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- Author, Suranjana Tewari
- Role, de Singapura para a BBC News
- Há 43 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Se você entrar em praticamente qualquer shopping center de Singapura, provavelmente irá encontrar filas no lado de fora das lojas, com nomes chamativos e marcas com cores brilhantes.
Lojas chinesas como Chagee, Molly Tea e Mixue vêm atraindo multidões, não só na Ásia, mas cada vez mais em cidades como Sydney, na Austrália, Londres e Los Angeles, nos Estados Unidos.
Ao lado das marcas de moda, lojas de brinquedos e das gigantes de produtos esportivos, as cadeias de lojas de chá estão liderando uma nova onda: empresas chinesas estão deixando de fabricar produtos de baixo custo para se tornar marcas de consumo conhecidas globalmente.
Estabelecidas no segundo maior mercado consumidor do mundo, essas empresas já têm escala de produção e força operacional. Mas a concorrência doméstica está se intensificando e, por isso, a expansão para o exterior se tornou uma necessidade.
Paralelamente, elas estão entrando em mercados onde a percepção do Made in China ainda é associada a produtos baratos e de baixa qualidade. Leia também: Pacotes de Inteligência Artificial expõem dilema do Brasil na disputa entre EUA e China
"A China passou da fase de economia de replicação", explica Tim Parkinson, da consultoria Storytellers China. "Seus produtos, agora, atendem às expectativas de uma nova geração de exigentes consumidores globais."
Fábrica do mundo
A China, há muito tempo, é a oficina do mundo, fabricando produtos para as empresas ocidentais. E, neste processo, os fornecedores aprenderam não só a produzir, mas a criar a sua marca, distribuir os produtos e vendê-los em escala.
Empresas como a Miniso se beneficiaram deste tipo de know-how. A varejista vende brinquedos e produtos de merchandising da Disney, Marvel e Warner Bros e, agora, opera lojas em mais da metade dos países do mundo.
"Os consumidores não se preocupam especificamente com a origem da marca", explica o gerente geral de mercados internacionais da Miniso, Vincent Huang. "Eles estão mais preocupados com a experiência da compra, como o design, o custo-benefício e a diversão."
Neste modelo, os contratos de licenciamento e a relativa velocidade para levar os produtos da fábrica para as prateleiras das lojas são fundamentais. Mais de mundo

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Além dos produtos de consumo, a BYD superou a Tesla como o maior fabricante de veículos elétricos (VEs) do mundo. Leia também: Bilionário financiou modelos brasileiras e avisou dias antes sobre sua prisão; MPF apura citação em Natal
A empresa se beneficiou da aposta na tecnologia certa logo no início da corrida pelos VEs. Além disso, o vasto mercado doméstico chinês ajudou a empresa a produzir em escala e melhorar sua rentabilidade.
Agora, a BYD está se expandindo para além dos carros, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido. Em questão de minutos, eles aumentam o alcance dos veículos em centenas de quilômetros.
Esta expansão faz parte de um projeto de construção de todo um ecossistema em torno dos veículos da empresa.
O apoio governamental ajudou a acelerar o setor de VEs da China, com subsídios e incentivos que promoveram a demanda. Mas esta estratégia gerou críticas da Europa e dos Estados Unidos.
Autoridades ocidentais alegaram que este tipo de apoio traz benefícios desleais para as empresas chinesas. Pequim rejeita a acusação e afirma que o crescimento reflete a inovação e o poderio industrial chinês.
O sudeste asiático como plataforma de lançamento

Guerras de preços

O desafio do soft power chinês
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