Por que ONG da produtora de 'Dark Horse' é alvo de operação da Polícia Civil em São Paulo - Author, Da BBC News Brasil em São Paulo - Published - Tempo de leitura: 7 min A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1/6) uma operação para apurar suspeitas de irregularidades na contratação e execução de serviços, em contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence a Karina Gama, dona da Go UP, produtora do filme Dark Horse. A produtora está em evidência desde que o site The Intercept Brasil noticiou, em meados de maio, que o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou R$ 134 milhões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL).
Alvo da operação desta segunda-feira, o Instituto Conhecer Brasil foi contratado por R$ 108 milhões pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) de São Paulo para instalar e fazer a manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita via wi-fi em comunidades de São Paulo. Mas, segundo o inquérito policial, apenas 3,2 mil pontos foram entregues. O delegado responsável pelo caso afirma ainda que o instituto teria cobrado valores acima do mercado pela prestação do serviço e que a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB), desembolsou ao menos R$ 26 milhões por serviços não prestados no âmbito do contrato, que passou por ao menos três aditivos.
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Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o Instituto Conhecer Brasil é o principal alvo da operação desta segunda. " Também são cumpridas diligências em endereços ligados a empresas que teriam sido subcontratadas para a implantação dos serviços.
Houve ainda busca na Secretaria Municipal para obtenção de contratos, prestações de contas e documentos relacionados ao termo de colaboração", informou a pasta. Ainda de acordo com a SSP-SP, as equipes cumprem mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações, mas não há previsão de realização de prisões neste momento. Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou "que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações".
Ainda conforme a Prefeitura, "todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município". A gestão Ricardo Nunes ressaltou ainda que o programa funciona normalmente na cidade e que, por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela Prefeitura, "apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção". " Leia também: Homem flagrado filmando mulher no banho
A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade", completou a administração. Em declaração à imprensa ao chegar a um evento, Flávio Bolsonaro declarou que a operação não tem "nada a ver" com o filme sobre seu pai. Ex-ministro do governo Bolsonaro, o advogado Fábio Wajngarten saiu em defesa da dona da produtora.
" Conheci a Karina Gama [produtora do filme] há 15 dias. Humilde, trabalhadora, focada.
É mãe e pai. Locomotiva da família. Promovi encontros e reuniões com grandes jornalistas para que ela contasse sua linda história de vida.
Ela não está sozinha. Aviso a quem interessar: Não vai dar certo a intenção de tentarem vilanizá-la.
Os chantagistas serão devidamente expostos. Ela não será usada como moeda política, isso eu garanto a todos. " Mais de noticia
O prefeito Ricardo Nunes também saiu em defesa de Karina Gama. Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira, Nunes afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu que a investigação pode tratar-se de "perseguição política". "
Acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro, né? Então está passando por isso", disse Nunes, após participar de evento de entrega de unidades habitacionais no Centro da capital paulista. "
Se a motivação [da investigação] é por conta do filme... ' Então estou indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme', aí é grave. Leia também: ONG ligada a filme de Bolsonaro é investigada R$ 4 milhões
Aí é perseguição política", disse Nunes. Segundo o prefeito de São Paulo, eventual ilegalidade identificada pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público será apurada pela administração municipal. Por que ONG é alvo de operação Segundo a Polícia Civil, o inquérito partiu de informações que apontam "para graves e volumosas irregularidades financeiras e administrativas", no âmbito do contrato firmado entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil.
A investigação partiu de uma denúncia feita por Leonardo Carvalho Bastos, membro do Conselho de Ética do PT de Sapucaia do Sul (RS), ao Ministério Público Federal (MPF), mas a apuração passou ao âmbito da polícia paulista por não envolver recursos ou lesão ao interesse da União. O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, responsável pelo caso, destaca entre as irregularidades investigadas que o edital da Prefeitura que resultou na contratação do ICB, "utilizou critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações". "
O Instituto Conhecer Brasil, que até então atuava na promoção de eventos religiosos e literários gospel, teria sido a única entidade a apresentar proposta, frustrando a concorrência e o caráter competitivo do certame. " Silveira destaca ainda a disparidade de custo nos serviços prestado.
Segundo ele, enquanto a empresa pública municipal Prodam cobrava do município R$ 230 para implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para sua manutenção mensal, o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil estabeleceu o valor de R$ 1.800 por ponto, "correspondendo a uma cobrança pelo menos duas vezes superior aos preços usualmente praticados pela administração municipal". Após a deflagração da operação nesta segunda-feira, a Prefeitura de São Paulo negou que os preços pagos ao instituto tenham sido fora do padrão. "
Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês", disse a Prefeitura. Calendário eleitoral e contratos suspeitos O delegado destaca ainda que a polícia investiga se a instalação dos pontos foi influenciada pelo calendário eleitoral.
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