
- Author, Jordan Dunbar
- Role, BBC World Service
- Reporting from, Chernobyl, Estônia e Alemanha
- 19 abril 2026Atualizado Há 2 horas
- Tempo de leitura: 11 min
Era pouco depois da meia-noite. Iryna Stetsenko tinha terminado de fazer as unhas para o casamento, abriu a porta da varanda e tentava acalmar o nervosismo para conseguir dormir.
Em um apartamento próximo, cheio de convidados, seu noivo, Serhiy Lobanov, dormia em um colchão na cozinha.
Então, um "estrondo" quebrou o silêncio, conta Iryna. "Era como se muitos aviões estivessem passando sobre nós, tudo vibrava e o vidro das janelas tremia."
Serhiy diz que "sentiu um tremor, como se algum tipo de onda tivesse passado", pensou que pudesse ser um leve terremoto e voltou a dormir.
A jovem de 19 anos, professora em formação, e o engenheiro de usina, de 25, aguardavam ansiosos pela vida de casados na recém-construída cidade soviética de Pripyat. Eles não tinham ideia de que o pior acidente nuclear da história estava acontecendo a menos de 4 km dali.

Crédito, SHONE/GAMMA/Gamma-Rapho via Getty Images Leia também: Palestinos votam nas primeiras eleições desde o início da guerra em Gaza
Quarenta anos depois, os restos altamente radioativos da usina estão em uma zona de guerra. O casal agora vive em Berlim, após ter reconstruído a vida pela segunda vez — desta vez para fugir de um conflito, e não de um desastre nuclear.
Ele tinha tarefas a cumprir — levar roupa de cama para o apartamento de um amigo, onde ele e Iryna planejavam passar a noite, e comprar flores.

Crédito, Sovfoto/Universal Images Group/Shutterstock
Ele conta que viu soldados com máscaras de gás do lado de fora e homens lavando a rua com uma solução espumosa. Alguns conhecidos do seu trabalho na usina nuclear disseram que haviam sido chamados com urgência porque "algo tinha acontecido", mas não sabiam o quê.
Ao olhar da sacada do apartamento do amigo, em um prédio alto, ele viu fumaça saindo do reator número quatro. Mais de mundo
Mais tarde, ficaria claro que bombeiros e trabalhadores da usina haviam passado a noite expostos a níveis letais de radiação, tentando conter um grande incêndio tóxico.
"Fiquei um pouco apreensivo", diz ele. Usando seus conhecimentos técnicos, pegou um pano, molhou e colocou na entrada do apartamento como precaução, para reter poeira radioativa. Leia também: O polvo de 19 metros que dominava os mares há 100 milhōes de anos
Em seguida, correu até o mercado. De forma incomum para uma manhã de sábado, o local estava vazio — então ele escolheu cinco tulipas para o buquê.
Iryna, que estava com a mãe no apartamento da família, conta que o telefone tocou a noite toda. A mãe parecia "alarmada", diz ela, com vizinhos ligando para avisar que "algo terrível" havia acontecido — mas sem muitos detalhes.
As informações eram rigidamente controladas na União Soviética. Elas ligaram o rádio, mas não havia qualquer menção a um incidente.
Pela manhã, a mãe entrou em contato com as autoridades: "Disseram para ela não entrar em pânico, que todos os eventos planejados na cidade deveriam continuar."
Oficialmente, tudo seguia como se nada tivesse acontecido. As crianças foram enviadas para a escola.









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