
Crédito, Historica Graphica Collection via Getty Images
- Author, André Bernardo
- Role, Do Rio de Janeiro para a BBC News Brasil
- Há 55 minutos
- Tempo de leitura: 7 min
Em 1899, o escritor britânico Arthur Conan Doyle recebeu um telegrama do dramaturgo americano William Gillette. Na mensagem, o remetente dizia que estava adaptando Sherlock Holmes para o teatro e pedia autorização do destinatário para tomar algumas "licenças poéticas".
"Posso casar o Holmes?", perguntou Gillette, cauteloso.
"Você pode fazer o que bem entender com ele", respondeu Doyle, impaciente. "Pode casá-lo, assassiná-lo…".
O próprio Conan Doyle assassinou Holmes uma vez. Na verdade, tentou. Foi em 1893, no conto O Problema Final.
"A ideia me ocorrera durante umas férias na Suíça, quando conheci as maravilhosas cataratas de Reichenbach, um túmulo digno para o pobre Sherlock", relata em Memórias e Aventuras (1924). Leia também: Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
Não foi por falta de aviso de sua mãe. Em 1891, quando confidenciou a Mary Doyle que estava pensando em matar Holmes, Conan Doyle ouviu dela: "Faça o que achar melhor, mas saiba que o público não aceitará isso em silêncio".
E não aceitou mesmo. Conan Doyle recebeu cartas de repúdio e sofreu ameaças de morte.
"Cedeu à tentação após receber garantias de que receberia o dobro de seu cachê normal", revela o pesquisador Leslie S. Klinger.
É o próprio Klinger, um estudioso em literatura policial, quem responde:
"Escrever as histórias de Holmes o impedia de se dedicar a trabalhos melhores e mais importantes". Mais de mundo
Um desses trabalhos é O Mundo Perdido (1912). Ambientado na Amazônia, teria inspirado Jurassic Park (1993), de Steven Spielberg.
Gênio imortal

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No caso, "até os dias de hoje" não é força de expressão. O ilustre morador da 221B Baker Street acaba de chegar às livrarias com o romance Holmes e Moriarty, escrito por Gareth Rubin, e ao streaming com a série Jovem Sherlock, produzida por Guy Ritchie.
A ideia de escrever Holmes e Moriarty (Globo Livros) partiu do próprio Rubin, famoso pelo thriller A Ampulheta (2023).
"Todo escritor de mistério sonha escrever um romance de Sherlock Holmes", declara o britânico de 50 anos.
"Aquelas noites esfumaçadas, aqueles becos escuros, aquelas facas ensanguentadas... Bem, as histórias de Arthur Conan Doyle estão no nosso sangue. Quando você abre um livro dele, tudo pode acontecer", afirma.
Por sorte, o agente de Rubin é o mesmo dos herdeiros de Conan Doyle. Se ele, como todo escritor de mistério que se preza, sonhava escrever um romance de Holmes, os herdeiros de Conan Doyle, por sua vez, estavam à procura de um autor para assumir o legado de seu ancestral.

Herói imperfeito

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