
Crédito, Memorial Herman Theodor Lundgren
- Author, Paulo Vieira
- Role, De São Paulo para a BBC News Brasil
- Há 21 minutos
- Tempo de leitura: 13 min
Anita Harley, controladora e um dia principal executiva da rede varejista Pernambucanas, pode ter se tornado conhecida de um novo público com a série documental O Testamento, da Globoplay.
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Anita está para o Grupo Pernambucanas — que inclui a rede varejista e uma empresa de soluções financeiras, a Pefisa — mais ou menos como Luiza Trajano está para a Magalu, ou como Abílio Diniz esteve para o Grupo Pão de Açúcar.
Há dez anos, contudo, ela sofreu um AVC e desde 2016 habita, incomunicável, um quarto do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
As rocambolescas disputas em torno de sua curatela, e consequentemente de sua sucessão no Grupo Pernambucanas, são o cerne dramático da produção, uma das mais assistidas do catálogo de streaming da Globoplay em 2026. Leia também: Anna Jarvis, a mulher que inventou o Dia das Mães e depois se arrependeu
Mas é preciso reconhecer que, se a marca Pernambucanas ainda possui recall, notadamente em cidades menores, hoje ela está bem longe de ser a potência econômica que um dia foi.

Crédito, Memorial Herman Theodor Lundgren
Da Suécia ao Brasil
A história das Pernambucanas começa com o sueco Herman Lundgren (1835–1907), que chegou ao Brasil em 1855, aos 20 anos, sem saber falar português.
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Filho de uma família de comerciantes, ele cresceu em uma Suécia ainda majoritariamente agrícola, que só se industrializaria no fim do século 19.
Nesse período, o país viveu profundas transformações sociais e uma intensa onda migratória: entre 1850 e 1914, mais de um quinto da população emigrou, em grande parte para os Estados Unidos.
"Ele veio na aventura, saiu da Suécia para o clima tropical. Largou tudo e foi para o Nordeste", contou Elisabeth Lundgren em depoimento ao projeto Museu do Pessoa, em 2019, que resgatou memórias da família Lundgren. Leia também: Navio com surto de hantavírus inicia desembarque de passageiros em ilha
No Brasil, Herman reunia vantagens raras: falava três idiomas — sueco, inglês e alemão —, possuía o desembaraço social e atuava em um ambiente livre de concorrência minimamente qualificada.
Essas habilidades permitiram que ele trabalhasse como intérprete de comerciantes estrangeiros que chegavam ao porto de Recife, cidade onde se fixou após passagens rápidas pelo Rio de Janeiro e Salvador.
Mas foi como despachante aduaneiro que ele iniciou sua trajetória empreendedora. Mais tarde, tornou-se representante consular da Suécia (então em união com a Noruega) e naturalizou-se brasileiro. A partir daí, passou a formar sociedades voltadas à exportação de produtos nordestinos, como sal potiguar, cera de carnaúba e couro de cabra.
Foi justamente essa posição privilegiada no porto do Recife, acompanhando de perto os produtos que chegavam ao Brasil, que lhe permitiu identificar uma fragilidade do mercado: a dependência de pólvora importada.
Nesse contexto, Herman estruturou em 1866 a Sociedade Anônima Pernambuco Powder Factory, dando início à produção de pólvora no país e a construção de uma fortuna que sustentaria sua trajetória empresarial no Brasil.
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A origem das Casas Pernambucanas
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