
Crédito, Getty Images
- Author, Giulia Granchi
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Há 10 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Um estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, em São Paulo só chegou ao conhecimento das autoridades após as imagens do crime circularem nas redes sociais e a irmã de uma das vítimas reconhecê-la nas imagens.
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Para especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o caso evidencia o papel ambivalente das empresas de tecnologia que administram essas plataformas.
No caso do estupro coletivo em São Paulo, segundo a Polícia Civil, a irmã de uma vítima a identificou em um vídeo compartilhado na internet e procurou uma delegacia para registrar a ocorrência. O crime havia ocorrido três dias antes, em 21 de abril.
A polícia diz ter identificado então os suspeitos e feito as primeiras apreensões e prisões. Ao todo, sete pessoas são investigadas — quatro adolescentes já foram apreendidos, um quinto está foragido e um homem adulto foi preso na Bahia, de onde deve ser transferido para São Paulo. Leia também: O que se sabe sobre o vírus que causou mortes em cruzeiro no Atlântico
Segundo a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pelo caso, os suspeitos eram vizinhos das vítimas e eram pessoas de sua confiança.
"Chamaram para soltar pipa, eles foram atraídos para esse imóvel. Falaram 'vamos soltar pipa, entra aqui que tem uma linha'", disse a delegada em entrevista coletiva.
A delegada afirmou ainda que as vítimas e seus familiares estavam sendo pressionados na comunidade em que viviam para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia.
"Embora as imagens estivessem circulando na internet, a família não havia registrado queixa. O que me foi passado é que eles queriam resolver lá entre eles e não queriam que a polícia tomasse conhecimento", disse Dziadowczyk.
"Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas", completou. Mais de mundo
Segundo a delegada Janaína Dziadowczyk, um dos adolescentes suspeitos de envolvimento no crime disse que "foi uma brincadeira que acabou escalando".
"A iniciativa de gravar foi do maior [de idade], foi ele quem começou, segundo eles, as brincadeiras, e ele começou a gravar no próprio celular e depois pediu que o outro menor gravasse."
Após a identificação dos envolvidos, a polícia agora tenta rastrear a origem e a disseminação das imagens. Leia também: Lula deve se reunir com Trump na Casa Branca na quinta; o que se sabe
"No primeiro momento a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento, vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens", afirmou o delegado Júlio Geraldo, que também está à frente do caso.
As especialistas ouvidas pela reportagem pontuam que as plataformas de redes sociais e mensagens devem ser cobradas por como reagem para coibir o compartilhamento desse tipo de conteúdo, embora pontuem ser difícil interromper por completo sua circulação, especialmente em aplicativos como o WhastApp, por conta da tecnologia que protege o acesso de terceiros às mensagens privadas.
Mas as especialistas ressaltam que já existem tecnologias avançadas para fazer isso e que a propagação de conteúdos de abuso infantil indicam que os controles existentes não funcionaram.
Acrescentam ainda que as empresas que administram essas redes e aplicativos têm reiteradamente falhado no monitoramento e controle da divulgação e comercialização destes, o que tem levado a uma "explosão" de casos como este.
A BBC News Brasil questionou a Meta, dona do WhatsApp, sobre quando tomou conhecimento do caso, se identificou e removeu contas envolvidas na circulação das imagens e quais medidas foram adotadas para impedir a redistribuição das imagens.

O duplo papel das redes sociais em casos de abuso
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