
Crédito, Getty Images
- Author, Nardine Saad
- Role, BBC News
- 24 abril 2026, 06:15 -03
- Tempo de leitura: 7 min
Um soldado das forças especiais dos Estados Unidos envolvido na operação militar que capturou Nicolás Maduro foi preso após supostamente apostar na saída do ex-presidente venezuelano antes de a informação se tornar pública.
O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês) denunciou Gannon Ken Van Dyke por supostamente fazer apostas na Polymarket — plataforma de apostas baseada em criptomoedas — usando informações sigilosas.
"Isso é claramente uso de informação privilegiada e é ilegal segundo a legislação federal", disseram autoridades do DOJ.
Van Dyke, militar da ativa do Exército americano que serve em Fort Bragg, na Carolina do Norte, nos EUA, ganhou mais de US$ 409 mil (cerca de R$ 2 milhões) com suas apostas.
As forças americanas capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em seu complexo em Caracas, capital da Venezuela, durante uma operação noturna no dia 3 de janeiro, e os levaram a Nova York para responder a acusações relacionadas a armas e drogas. Eles negam essas acusações. Leia também: Chernobyl: a história das milhares de crianças atingidas pela catástrofe que foram tratadas em Cuba
Van Dyke teria apostado no momento e no desfecho da operação, conhecida como Operação Absolute Resolve (Operação Determinação Absoluta), "tudo para lucrar", informou o DOJ em comunicado divulgado na quinta-feira (23/4).
Segundo o DOJ, por volta de , Van Dyke criou uma conta na plataforma Polymarket e começou a apostar em mercados relacionados a Maduro e à Venezuela. Ele é acusado de apostar mais de US$ 33 mil (cerca de R$ 165 mil) enquanto tinha acesso a informações sigilosas e não públicas sobre a operação.
Em comunicado publicado nas redes sociais na quinta-feira (23/4), a Polymarket afirmou: "Quando identificamos um usuário negociando com base em informações governamentais classificadas, encaminhamos o caso ao Departamento de Justiça e cooperamos com a investigação."
A empresa acrescentou: "Não há espaço para uso de informação privilegiada na Polymarket. A prisão de hoje é a prova de que o sistema funciona."
Van Dyke responde por uso indevido de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, apropriação de informações não públicas do governo, fraude com commodities, fraude eletrônica e realização de transação financeira ilegal, segundo denúncia tornada pública na quinta-feira. Mais de mundo
"Nossos homens e mulheres em serviço têm acesso a informações classificadas para cumprir suas missões da forma mais segura e eficaz possível, e estão proibidos de usar essas informações altamente sensíveis para ganho financeiro pessoal", afirmou o procurador-geral interino dos EUA Todd Blanche.
"O acesso generalizado a mercados de previsão é um fenômeno relativamente novo, mas as leis federais que protegem informações de segurança nacional se aplicam integralmente", acrescentou Blanche. Leia também: Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?
O procurador dos EUA Jay Clayton, do Distrito Sul de Nova York, onde o caso tramita, acrescentou que esses mercados de previsão "não devem servir para o uso de informações confidenciais ou sigilosas obtidas de forma indevida para lucro pessoal".
Autoridades do DOJ afirmaram que, como militar, Van Dyke assinou acordos de confidencialidade nos quais se comprometia a "nunca divulgar, publicar ou revelar, por escrito, verbalmente, por conduta ou de qualquer outra forma [...] qualquer informação classificada ou sensível" relacionada a operações militares.
Promotores federais alegam que, entre e pelo menos , Van Dyke participou do planejamento e da execução da Operação Absolute Resolve e teve acesso a informações sensíveis, confidenciais e classificadas sobre a operação.
A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês), agência federal independente, informou que também apresentou uma ação contra Van Dyke, acusando-o de uso de informação privilegiada.
Questionado sobre o caso durante um evento sem relação com o caso na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tinha conhecimento, mas que iria analisá-lo.
Alertas da Casa Branca e regulação

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