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Estupro coletivo de crianças em SP: por que vídeo do crime deixou delegada em choque

Estupro coletivo de crianças em SP: 'Esses conteúdos são vendidos em grupos sem intervenção das plataformas' Um estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10

Estupro coletivo de crianças em SP: por que vídeo do crime deixou delegada em choque

Estupro coletivo de crianças em SP: 'Esses conteúdos são vendidos em grupos sem intervenção das plataformas' Um estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em São Paulo só chegou ao conhecimento das autoridades após as imagens do crime circularem nas redes sociais e a irmã de uma das vítimas reconhecê-la nas imagens.

Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o caso evidencia o papel ambivalente das empresas de tecnologia que administram essas plataformas. Ao mesmo tempo em que permitem a circulação de conteúdo ilegal, também podem contribuir para denúncia e mobilização, ajudando a expor crimes e a pressionar por investigação. No caso do estupro coletivo em São Paulo, segundo a Polícia Civil, a irmã de uma vítima a identificou em um vídeo compartilhado na internet e procurou uma delegacia para registrar a ocorrência.

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O crime havia ocorrido três dias antes, em 21 de abril. A polícia diz ter identificado então os suspeitos e feito as primeiras apreensões e prisões. Ao todo, sete pessoas são investigadas — quatro adolescentes já foram apreendidos, um quinto está foragido e um homem adulto foi preso na Bahia, de onde deve ser transferido para São Paulo.

Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pelo caso, os suspeitos eram vizinhos das vítimas e eram pessoas de sua confiança. " Chamaram para soltar pipa, eles foram atraídos para esse imóvel.

Falaram 'vamos soltar pipa, entra aqui que tem uma linha'", disse a delegada em entrevista coletiva. A delegada afirmou ainda que as vítimas e seus familiares estavam sendo pressionados na comunidade em que viviam para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular. Leia também: Explosão em Fábrica de Fogos na China: 26 Mortos e Dezenas de Feridos

Clique Fim do Whatsapp! " Embora as imagens estivessem circulando na internet, a família não havia registrado queixa. O que me foi passado é que eles queriam resolver lá entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento", disse Dziadowczyk.

Ela ressaltou que, por conta desta pressão, as famílias das vítimas decidiram deixar a comunidade em que viviam por medo de represálias. " Teve gente que saiu com a roupa do corpo.

Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas", completou. De acordo com a investigação, o homem adulto teria iniciado as agressões e feito as gravações, que depois foram compartilhadas por meio do WhatsApp e passaram a circular nas redes sociais. Segundo a delegada Janaína Dziadowczyk, um dos adolescentes suspeitos de envolvimento no crime disse que "foi uma brincadeira que acabou escalando".

" A iniciativa de gravar foi do maior [de idade], foi ele quem começou, segundo eles, as brincadeiras, e ele começou a gravar no próprio celular e depois pediu que o outro menor gravasse." Após a identificação dos envolvidos, a polícia agora tenta rastrear a origem e a disseminação das imagens.

" No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento, vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens", afirmou o delegado Júlio Geraldo, que também está à frente do caso. Mais de noticia

As especialistas ouvidas pela reportagem pontuam que as plataformas de redes sociais e mensagens devem ser cobradas por como reagem para coibir o compartilhamento desse tipo de conteúdo, embora pontuem ser difícil interromper por completo sua circulação, especialmente em aplicativos como o WhastApp, por conta da tecnologia que protege o acesso de terceiros às mensagens privadas. Mas as especialistas ressaltam que já existem tecnologias avançadas para fazer isso e que a propagação de conteúdos de abuso infantil indicam que os controles existentes não funcionaram. Acrescentam ainda que as empresas que administram essas redes e aplicativos têm reiteradamente falhado no monitoramento e controle da divulgação e comercialização destes, o que tem levado a uma "explosão" de casos como este.

A BBC News Brasil questionou a Meta, dona do WhatsApp, sobre quando tomou conhecimento do caso, se identificou e removeu contas envolvidas na circulação das imagens e quais medidas foram adotadas para impedir a redistribuição das imagens. A reportagem questionou ainda a Meta se esse conteúdo foi detectado por sistemas próprios da companhia ou se isso ocorreu apenas após denúncia. A Meta não respondeu diretamente a essas perguntas sobre o caso de estupro coletivo em São Paulo.

Em nota, afirmou que usa tecnologias para detectar casos de abuso infantil e que remove conteúdos e contas associados a isso assim que identificados. " De outubro a dezembro de 2025, dentre os conteúdos removidos globalmente do Facebook e do Instagram por violações às regras contra exploração sexual infantil, cerca de 97% foram identificados e removidos proativamente, antes de qualquer denúncia", disse a empresa, acrescentando que envia as denúncias que recebe à Policia Federal e compartilha informações com outras empresas de tecnologia. Leia também: Roberto Cidade assume Governo do AM em eleição indireta

Sobre o WhatsApp, a Meta ressaltou que tem "equipes especializadas em eliminar interações abusivas", que encoraja os usuários a denunciarem casos de abusos às autoridades e que tem constantemente aprimorado suas tecnologias para detectar abusos. " Usando essas técnicas, o WhatsApp faz mais do que qualquer outro serviço de mensagens com criptografia de ponta a ponta para prevenir e combater esse tipo de abuso hediondo, e bane mais de 300 mil contas por mês, globalmente, por suspeitas de compartilhamento de imagens contendo exploração infantil.

" O duplo papel das redes sociais em casos de abuso A forma como se desenrolou o caso do estupro coletivo ilustra como as plataformas digitais podem ter um papel duplo em crimes deste tipo, dizem especialistas.

" Os mesmos espaços que geram exposição e permitem que conteúdos circulem também fazem parte da cadeia de atores necessários para que a gente encontre uma solução", diz Bruna Santos, gerente de políticas públicas e incidência da Witness, organização global que atua no uso de vídeo e tecnologia audiovisual para documentar violações de direitos humanos. As novas tecnologias têm levado a uma "explosão de casos" e também a novas formas de violência contra crianças e adolescentes, diz Yasmin Curzi, professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas Direito do Rio de Janeiro e pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS-FGV).

" Existe um aumento de escala — qualquer pessoa pode acessar esse tipo de conteúdo — e também a possibilidade de que essas violências sejam filmadas. Isso gera uma revitimização permanente, porque essas imagens dificilmente desaparecem", afirma a pesquisadora.

Para ela, o problema vai além das redes sociais abertas. "Estamos falando também de aplicativos de mensagens, onde muitas vezes esses conteúdos circulam e até são comercializados em grupos dedicados, sem intervenção das plataformas", diz Curzi. "

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