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Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo Especialistas apontam que normas da FIFA para proteger jogadores estão defasadas e não contemplam realidade

Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo Especialistas apontam que normas da FIFA para proteger jogadores estão defasadas e não contemplam realidade das mudanças climáticas Um grupo de especialistas em saúde, clima e performance esportiva lançou um alerta para a Copa do Mundo, que começa em menos de um mês nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Em carta aberta, divulgada nesta quarta-feira (13), os pesquisadores manifestaram preocupação com os níveis de estresse térmico aos quais os atletas serão submetidos durante o evento, marcado para o verão do hemisfério norte.

No documento, eles criticam especificamente a FIFA, entidade máxima do futebol e organizadora do torneio, pelo que consideram uma falha em “conduzir, avaliar e colocar em prática pesquisas recentes sobre os riscos crescentes da mudança climática e do calor extremo a jogadores ao redor do mundo”. Os especialistas destacaram que as normativas da entidade sobre como lidar com o calor não são atualizadas desde 2015. Por isso, dizem que, diante do cenário atual, elas “são inadequadas e vão colocar os jogadores em risco“.

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Medidas para mitigar o calor Para a Copa do Mundo de 2026, a FIFA decidiu instituir paradas de reidratação obrigatórias nos dois tempos dos jogos independentemente da temperatura registrada na partida. Em geral, a suspensão temporária do jogo ocorre por volta dos 30 minutos de cada tempo. Mas a ideia vem sendo introduzida aos poucos em outras partes do mundo, embora fique a critério dos organizadores locais.

Em competições sul-americanas deste ano, por exemplo, causou espanto que as paradas passaram a ocorrer mesmo em condições de frio. Em um jogo da Copa Libertadores na altitude de La Paz, na Bolívia, em fevereiro, houve pausa de reidratação mesmo à noite e com os termômetros marcando 10 graus. Apesar disso, a implementação das paradas ainda é irregular e as normas da FIFA são pouco rígidas. Leia também: Prescrições do editor ganha destaque após novo desdobramento em prescrições do

Na carta aberta, um dos pontos levantados pelos pesquisadores é que as regras oficiais ainda não obrigam a realização da pausa a menos que a “temperatura de bulbo úmido” esteja em 32 graus. O bulbo úmido é uma medida que considera o estresse térmico com base em fatores como a própria temperatura do ar, a umidade, a incidência solar, a velocidade do vento e a presença de nuvens. Ela ajuda a entender se o suor dos atletas será suficiente para resfriar os seus corpos durante a partida.

Quando esse índice fica muito alto, o suor não evapora direito e o organismo tem dificuldade para perder calor. Segundo os especialistas, esse limite precisa ser reduzido para 26 graus, temperatura a partir da qual há “um ambiente de alto risco para o futebol competitivo”. “

Nesses níveis, mesmo atletas bem preparados e aclimatados ao calor frequentemente não conseguem manter o equilíbrio térmico durante um exercício intermitente de alta intensidade”, argumentam os pesquisadores. Eles também querem que a parada técnica seja de pelo menos 6 minutos para garantir a reidratação e resfriamento corporal – hoje, a FIFA permite a suspensão do jogo por apenas 3 minutos. Riscos do calor extremo

A carta aberta foca especificamente nos jogadores que vão disputar a Copa do Mundo, que estarão exercendo uma atividade física extenuante em condições de temperatura longe do ideal. No entanto, mesmo a torcida parada nas arquibancadas também pode ficar exposta a riscos em função da temperatura elevada. O perigo mais imediato é a desidratação, que costuma vir sinalizada por sintomas como dor de cabeça, fadiga, câimbras, tontura e desmaios. Mais de saude

Além disso, em condições típicas de um jogo de futebol, em que é comum passar várias horas em pé, consumindo alimentos gordurosos, refrigerantes e bebidas alcoólicas, o risco de não se hidratar adequadamente acaba sendo ainda mais presente. Se o calor estiver muito elevado, o público também pode ser exposto ao estresse térmico em função de um golpe de calor ou da insolação. Nessas circunstâncias, o corpo não consegue mais regular a temperatura interna, com riscos imediatos associados ao desenvolvimento de problemas cardiovasculares como um infarto ou AVC.

Quem pretende assistir aos jogos da Copa do Mundo in loco deve lembrar de usar roupas leves e beber bastante água ao longo do dia. Se for possível escolher, vale priorizar jogos noturnos ou, se não houver alternativa e seu ingresso for para uma partida durante o dia, tentar passar o máximo de tempo possível em áreas cobertas e climatizadas até a hora da partida. Em um dia de sol, lembre-se também de usar filtro solar sempre, independentemente da temperatura. Leia também: Hantavírus pode virar pandemia? O que dizem os especialistas

Barreiras físicas como chapéus e óculos escuros também ajudam a proteger o corpo. + Estádios climatizados são alternativa em três sedes

O calorão não será problema durante os jogos em algumas das sedes dos Estados Unidos que contam com “domos”, estádios cobertos com climatização própria, capaz de garantir conforto térmico durante a partida . Nesses lugares, o maior problema será mesmo lidar com as altas temperaturas do lado de fora, durante o deslocamento e nas filas para a entrada. As cidades-sede com estádios climatizados, que podem ajudar a escapar dos extremos, são Atlanta, Dallas e Houston.

Mas, se a ideia é ver algum jogo da Seleção Brasileira, é bom se preparar para penar com o calor: os três jogos da primeira fase são em campos abertos. O Brasil abre a participação em 13 de junho, contra o Marrocos em Nova Jersey, depois enfrenta o Haiti na Filadélfia no dia 19 e encerra a primeira fase contra a Escócia em Miami, no dia 24.

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