
Crédito, AFP
- Author, João Fellet e Rute Pina
- Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
- Há 8 minutos
- Tempo de leitura: 5 min
Apesar do histórico recente de tensão entre Brasil e Estados Unido, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump encerraram o encontro bilateral desta quinta-feira (7/5), na Casa Branca, trocando elogios públicos e descrevendo a conversa como positiva.
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Trump afirmou em uma publicação na rede Truth Social que a reunião havia sido "muito boa" e chamou Lula de "dinâmico". O presidente brasileiro, por sua vez, disse ter saído "muito satisfeito da reunião".
O próprio presidente brasileiro reconheceu que os dois governos ainda divergem em temas centrais, especialmente na área comercial.
"Ele sempre acha que nós cobramos muito imposto", afirmou Lula ao comentar as discussões sobre tarifas. Segundo o presidente brasileiro, o governo propôs a criação de um grupo de trabalho para negociar as divergências comerciais em até 30 dias. Leia também: 'Trégua frágil' e tentativa de 'melhorar imagem no Brasil': o que a imprensa internacional prevê para encontro entre Lula e Trump
"Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder."
Daniel Bush, correspondente da BBC News em Washington, avalia que a decisão de cancelar a aparição conjunta no Salão Oval foi significativa.
"Trump costuma apreciar a oportunidade de se reunir com líderes estrangeiros na Casa Branca e frequentemente transforma essas visitas em longas coletivas de imprensa informais", diz o jornalista.
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Neste contexto, a decisão de evitar uma aparição conjunta com o presidente brasileiro foi "reveladora", afirma.
Ele lembra que a visita ocorreu em um momento delicado da relação bilateral, marcado por disputas sobre tarifas e outras questões econômicas. E que Trump pressionou Lula a retirar as acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado.
"A ausência de uma aparição conjunta diante da imprensa no Salão Oval sinaliza que os líderes continuam muito distantes em questões-chave." Leia também: Anvisa suspende fabricação de produtos da Ypê e manda recolher lote por risco de contaminação
Oliver Stuenkel, professor associado de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, também avalia que a ausência de uma fala conjunta após o encontro indica que "algumas divergências continuam sobre a mesa".
Segundo ele, caso houvesse acordo em temas centrais, os presidentes provavelmente teriam feito uma declaração pública conjunta, ainda que isso não torne o saldo da reunião negativo, pelo contrário.
Dawisson Belém Lopes, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda. Para ele, a recepção cordial dada a Lula indica uma normalização da relação bilateral após meses de desgaste.
"Tomaria cuidado para não exagerar, não superinterpretar esse cancelamento [da aparição ante a imprensa no Salão Oval]", diz.
"Lula é tratado como interlocutor importante, respeitável. Foi recebido literalmente com tapete vermelho e foi tratar de assuntos de Estado, independentemente das divergências que possam existir, e que certamente existem entre Trump e ele", afirma.

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