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Não é verdade que bactéria encontrada em Porto Alegre é a mais perigosa do mundo

Não é verdade que bactéria encontrada em Porto Alegre é a mais perigosa do mundo Acinetobacter baumannii é bastante disseminada no ambiente e não costuma causar sintomas

Não é verdade que bactéria encontrada em Porto Alegre é a mais perigosa do mundo

Não é verdade que bactéria encontrada em Porto Alegre é a mais perigosa do mundo Acinetobacter baumannii é bastante disseminada no ambiente e não costuma causar sintomas ao entrar em contato com pessoas saudáveis Na última semana, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram a presença da bactéria Acinetobacter baumannii nas águas de quatro pontos da cidade de Porto Alegre.

A aparição do patógeno, que faz parte da lista de prioridades da Organização Mundial da Saúde (OMS), despertou medo em parte da população e ele chegou a ser apontado nas redes sociais e em algumas matérias como “o mais perigoso do mundo”. Os textos também diziam que ele era um recém-chegado no Brasil. No entanto, segundo especialistas, a bactéria circula no país há décadas e não deve ser considerada a mais ameaçadora.

Leia no AINotícia: Saúde em Focus

“[Dizer isso] não faz nenhum sentido“, crava o médico infectologista Renato Grinbaum, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Segundo o médico, a Acinetobacter baumannii é praticamente onipresente no ambiente e costuma ser encontrada na água e no solo. Por isso, é comum que esbarremos com esse patógeno ao longo da vida.

Porém, esse contato não traz riscos para pessoas saudáveis, porque o nosso sistema imunológico e microbioma (conjunto de micro-organismo que vivem em nosso organismo) consegue controlá-lo e combatê-lo com facilidade. “ Além de bactéria mais perigosa do mundo não existir, se ela não traz perigo para pessoas com as defesas integras porque seria a bactéria mais perigosa do mundo? Leia também: Hantavírus pode virar pandemia? O que dizem os especialistas

Seria criar pânico sem justificativa”, afirma Grinbaum. Então, onde está o risco? O único problema em relação à A. baumanii é quando ela entra em contato com pessoas em extrema vulnerabilidade, como pacientes com imunidade e o microbioma muito comprometidos.

Caso o indivíduo não consiga combater essa infecção, o uso da maiorida dos antibióticos, comuns para contra bacterioses, pode não ajudar. Isso porque esse micro-organismo faz parte de um grupo de bactérias, chamado “gram-negativas”, que possui capacidade intrínseca de encontrar novas maneiras de resistir ao tratamento e podem transmitir material genético que permite que outras bactérias também se tornem resistentes a medicamentos. Dessa forma, o principal problema envolvendo a A. baumanii são as infecções hospitalares, quando os riscos triplicam.

Por ser tão comum no ambiente, ela pode facilmente adentrar unidades de saúde por meio da pele dos profissionais da área, por exemplo. A partir daí, pode contaminar pacientes e equipamentos médicos, como traqueostomias, ventiladores mecânicos e outros. Assim, especialmente em UTIs, onde estão os pacientes mais vulneráveis, ela está frequentemente associada a pneumonias graves em pacientes entubados, infecções de feridas cirúrgicas ou traumáticas e abscessos em pulmão, pele e tecidos moles.

Assim, ela é responsável por cerca de 80% das infecções hospitalares e sua taxa de letalidade pode chegar a 70% dos casos. Por que essa bactéria é prioritária para a OMS? A bactéria faz parte da lista de patógenos enquadrados pela OMS como prioridades críticas justamente em razão da fácil disseminação em ambientes hospitalares e alta resistência a antibióticos quando infecta pessoas vulneráveis. Mais de saude

A Lista de Patógenos Bacterianos Prioritários (BPPL, na sigla em inglês) da entidade não é necessariamente uma classificação do patógenos mais perigosos por si só, mas, sim, um documento que visa orientar investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos antibacterianos, já que os existentes hoje podem não ser úteis contra esses organismos. E o problema não é uma novidade no Brasil e no mundo. Segundo Grinbaum, esse micro-organismo foi detectado em hospitais pela primeira vez no país nos anos 1990 e, desde então, segue presente nesses ambientes.

“Essa bactéria já está nos hospitais do Brasil há mais de 30 anos. Ela povoa este ambiente. E não existe nenhum recurso disponível para eliminá-la. Leia também: A reposição hormonal na menopausa protege o coração da mulher?

Ela já é um problema sério nos hospitais”, lamenta. Há motivo para pânico? Apesar do risco em ambientes hospitalares, o achado de Acinetobacter baumannii nas águas de Porto Alegre não representa exatamente uma novidade, tampouco um alto perigo, já que o contato com ele no meio ambiente é comum.

“Detectá-la no ambiente não significa que exista qualquer risco adicional”, diz Grinbaum. Ou seja, encontrar a bactéria na água, como nos achados da UFGRS, não significa necessariamente um perigo para a população geral, já que o patógeno não provoca riscos à maioria das pessoas. Os perigos, portanto, estão restritos aos hospitais, onde existem diversos programas e campanhas que estabelecem padrões de procedimentos, além da promoção comportamentos que limitem infecções evitáveis.

Ainda, segundo o Ministério da Saúde, o termo “superbactéria”, popularmente conferido às bactérias multirresistentes, não é tecnicamente correto e dá uma noção superestimada do risco desses patógenos. “ As chamadas “superbactérias” são, na verdade, bactérias já conhecidas, presentes normalmente no corpo humano (por exemplo, intestino e pele), porém que se tornaram resistentes aos antibióticos hoje disponíveis, principalmente devido ao uso abusivo desses medicamentos dentro e fora do hospital”, explica a pasta em documento sobre o tema.

Quando um paciente adquire uma infecção por bactéria multirresistente, as opções terapêuticas para o seu tratamento são menores e a chance de uma adequada recuperação fica prejudicada. Ainda assim, podem ser aplicadas estratégias como a utilização de antibióticos ou combinações menos usuais para o seu tratamento.

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