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“Falaram que eu era um monstro”: o impacto da dermatite atópica e a nova era

“Falaram que eu era um monstro”: o impacto da dermatite atópica e a nova era dos tratamentos Poucas doenças interferem tanto no dia a dia de crianças e adultos como ela

“Falaram que eu era um monstro”: o impacto da dermatite atópica e a nova era

“Falaram que eu era um monstro”: o impacto da dermatite atópica e a nova era dos tratamentos Poucas doenças interferem tanto no dia a dia de crianças e adultos como ela. Felizmente, há uma virada de jogo no tratamento; veja o que há de novo Olívia Feldens tinha 7 anos quando passou pela pior crise de sua vida. A menina de Porto Alegre convivia desde pequena com reações alérgicas na pele que foram se agravando e atacando sobretudo a região das dobras dos braços e das pernas.

Até que, em 2022, as lesões, acompanhadas de coceira, se espalharam para o corpo todo, inclusive o rosto. “De noite, ao dormir, eu ficava coçando horrores, principalmente na parte atrás da perna”, recorda a guria de 11 anos. “Mas o mais difícil era no colégio, porque tinha muita criança maldosa.

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Teve gente que falou que eu era um monstro“, prossegue a jovem gaúcha, que, além do dermatologista, precisou tratar a ansiedade com uma psicóloga. Quem acompanhou a saga foi a mãe, Thaís, de 47 anos. “

Quando o quadro começou a piorar, a gente foi à praia e a Olívia saía do mar chorando, chorando, por causa do contato das feridas com a água salgada”, lembra-se a professora universitária. Olívia convive com o diagnóstico de dermatite atópica, condição que chega a afetar até 20% da população em idade escolar, podendo persistir na vida adulta — estima-se que cerca de 5% do público mais maduro tenha o problema. O que é “Nós a definimos como uma doença inflamatória da pele, que envolve períodos de crise e calmaria.

O paciente fica com descamação e lesões avermelhadas, mas a característica principal e que mais tira a qualidade de vida dessas pessoas é a coceira“, explica o dermatologista Daniel Lorenzini, do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que hoje acompanha o caso de Olívia. A dermatite se origina de dois desequilíbrios no organismo. O primeiro à flor da pele. Leia também: Dercy Gonçalves ganha destaque após novo desdobramento em vultos da comédia

“ Há uma malformação da barreira cutânea. É como se estivesse faltando cimento entre os tijolos do muro que protege a pele”, descreve Lorenzini.

O segundo fator é, digamos, interno e sistêmico: um desarranjo no sistema imune. Ele é, digamos, sensível demais, podendo reagir a alérgenos e outras substâncias potencialmente irritantes, o que desencadeia o prurido, a vermelhidão e as feridas. “Nas crianças, as lesões aparecem tipicamente no rosto, nos cotovelos e nos joelhos.

Na adolescência, especialmente nas dobras do braço e atrás dos joelhos. E, no adulto, em regiões como o pescoço“, nota o médico. E antes os machucados se restringissem à pele.

A coceira intensa abre caminho a feridas que chegam até a sangrar. “Não só as lesões podem infectar, causando complicações, como os pacientes sofrem com o estigma devido à aparência da pele”, observa o dermatologista Anderson Costa, membro da Skin of Color Society. “

O paciente coça tanto que fica com aquela sensação ‘ Nossa, será que vão achar que é contagioso? ‘”. Mais de saude

Por essas e outras, a doença impacta bastante o bem-estar e a socialização. Perturba até na calada da noite, aliás. “

O sono é muito afetado pela coceira, que acaba gerando despertares e, como o descanso não é reparador, acarreta sonolência e perda de concentração durante o dia”, conta Costa. Para completar o pacote, não é incomum que o diagnóstico seja feito em meio a outros problemas de fundo alérgico, como rinite, asma e alergia alimentar. Sim, incômodos por fora… e por dentro. +

Os impactos da doença Felizmente, a maior parte dos casos de dermatite atópica é considerada leve, podendo entrar em remissão com a idade. “Nesses casos, medidas básicas, como o uso de sabonetes não agressivos e de hidratantes após o banho, associadas a medicamentos tópicos [cremes e pomadas], costumam ser eficazes no controle das lesões”, afirma a dermatologista Silvia Soutto, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). O objetivo é restaurar a tal da barreira cutânea e evitar o ressecamento e o ambiente propício à coceira e às feridas. Leia também: sao paulo x remo

Ocorre que uma parcela das pessoas com a condição desenvolve quadros mais graves e difíceis de domar somente com a estratégia-padrão. Olívia sabe bem do que estamos falando. “Passávamos hidratante, hidratante, hidratante…

Mas o hidratante não dava conta“, relata a mãe, Thaís. “ Também usávamos o corticoide, que dava uma aliviada, só que depois vinha o efeito rebote.

” A gaúcha de 11 anos não está sozinha nessa jornada desafiadora. Seu conterrâneo Guilherme Andrade, de 27 anos, tinha mais ou menos a idade atual de Olívia quando as lesões começaram a se manifestar.

“ As piores crises, meu Deus, eram no inverno. A pele ficava rachada e saía até sangue“, lembra.

“Era ruim para me mexer, para colocar roupa, para dormir e principalmente para tomar banho. ” O que acontece na pele se reflete na vida em geral.

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