← Mundo
Mundo

Humanos podem 'desligar' uma IA se ela fugir do controle?

Humanos podem 'desligar' uma IA se ganha peso no noticiário por causa dos desdobramentos mais recentes.

Humanos podem 'desligar' uma IA se ela fugir do controle?
Humanos podem 'desligar' uma IA se ela fugir do controle?
Um grande botão vermelho de emergência, sobre uma base amarela, ocupa o primeiro plano. Ao fundo, desfocada, uma mão estendida parece se aproximar do botão. A imagem é coberta por elementos gráficos azuis, como linhas, pontos e circuitos digitais, que remetem à tecnologia

Crédito, BBC/Getty Images

Legenda da foto, Os chamados kill switches ("botões de desligamento", em tradução livre) são mecanismos de emergência projetados para interromper uma IA antes que ela cause mais danos
Article Information
    • Author, Fernando Duarte
    • Role, Serviço Mundial da BBC
  • Published 4 agosto 2026, 16:21 -03
    Atualizado Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 6 min

Muita gente já se perguntou o que aconteceria se a inteligência artificial (IA) escapasse ao controle humano.

Leia no AINotícia: Mundo: Panorama Semanal – Crise em Ceuta, Irã/EUA e Eleições 2026

Quem assistiu à franquia de filmes O Exterminador do Futuro, em que a humanidade entra em guerra contra a Skynet, uma IA que se torna poderosa demais, provavelmente também se pergunta isso.

E esse vilão fictício deve ter vindo à mente de muita gente no início deste mês, quando surgiram relatos de que um agente de IA (um programa capaz de tomar decisões e executar tarefas complexas com pouca ou nenhuma supervisão humana) saiu do controle durante um teste e invadiu os sistemas da Hugging Face, empresa que desenvolve ferramentas para computação.

Criado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, esse agente de IA burlou um teste que avaliava a sua capacidade de explorar falhas de segurança e roubou as respostas dos servidores da Hugging Face. Durante dias, nem mesmo seus criadores parecem ter percebido o que havia acontecido. Leia também: Testosterona pode 'falhar'? 5 motivos por que usar o hormônio nem sempre

Depois, na quarta-feira (29/7), a OpenAI informou que o agente também havia atacado vários "serviços disponíveis publicamente".

A OpenAI não deu mais detalhes, mas afirmou que está investigando os ataques. "Levamos muito a sério nossa responsabilidade de identificar e nos preparar para os riscos apresentados por sistemas de IA cada vez mais capazes", afirmou a OpenAI.

Imagem ilustrativa mostra o logo da Hugging Face (o nome da empresa ao lado de um emoji de rosto sorridente com mãos abertas) na tela de um tablet segurado por uma mulher sentada à mesa em um ambiente que parece ser um café

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A Hugging Face não foi o único alvo do agente da OpenAI

A invasão inicial, descrita como o primeiro caso confirmado de um sistema de IA que teria invadido de forma autônoma uma empresa de verdade, já havia sido suficiente para alarmar especialistas em todo o mundo e reacender o debate sobre os chamados kill switches ("botões de desligamento" ou "interruptores de emergência", em tradução livre): mecanismos de emergência projetados para, nesses casos, interromper ou desligar uma IA antes que ela cause mais danos.

Mas especialistas ouvidos pela BBC News afirmam que a questão é mais complexa. Mais de mundo

Cathy O'Neil, matemática e cientista de dados, disse ao Serviço Mundial da BBC que o problema começa na forma como as empresas de IA reagem quando seus sistemas apresentam comportamentos inesperados. Leia também: Governo Trump revoga visto da embaixadora do Brasil nos EUA em nova escalada

Na avaliação de O'Neil, a OpenAI se apressou em atribuir o ataque à Hugging Face ao agente autônomo, em vez de reconhecer falhas em seus próprios métodos de avaliação.

O'Neil, que escreveu o best-seller Algoritmos de Destruição em Massa: Como o Big Data Aumenta a Desigualdade e Ameaça a Democracia (Ed. Rua do Sabão, 2021), no qual defende maior transparência e responsabilização das grandes empresas de tecnologia, disse à BBC News: "Há alguns anos, uma falha de computador deixou centenas de voos da American Airlines em solo nos Estados Unidos. Foi um grande constrangimento para a empresa. Imagine se ela tivesse tentado se defender dizendo: 'Ah, isso aconteceu porque o computador era mais inteligente do que nós.' Foi, essencialmente, isso que a OpenAI tentou fazer."

Cathy O'Neil sorrindo. Ela veste uma blusa preta, usa uma gargantilha e tem os cabelos tingidos de azul-esverdeado

Crédito, Cortesia de Cathy O'Neill

Legenda da foto, 'Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo', afirma Cathy O'Neil

Nos EUA, onde está sediada a maioria das maiores empresas de IA, não existe uma legislação federal sobre o tema. A regulação se baseia em uma combinação de normas específicas para diferentes setores e compromissos voluntários assumidos pelas próprias empresas.

"Estamos dando aos proprietários desses sistemas de IA um poder absurdo", afirma O'Neil.

A cientista de dados Rumman Chowdhury fala no palco durante um evento em Nova York, em 2024. Ela veste roupas em tons de azul-claro e amarelo, usa um colar dourado e está com os cabelos repartidos de lado
Legenda da foto, 'O problema está no projeto e no treinamento dos sistemas, e não na IA em si', afirma Rumman Chowdhury
Um homem passa por um painel com o logo da OpenAI do lado de fora do local onde a empresa realizou uma coletiva de imprensa em Seul, em setembro de 2025
Legenda da foto, Fontes da OpenAI disseram à agência de notícias Reuters que a empresa levou vários dias para perceber que havia perdido o controle do agente
Testosterona pode 'falhar'? 5 motivos por que usar o hormônio nem sempre
Mundo

Testosterona pode 'falhar'? 5 motivos por que usar o hormônio nem sempre

Ler matéria →

Leia também