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Controle, ameaças e cirurgia: minha vida na 'seita' de Jeffrey Epstein

Controle, ameaças e cirurgia: minha vida na 'seita' de Jeffrey Epstein Article Information Author, Chi Chi Izundu, Olivia Davies e Will Dahlgreen Role, BBC News

Controle, ameaças e cirurgia: minha vida na 'seita' de Jeffrey Epstein
Controle, ameaças e cirurgia: minha vida na 'seita' de Jeffrey Epstein
Uma imagem composta que apresenta, ao fundo, uma foto granulada de Jeffrey Epstein parcialmente tingida de vermelho e, em primeiro plano, uma imagem estilo Polaroid de uma jovem cujo rosto está oculto por uma tarja preta.
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    • Author, Chi Chi Izundu, Olivia Davies e Will Dahlgreen
    • Role, BBC News Investigations
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 13 min

Na semana seguinte à morte do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, "Anya" (nome fictício) abriu a porta de seu apartamento em Nova York. Do lado de fora estava Mark Epstein, irmão de Jeffrey, dizendo que ela precisava deixar o imóvel, conta.

Em um instante, ela perdeu sua moradia— mas também escapou de um pesadelo.

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(Mark Epstein nega ter conhecimento dos crimes cometidos pelo irmão.)

"Ainda estou tentando processar o fato de que sofri abusos durante anos", diz Anya.

"Não estava acorrentada a uma porta, nem trancada em um porão. As correntes eram menos visíveis, mas existiam." Leia também: Biquíni, 80 anos: como traje batizado por causa de bomba nuclear se tornou

Segundo Anya, Epstein— que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores— costumava dizer que sua operação "era como uma seita, e ele era o líder dessa seita".

As assistentes eram um grupo de mulheres— cerca de uma dúzia ao mesmo tempo, estima Anya— que moravam em imóveis fornecidos por Epstein, trabalhavam em tempo integral à sua disposição e eram abusadas sexualmente por ele de forma recorrente.

Anya afirma que elas eram atraídas por meio de elaboradas mentiras e falsas promessas de trabalho. Depois disso, Epstein passava a controlar coercitivamente praticamente todos os aspectos de suas vidas, explorando qualquer vulnerabilidade que conseguisse identificar. Mais de mundo

Ela diz que ele controlava suas finanças, determinava com quem elas podiam se encontrar e as humilhava psicologicamente. Também monitorava obsessivamente seus corpos e, no caso dela, a obrigou a passar por uma cirurgia desnecessária que a deixou desfigurada.

O relato de Anya sobre o controle exercido por Epstein é corroborado por Sarah Kellen, outra ex-assistente. Em depoimento ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, neste ano, Kellen afirmou que Epstein se apresentava como o salvador das assistentes.

"Ele era muito habilidoso em destruir sua capacidade de tomar suas próprias decisões e de manter sua autonomia. E isso fazia com que você dependesse cada vez mais dele", disse. Leia também: Por que Áustria transformou local de nascimento de Hitler em delegacia

Existe um viés que leva muitas pessoas a acreditar que apenas crianças são suscetíveis a esse tipo de manipulação. Mas "um adulto também pode ser aliciado", afirma a psicóloga clínica Tara Quinn-Cirillo, que trabalha com vítimas de controle coercitivo. "Qualquer pessoa pode se tornar vulnerável a isso", diz.

'Uma armadilha completa'

Depois de Jeffrey Epstein ser condenado, em 2008, por abusar de uma adolescente— atraída até uma de suas casas com a promessa de um trabalho como massagista— ele mudou de estratégia. Passou a buscar principalmente mulheres adultas, em sua maioria da Rússia e de outros países do Leste Europeu.

Anya afirma, no entanto, que ela e muitas das outras mulheres recrutadas ainda tinham aparência de adolescentes. Para demonstrar isso, mostrou à BBC fotos suas da época.

Ela conta que cresceu em uma Rússia que saía do regime comunista, com pais rígidos que repetiam que "a educação seria a chave para o sucesso". Mas as oportunidades eram escassas e, após concluir a faculdade, deixou o país para trabalhar como modelo.

Ela trabalhou na Europa para marcas de luxo como Fendi e Chanel. Tinha amigos, uma rede de apoio e familiares para quem podia voltar sempre que desejasse.

Daniel Siad, um homem de cabeça raspada e barba por fazer, vestindo uma camiseta preta, está sentado ao ar livre no que parece ser uma rua ensolarada, sorrindo e segurando um charuto grande erguido na mão.
Legenda da foto, Anya diz que o recrutador de modelos Daniel Siad a apresentou a Epstein
Uma vista externa do edifício na Avenue Foch onde ficava o apartamento de Epstein, mostrando uma imponente construção de pedra com uma cúpula na esquina
Legenda da foto, Epstein conheceu Anya em seu vasto apartamento em Paris, perto do Arco do Triunfo

'Um processo de aliciamento muito elaborado'

Faith Kates — uma mulher de cabelos castanhos longos, com óculos apoiados no topo da cabeça e vestindo preto com um lenço de seda dourado e preto — posa para as câmeras em um evento da Business of Fashion, com parte do logotipo "BOF" visível em um painel ao fundo.
Legenda da foto, Anya diz que Epstein agendou uma reunião com a cofundadora da Next Management, Faith Kates, na foto

'Venha trabalhar para mim'

Uma vista aérea da casa de Jeffrey Epstein em Palm Beach, mostrando uma grande casa branca em um bairro à beira-mar, com uma piscina visível entre muitas palmeiras
Legenda da foto, Anya foi levada de avião até Epstein, em Palm Beach, onde sofreu abusos.

'Você nunca vai se voltar contra mim'

Sarah Kellen, uma mulher de longos cabelos castanhos e vestindo um terninho escuro, olha para a frente enquanto caminha com um grupo de outras mulheres por um corredor sem características marcantes, antes de prestar depoimento ao Congresso
Legenda da foto, Sarah Kellen disse ao Congresso que Epstein era especialista em "dizimar" o senso de autonomia de suas assistentes
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