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Soldado dos EUA que participou da captura de Maduro é preso após ganhar R$ 2 milhões em aposta sobre saída do líder venezuelano

Crédito, Getty Images Legenda da foto, Um soldado das forças especiais dos Estados Unidos envolvido na operação militar que capturou Nicolás Maduro foi preso após

Soldado dos EUA que participou da captura de Maduro é preso após ganhar R$ 2 milhões em aposta sobre saída do líder venezuelano
Nicolás Maduro é visto algemado após chegar a um heliponto em Manhattan, escoltado por agentes federais fortemente armados enquanto é conduzido a um carro blindado a caminho de um tribunal federal em Manhattan, em 05/01/2026, em Nova York

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Um soldado das forças especiais dos Estados Unidos envolvido na operação militar que capturou Nicolás Maduro foi preso após supostamente apostar na saída do ex-presidente venezuelano antes de a informação se tornar pública
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    • Author, Nardine Saad
    • Role, BBC News
  • 24 abril 2026, 06:15 -03
  • Tempo de leitura: 7 min

Um soldado das forças especiais dos Estados Unidos envolvido na operação militar que capturou Nicolás Maduro foi preso após supostamente apostar na saída do ex-presidente venezuelano antes de a informação se tornar pública.

O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ, na sigla em inglês) denunciou Gannon Ken Van Dyke por supostamente fazer apostas na Polymarket — plataforma de apostas baseada em criptomoedas — usando informações sigilosas.

"Isso é claramente uso de informação privilegiada e é ilegal segundo a legislação federal", disseram autoridades do DOJ.

Van Dyke, militar da ativa do Exército americano que serve em Fort Bragg, na Carolina do Norte, nos EUA, ganhou mais de US$ 409 mil (cerca de R$ 2 milhões) com suas apostas.

As forças americanas capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em seu complexo em Caracas, capital da Venezuela, durante uma operação noturna no dia 3 de janeiro, e os levaram a Nova York para responder a acusações relacionadas a armas e drogas. Eles negam essas acusações. Leia também: Chernobyl: a história das milhares de crianças atingidas pela catástrofe que foram tratadas em Cuba

Van Dyke teria apostado no momento e no desfecho da operação, conhecida como Operação Absolute Resolve (Operação Determinação Absoluta), "tudo para lucrar", informou o DOJ em comunicado divulgado na quinta-feira (23/4).

Segundo o DOJ, por volta de , Van Dyke criou uma conta na plataforma Polymarket e começou a apostar em mercados relacionados a Maduro e à Venezuela. Ele é acusado de apostar mais de US$ 33 mil (cerca de R$ 165 mil) enquanto tinha acesso a informações sigilosas e não públicas sobre a operação.

Em comunicado publicado nas redes sociais na quinta-feira (23/4), a Polymarket afirmou: "Quando identificamos um usuário negociando com base em informações governamentais classificadas, encaminhamos o caso ao Departamento de Justiça e cooperamos com a investigação."

A empresa acrescentou: "Não há espaço para uso de informação privilegiada na Polymarket. A prisão de hoje é a prova de que o sistema funciona."

Van Dyke responde por uso indevido de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, apropriação de informações não públicas do governo, fraude com commodities, fraude eletrônica e realização de transação financeira ilegal, segundo denúncia tornada pública na quinta-feira. Mais de mundo

"Nossos homens e mulheres em serviço têm acesso a informações classificadas para cumprir suas missões da forma mais segura e eficaz possível, e estão proibidos de usar essas informações altamente sensíveis para ganho financeiro pessoal", afirmou o procurador-geral interino dos EUA Todd Blanche.

"O acesso generalizado a mercados de previsão é um fenômeno relativamente novo, mas as leis federais que protegem informações de segurança nacional se aplicam integralmente", acrescentou Blanche. Leia também: Palantir: por que o crescimento do poder global da empresa de IA causa preocupação?

O procurador dos EUA Jay Clayton, do Distrito Sul de Nova York, onde o caso tramita, acrescentou que esses mercados de previsão "não devem servir para o uso de informações confidenciais ou sigilosas obtidas de forma indevida para lucro pessoal".

Autoridades do DOJ afirmaram que, como militar, Van Dyke assinou acordos de confidencialidade nos quais se comprometia a "nunca divulgar, publicar ou revelar, por escrito, verbalmente, por conduta ou de qualquer outra forma [...] qualquer informação classificada ou sensível" relacionada a operações militares.

Promotores federais alegam que, entre e pelo menos , Van Dyke participou do planejamento e da execução da Operação Absolute Resolve e teve acesso a informações sensíveis, confidenciais e classificadas sobre a operação.

A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês), agência federal independente, informou que também apresentou uma ação contra Van Dyke, acusando-o de uso de informação privilegiada.

Questionado sobre o caso durante um evento sem relação com o caso na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tinha conhecimento, mas que iria analisá-lo.

Alertas da Casa Branca e regulação

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