Instituto Marielle Franco lança agenda com propostas a candidatos em defesa
Ler matéria →Letalidade Policial em Ascensão Preocupante
As mortes provocadas por policiais em serviço no Brasil cresceram 5,4% em 2025, totalizando 6.602 vítimas, o que representa o maior número absoluto desde o início da série histórica em 2016, segundo o Anuário. As chamadas mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) já respondem por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) registradas no país, a maior participação desde que esse indicador passou a ser calculado em 2014. Entre 2016 e 2025, o crescimento acumulado foi de 55,7%.
Parte desse aumento foi impulsionada pela Operação Contenção, deflagrada em outubro no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro. Análises apontam que esta foi a ação policial mais letal já registrada no país, com 122 mortos e 5 policiais vitimados. A operação sozinha representou 15% de todas as mortes provocadas pela polícia fluminense no ano e 2% do total nacional. O Rio de Janeiro também registrou um agravamento na vitimização de seus policiais, com as mortes violentas de PMs e PCs no estado saltando 82,1% em 2025.
Feminicídios Batem Recorde e Aumentam Violência contra Mulheres
Em um contraponto preocupante à queda geral de homicídios, os feminicídios atingiram um novo recorde em 2025, com 1.571 casos, representando um aumento de 4% em relação a 2024. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil por razões que envolvem violência doméstica e familiar ou menosprezo à sua condição de mulher, conforme a tipificação do Código Penal, o maior registro desde a criação desse tipo penal em 2015.
Além dos feminicídios consumados, o Anuário destaca uma alta em outros indicadores de violência contra a mulher. Houve crescimento nos casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). Para cada feminicídio consumado, o país registrou três tentativas, evidenciando a persistência e a gravidade dessa forma de violência. Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, considera que a alta nos feminicídios indica um "crescimento contínuo" e um "cenário de piora em relação à defesa dos direitos das mulheres", indo além da melhoria no registro dos crimes.
Redução de Homicídios Dolosos Atende Meta Nacional
Em um dos destaques positivos, o Brasil alcançou em 2025 a meta de redução de homicídios dolosos fixada para 2027 pelo Plano Nacional de Segurança Pública, elaborado pelo governo federal com base em estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O país registrou 15,1 homicídios a cada 100 mil habitantes, abaixo da meta de 16 mortes.
O número total de mortes violentas intencionais (MVI), que engloba homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial, foi de 40.775 vítimas em 2025. Este dado representa uma queda de 8% em relação a 2024 e o menor patamar desde 2012. A taxa de MVIs por 100 mil habitantes ficou em 19,1, a primeira vez que o país registra um índice abaixo de 20. Vinte das 27 unidades federativas contribuíram para essa redução. Santa Catarina se destacou, registrando a menor taxa do país (7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes), superando São Paulo, que ocupava essa posição desde 2014. No outro extremo, metade das dez cidades mais violentas do país concentra-se na Bahia, com Maranguape (CE) liderando o ranking pelo segundo ano consecutivo.
O Cenário dos Profissionais de Segurança: Queda de Mortes, Suicídio em Destaque
No sentido oposto ao aumento da letalidade policial, o número total de policiais civis e militares mortos caiu de 144 para 139 em 2025, uma redução de 3,5%. No entanto, essa queda oculta realidades distintas: enquanto as mortes de policiais militares recuaram, as de policiais civis subiram.
O suicídio permanece como a principal causa de morte entre os profissionais de segurança pública. Embora os registros tenham diminuído 12,7% em 2025 (de 126 para 110 casos), o número de policiais que tiram a própria vida ainda é muito superior ao daqueles que morrem em confrontos durante o serviço. O perfil dos policiais mortos é predominantemente masculino (98,2%), negro (61,8%) e com idade entre 30 e 49 anos.
O que se sabe até agora
- O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, o menor número desde 2012, com uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes.
- A meta de redução de homicídios dolosos para 2027 foi atingida antecipadamente, com 15,1 casos por 100 mil habitantes.
- As mortes decorrentes de intervenção policial cresceram 5,4% em 2025, atingindo 6.602 vítimas, o maior número absoluto desde 2016.
- Feminicídios bateram recorde em 2025, com 1.571 casos, representando 4 mulheres mortas por dia, além do aumento em outras violências contra mulheres.
- O número de policiais mortos em serviço caiu 3,5% em 2025, mas o suicídio segue como principal causa de morte entre os profissionais de segurança.
- Santa Catarina tornou-se o estado com a menor taxa de mortes violentas, superando São Paulo.
Perguntas frequentes
O que são Mortes Violentas Intencionais (MVI)?
As Mortes Violentas Intencionais (MVI) são um indicador que engloba homicídios dolosos (com intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubos seguidos de morte), lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial, oferecendo uma visão abrangente da letalidade no país. Leia também: Instituto Marielle Franco lança agenda com propostas a candidatos em defesa
O que é feminicídio e por que seu aumento é preocupante?
Feminicídio é o assassinato de mulheres por razões que envolvem violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, conforme o Código Penal. Seu aumento recorde em 2025, mesmo com a queda geral de homicídios, é preocupante porque indica a persistência e o agravamento da violência de gênero, afetando especificamente a segurança das mulheres e revelando falhas nas estratégias de proteção.
Por que a letalidade policial aumentou em 2025?
A letalidade policial aumentou 5,4% em 2025, atingindo o maior número absoluto desde 2016. Esse crescimento foi parcialmente impulsionado por operações de grande porte, como a Operação Contenção no Rio de Janeiro. O Anuário indica que as mortes decorrentes de intervenção policial representaram 16,2% de todas as mortes violentas intencionais, a maior participação já registrada, sugerindo uma tendência de aumento no uso da força letal em ações policiais.
O cenário traçado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 é complexo e multifacetado, com avanços notáveis na redução geral de homicídios, mas com alertas severos em relação à violência de gênero e ao uso da força policial. Esses dados sublinham a urgência de políticas de segurança pública que não apenas busquem a diminuição quantitativa dos crimes, mas que também abordem as nuances das diferentes violências, protegendo grupos vulneráveis e aprimorando a atuação das forças de segurança para garantir a vida e a integridade de todos os cidadãos.
Este conteúdo é informativo. Não é recomendação de investimento. Consulte assessor certificado (CVM).


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