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EUA aplicam primeiras sanções contra rede acusada de ligação com PCC

Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, já foi apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC)

EUA aplicam primeiras sanções contra rede acusada de ligação com PCC
Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, é apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele está preso desde 1999

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, já foi apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele está preso desde 1999
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    • Author, Thayz Guimarães
    • Role, Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
  • Published 1 julho 2026, 14:02 -03
    Atualizado Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 8 min

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (1/7) a primeira rodada de sanções econômicas contra pessoas e empresas acusadas de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), pouco mais de um mês após o governo do presidente Donald Trump enquadrar a facção e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Segundo o Departamento do Tesouro americano, a primeira rodada de sanções atinge os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda., Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e Wave Construções Inteligentes Ltda., apontados por Washington como integrantes da estrutura financeira do PCC.

No comunicado, o governo americano voltou a descrever a facção como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental" e afirmou que ela representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos Estados Unidos".

Para Peter Neumann, porém, a decisão evidencia um problema mais profundo do que a própria ampliação do conceito de terrorismo. Leia também: Michelle: de primeira-dama vista como trunfo à briga com filhos de Bolsonaro

Um dos principais especialistas do mundo em terrorismo e violência política, o cientista político alemão afirma que PCC, CV, cartéis mexicanos e grupos semelhantes não se encaixam adequadamente na categoria tradicional de crime organizado nem na de terrorismo.

O resultado, segundo ele, é um vazio conceitual que leva governos a recorrerem a instrumentos jurídicos concebidos para enfrentar ameaças completamente diferentes.

"Precisamos inventar um novo termo para isso", afirmou Neumann em entrevista à BBC News Brasil.

Peter Neumann

Crédito, AFP via Getty Images

Legenda da foto, Para Peter Neumann, decisão americana de classificar facções como organizações terroristas revela um problema mais profundo do que a própria expansão do conceito de terrorismo

Professor do King's College de Londres e fundador do Centro Internacional de Estudos da Radicalização (ICSR), Neumann concedeu a entrevista durante a XXIII Conferência de Segurança Internacional do Forte, no Rio de Janeiro. A Conferência é realizada pela Fundação Konrad Adenauer (KAS-Brasil), em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e a Delegação da União Europeia no Brasil.

Para ele, a discussão sobre PCC e Comando Vermelho expõe um desafio crescente para governos em todo o mundo: como lidar com organizações que movimentam bilhões de dólares, operam em vários países e setores, corrompem autoridades, controlam territórios e desafiam o Estado, mas que continuam motivadas principalmente por interesses econômicos e não por objetivos ideológicos. Leia também: Morre Victor Willis, o policial do Village People e a voz por trás de hits

"Eu não os descreveria como grupos terroristas. Eles ainda são grupos criminosos, mas se tornaram muito poderosos e representam uma ameaça à estabilidade do Estado", afirmou.

Entre mafiosos e terroristas

Durante décadas, a distinção entre terrorismo e crime organizado pareceu relativamente clara: grupos terroristas utilizam violência para impor objetivos políticos, religiosos ou ideológicos, enquanto organizações criminosas recorreram à violência para obter lucro. Nos últimos anos, porém, essa fronteira tornou-se mais nebulosa.

No México, cartéis passaram a utilizar drones armados, explosivos, campanhas de terror e assassinatos em massa para controlar territórios. Na Venezuela, o Tren de Aragua expandiu suas operações para diversos países da América Latina.

No Brasil, PCC e CV deixaram de ser organizações essencialmente locais para se transformar em redes transnacionais com presença em rotas estratégicas do narcotráfico sul-americano, atuando também em setores como garimpo ilegal, exploração clandestina de madeira, mercado de combustíveis, logística, transporte de cargas e esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro.

Defensores da classificação dessas organizações como terroristas argumentam que a distinção tradicional já não faz sentido diante desse novo cenário. Segundo essa visão, grupos que controlam populações, intimidam governos, interferem em eleições, desafiam forças de segurança e exercem formas de governança paralela produzem efeitos semelhantes aos do terrorismo, independentemente de suas motivações originais.

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