020. Veja as regras de outros índices:
- Nasdaq-100: Removeu recentemente sua exigência de free float mínimo de 10% e permite cortar o período de maturação (seasoning) para apenas 15 dias caso a empresa esteja no top 40 de capitalização.
- Russell-1000: Possui uma regra de FEP (Fast Entry Process – Processo de Entrada Rápida) que permite a inclusão em apenas 5 dias após o IPO, aceitando free floats inferiores a 5%.
- S&P 500: Mantém as exigências mais rigorosas, incluindo 12 meses de maturação, quatro trimestres consecutivos de lucratividade positiva (GAAP EPS – Lucro por Ação sob os princípios contábeis geralmente aceitos) e um free float mínimo de 50%.
Impacto nos fluxos
O Bradesco BBI avalia que o tamanho desses IPOs pode inicialmente retardar a migração de recursos dos Estados Unidos para outros mercados. Contudo, a longo prazo, essa tendência pode se inverter. Leia também: BofA visita investidores dos EUA e diz que o “novo ouro” do Brasil continua brilhando
O Brasil e outros mercados emergentes podem se beneficiar conforme o mercado americano se torna “superdimensionado” e caro.
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Segundo o relatório do BBI, as ações de mercados emergentes apresentam um diferencial competitivo relevante, sendo negociadas com um desconto de 43% em relação ao P/L (Preço/Lucro) projetado dos Estados Unidos, a nível superior à média histórica de 10 anos.
Enquanto o múltiplo Preço sobre Vendas do S&P 500 está em 3,5x, o do MSCI LatAm (Índice da América Latina) é de apenas 1,5x.
O relatório elenca quatro vetores principais que favorecem os mercados emergentes:
- Exposição a fluxos passivos: Mercados emergentes possuem apenas 30% de seus ativos sob gestão vinculados a fundos passivos e ETFs, contra 55% nos Estados Unidos.
- Amortecedor de valuation em tecnologia: O setor de TI (Tecnologia da Informação) nos mercados emergentes negocia a 3,4 vezes o preço sobre vendas, enquanto nos Estados Unidos esse múltiplo supera 9 vezes.
- Hedge e ciclicidade: Países emergentes (exceto China), como o Brasil, são frequentemente utilizados como proteção contra o setor de tecnologia devido ao seu forte peso em commodities.
- Beneficiários de ‘picaretas e pás’: O capex ( Investimento em bens de capital) das maiores empresas de IA (Inteligência Artificial) deve subir para US$ 740 bilhões no próximo ano. Fornecedores de tecnologia em mercados emergentes são os principais beneficiários desse aumento massivo de investimentos em infraestrutura.
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