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Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil

Crédito, Acervo pessoal Legenda da foto, A norueguesa Guro Nygaard, que vive no Brasil Article Information Author, Edison Veiga Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News

Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil
A imagem mostra uma mulher em um retrato em close, olhando diretamente para a câmera e sorrindo de forma discreta. Ela tem olhos azuis, cabelos castanhos claros penteados para o lado e usa brincos de pérola.

Crédito, Acervo pessoal

Legenda da foto, A norueguesa Guro Nygaard, que vive no Brasil
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    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Published Há 7 minutos
  • Tempo de leitura: 7 min

"Aqui é muito bom. Eu não penso em voltar, de jeito nenhum. Tem muita coisa na Noruega com a qual eu não conseguiria me acostumar de novo."

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Quem diz isso é a professora de norueguês Guro Nygaard, de 32 anos. Nascida em Oslo, capital da Noruega, ela mora no Brasil há uma década— viveu primeiro em São Paulo e, desde o ano passado, mora em Jaraguá, cidade de 45 mil habitantes no interior de Goiás.

Para quem olha de longe, parece estranho. Não só porque cerca de 11 mil brasileiros escolheram viver na Noruega, de acordo com dados do Itamaraty. Mas porque dados objetivos, como o Índice de Desenvolvimento Humano, ilustram que a vida no país nórdico tende a ser mais bem-resolvida do que no Brasil: a Noruega aparece em segundo lugar no ranking, enquanto o Brasil vem apenas na 84º posição.

Para Nygaard, isso não parece importar. "Tem duas coisas que eu gosto muito daqui: a comida e o clima", elogia ela. "Na Noruega faz menos 20, menos 30 graus no inverno. Eu não desejo isso para ninguém." Leia também: Haaland e Gabriel Magalhães: a rivalidade que nasceu no campeonato inglês

Nascida na capital, em Oslo, a professora conta que nunca se sentiu feliz na sociedade norueguesa. Desde os tempos de escola, nutria uma percepção de que não se encaixava, de que não fazia parte daquele contexto tão organizado, tão previsível. "O norueguês é muito mimado. Desde o berço. Tudo é muito fácil na Noruega: basta você seguir os passos e terá uma vida acima da média", diz ela.

"É todo um sistema feito para sua vida dar certo. Na Noruega é muito difícil você ficar largado, porque tem o governo como rede de apoio, principalmente financeiro", acrescenta.

A reportagem não resiste e pergunta a ela se então ela decidiu mudar de país porque buscava uma vida mais difícil, mais complicada. "Né!?", rebate ela. "Parece meu psicólogo falando."

"Acho que [gosto daqui porque] é mais o calor humano mesmo, como as pessoas são", reflete. "Na verdade, eu acho que não me encaixei 100% no sistema. Se você não for um padrão, um superpadrão que cabe naquela caixinha, o sistema norueguês começa a ficar mais difícil."

A imagem mostra uma mulher sorrindo atrás do balcão, cercada por doces e tortas expostos em pratos e redomas de vidro. Vestindo roupas escuras e com os cabelos presos, ela apoia os braços sobre a bancada de madeira.

Crédito, Acervo pessoal Mais de mundo

Legenda da foto, Guro Nygaard em sua antiga padaria, que funcionava em São Paulo

Português na universidade

No Ensino Médio, ela abraçou uma oportunidade de fazer intercâmbio no Chile. Era o ano de 2010. Foi quando se convenceu: precisava arranjar um jeito de mudar de país. Aprendeu espanhol e se encantou pela América Latina. "Quando a gente é jovem, é meio cara de pau: pensei que agora ia ficar fácil aprender português e italiano", recorda. Leia também: Arrogância do Brasil no futebol contrasta com imagem de país alegre, diz

Três anos depois, foi para Salvador com o objetivo de fazer um curso intensivo de português. Gostou muito. Não só do acarajé e do bobó de camarão— até hoje entre suas comidas favoritas —, mas do Brasil como um todo. "Gostei mais do que do Chile", pontua.

Tanto que, quando voltou para a Noruega, estava decidida. Iria cursar Letras na Universidade de Oslo, com habilitação em língua portuguesa. Durante a graduação, chegou a passar um tempo em Portugal. Seria uma alternativa lusófona "mais perto da família", conforme ela comenta. Mas o santo não bateu. Nygaard estava convencida que seu lugar no mundo era mesmo o Brasil.

Fez que fez e viabilizou um novo intercâmbio para concluir a graduação em letras na Universidade de São Paulo, a USP, em 2016. Foi assim que se mudou, em definitivo, para o Brasil.

Logo que se formou, chegou a trabalhar, a distância, para uma empresa norueguesa. Foi quando teve a ideia: por que não montar uma padaria norueguesa em São Paulo? O storytelling, afinal, ela já tinha e era autêntico. Além disso, a metrópole paulistana, naturalmente cosmopolita, sempre teve público para gastronomias internacionais.

"Querendo ou não, uma padaria norueguesa chama muito a atenção. Era um produto que quase se vendia sozinho", avalia ela.

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