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- Author, Rafael Abuchaibe
- Role, BBC News Mundo
- Há 6 horas
- Tempo de leitura: 12 min
Sempre que você se conecta à internet, alguém está coletando as informações que você vai deixando, seja o seu provedor, o servidor da página que você está visitando ou o navegador usado durante o acesso.
Todas estas informações ajudam as empresas a compreender melhor o comportamento dos seus clientes e projetar estratégias e produtos que atendam melhor às necessidades dos consumidores.
Da mesma forma, os dados podem ser empregados para localizar indivíduos considerados como ameaça. Foi o que fizeram os Estados Unidos para encontrar o bunker de Osama Bin Laden (1957-2011) no Paquistão.
E também servem para identificar e definir alvos militares, como faz atualmente o exército israelense no Irã. Mas, para que as informações sejam úteis, a sua coleta pura e simples não é suficiente.
A quantidade cada vez maior de dados produzidos na Web todos os dias (estimados em cerca de 400 milhões de terabytes) faz com que as organizações precisem usar programas especializados, alimentados por inteligência artificial, para poder coletá-los, organizá-los e, por fim, interpretar o que eles podem revelar. Leia também: O surpreendente benefício da cerveja para a saúde
Atualmente, a maioria dos especialistas em cibersegurança concorda que não existe no mundo um software de análise de dados que possa ser comparado, em termos de complexidade e alcance, com o da companhia americana Palantir, especialmente em relação à segurança e à inteligência militar.
No final do ano passado, o colunista do jornal The New York Times Michael Steinberger publicou o livro The Philosopher in the Valley: Alex Karp, Palantir, and the Rise of the Surveillance State ("O filósofo no Vale: Alex Karp, a Palantir e a ascensão do estado de vigilância", em tradução livre).
Ele defende que parte do sucesso da empresa se deve ao fato de ter desenvolvido sua tecnologia lado a lado com os serviços de inteligência dos Estados Unidos.

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"A reviravolta para a Palantir foi o recebimento de fundos da In-Q-Tel, que foi o braço de investimento de capital da CIA", a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, explica Steinberger à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. Mais de mundo
Tudo isso faz com que as ferramentas da Palantir sejam largamente utilizadas por diversas agências do governo americano. E não apenas pelos órgãos de inteligência, como a CIA, o FBI (Escritório Federal de Investigações) e a NSA (Agência Nacional de Segurança).
Entidades de saúde dos Estados Unidos, como os Centros de Controle de Doenças (CDC), e agências migratórias, como o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), também fazem uso dos programas da Palantir. Leia também: As teorias da conspiração sobre 'cientistas desaparecidos' nos EUA que deixam famílias perplexas
O ICE emprega atualmente essas ferramentas para identificar e localizar imigrantes procurados para detenção e deportação.
"O trabalho do ICE ao lado da Palantir começou em um momento de crise, algo típico em relação à Palantir", explica Steinberger.
"Eles cobram bastante pelos seus serviços e muitas organizações acreditam que podem economizar, se desenvolverem um software in-house. Mas, quando chega a crise, eles decidem experimentar."
"Foi o que aconteceu com o ICE em 2014", relembra ele.
"Quando um agente da DEA [a Agência de Combate às Drogas dos Estados Unidos] foi morto no México e o governo precisava encontrar os assassinos, eles recorreram à Palantir, que reuniu uma grande quantidade de dados em poucos dias e permitiu que eles encontrassem o assassino com muita facilidade."
Do PayPal ao governo dos Estados Unidos


'CEO filósofo'





Estado de vigilância?


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